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Terça-feira, Novembro 30, 2021

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Incêndios | Primeiro-ministro refere “subestimação dos riscos” e “carência de meios”

O primeiro-ministro considerou este domigo, dia 29 de outubro, indiscutível que houve “uma subestimação dos riscos” de incêndios neste mês e “seguramente carência de meios” no combate aos fogos, mas sustentou que “todos os meios que existissem teriam sido manifestamente insuficientes”.

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Questionado durante uma entrevista à TVI sobre a diminuição de meios disponíveis para o combate aos incêndios, desde logo meios aéreos, o primeiro-ministro respondeu: “Houve uma subestimação dos riscos da primeira quinzena de outubro e que, aliás, se mantêm até este momento”.

“E houve seguramente carência de meios. Mas, ouvindo as populações, ouvindo os responsáveis pelos bombeiros, ouvindo os autarcas em cada um destes concelhos, também todos temos noção da excecionalidade do que aconteceu no dia 15 de outubro e, em particular, na noite de 15 para 16 de outubro”, acrescentou.

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António Costa falava em entrevista à TVI, a partir do Quartel dos Bombeiros Voluntários de Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, conduzida pelo jornalista Pedro Pinto.

O primeiro-ministro mencionou que houve avisos por parte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC).

“Mas, obviamente, isso é claro, houve uma subestimação do impacto do furação Ofélia sobre o conjunto do território do continente”, reiterou.

Segundo António Costa, os riscos em relação aos Açores foram ouvidos por todos, enquanto relativamente ao território continental “houve claramente uma subestimação, isso é indiscutível”.

Contudo, o chefe do Governo salientou os fenómenos “de força dos ventos absolutamente devastadores” e referiu que “os meios aéreos que havia, a generalidade deles, não puderam operar, tal era a força dos ventos”.

“Como muitos presidentes de câmara têm dito, todos os meios que existissem teriam sido manifestamente insuficientes”, acrescentou.

Interrogado se, apesar das condições meteorológicas, numa primeira fase os meios aéreos não teriam feito a diferença no combate aos fogos, António Costa concordou que sim.

“Provavelmente, teriam. Nalguns casos, poderiam ter tido esse efeito”, afirmou.

No final da entrevista, questionado se pode assegurar que não haverá uma nova tragédia, o primeiro-ministro disse ser preciso garantir que se vai fazer tudo para que nada se repita.

“É preciso garantir que vamos fazer tudo para que nada se repita. E, a melhor forma de o cumprir, é assegurar o compromisso de que nada fique como antes. Agora, ninguém pode, responsavelmente, desvalorizar o risco que existe e é importante que os cidadãos tenham consciência do risco que existe”, salientou.

De acordo com o primeiro-ministro, Portugal tem problemas estruturais de despovoamento, desordenamento da floresta, agravados com as alterações climáticas, e também preciso de mudar o sistema de prevenção e combate aos incêndios.

“Nós temos de conseguir fazer aquilo que leva tempo a produzir efeitos, tomando também as medidas imediatas que reforcem desde já a segurança. O que nós estamos neste momento a desenhar, com a unidade de missão que criámos, é áreas prioritárias onde para o ano nós já temos de ter o novo sistema a funcionar de forma a aumentar a resistência e a diminuir o risco de novas tragédias como esta”, acrescentou.

Na entrevista à TVI, o primeiro-ministro disse ainda que nunca pensou demitir-se por causa dos incêndios e considerou que “as pessoas estão obviamente revoltadas relativamente a tudo o que aconteceu, o que é legítimo, o que é normal”.

“Mas, sobretudo, tenho sentido em todas as populações muita determinação em fazer face a esta situação e resolvê-la para melhor”, afirmou.

Revitalização do Pinhal Interior vai a Conselho de Ministros em breve 

O Programa de Revitalização do Pinhal Interior vai ser aprovado num dos próximos Conselhos de Ministros, disse o líder do executivo, António Costa, considerando o documento “decisivo” para o território.

O período de discussão pública do Programa de Revitalização do Pinhal Interior (zona afetada pelos grandes incêndios de Góis e Pedrógão Grande) terminou há cerca de uma semana e a Unidade de Missão para a Valorização do Interior já acabou a avaliação dos contributos, revelou o primeiro-ministro, que discursava na Câmara da Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra.

“Num dos próximos Conselhos de Ministros iremos aprovar este projeto piloto. E este projeto piloto é decisivo para o futuro deste território. É decisivo para estes concelhos [abrangidos pelo programa], mas também é decisivo para inspirar o resto de todas as regiões do interior do país”, sublinhou António Costa.

Para o líder do executivo, o programa representa uma “oportunidade de desenvolvimento única” que tem de ser potenciada.

António Costa destacou a proximidade da região ao centro do mercado ibérico, os seus recursos endógenos e o vasto património natural.

Na sua intervenção, o primeiro-ministro defendeu ainda que é preciso reconstruir, “mas reconstruir melhor e reconstruir diferente”.

António Costa considerou também que é fundamental que daqui a 12 anos o território não esteja a enfrentar “as mesmas realidades” que hoje enfrenta e que enfrentou há 12 anos, nos grandes incêndios de 2005.

De acordo com o líder do executivo, há que fazer a “revitalização de todo este território e fazer com que a esperança não seja apenas uma palavra que se acarinha, mas que se traduza em factos e em realidades”.

O programa de revitalização abrange sete municípios: Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Penela e Sertã.

Os sete concelhos foram afetados pelos incêndios de Pedrógão Grande e Góis, em junho deste ano, que provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

Agência de Notícias de Portugal

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