Sábado, Fevereiro 27, 2021
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Incêndios e ordenamento florestal preocupam Bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco

A Diocese de Portalegre-Castelo Branco celebrou o seu 468º aniversário no 21 de agosto [1549-2017] tendo o Bispo D. Antonino Dias assinalado o momento com uma missiva dirigida a todos os fiéis onde expressa solidariedade, salienta a presença e apoio da Cáritas na reconstrução, mas onde expressa também as suas preocupações relativamente ao fenómeno dos incêndios no interior do país e à premência de um reordenamento territorial por gente competente. Transcrevemos as palavras escritas do Bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco-

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(…)

“A celebração deste aniversário da Diocese é muito triste para todos nós, seus membros. Grande parte do território dos seus 22 concelhos esteve debaixo de chamas impiedosas neste verão que ainda não acabou. Pelas piores razões, enchemo-nos de ver e ouvir falar dos concelhos de Castelo Branco, Proença-a-Nova, Sertã, Vila Velha de Ródão, Nisa, Sardoal, Abrantes, Mação, Oleiros, Vila de Rei, Gavião …, territórios dos distritos de Portalegre, Castelo Branco e Santarém, que fazem parte desta nossa Diocese.

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A nossa Cáritas Diocesana, sempre atenta e apesar de poucos recursos, está, em nome de todos nós, diocesanos, no terreno, a fazer o que pode, também ajudada pela Cáritas Nacional, em sintonia com os Párocos e as Autoridades locais.

Para além de já ter assumido a reconstrução de oito habitações e duas empresas familiares no concelho de Mação, das quais duas já estão recuperadas e uma das empresas já está a laborar com o equipamento que se adquiriu, assumiu, em virtude dos incêndios da semana passada, a recuperação de mais três casas de primeira habitação, uma em Vila de Rei, outra em Aldeia do Mato e outra em Belver.

Agradecemos à Cáritas Diocesana toda a sua disponibilidade e ação no terreno, sem publicidade nem holofotes, sem aproveitamentos nem qualquer outro interesse que não seja o de estar próxima e minimizar o sofrimento de tantos.

Não foi nem tem sido muito edificante que, a par, e enquanto as populações atingidas gritavam ou gritam por socorro e sofrem desesperadamente, enquanto os seus representantes políticos locais engrossavam os seus apelos e desespero – também eles sofridos e a contabilizar prejuízos e desgraças! -, muitos filósofos do fogo, profissionais de informação, entendidos de bancada, sábios de ignorância e carpideiras de ocasião “choravam”, opinavam e voltavam a opinar sobre isto e aquilo sobre aquilo e isto, explorando a própria situação dolorosa de pessoas e populações.

Muito edificante também não foi, nem é, que, pelo meio, também se meta muita politiquice, tricas, acusações mútuas de aproveitamento impróprio, muitas ocasiões para se estar calado e muitas outras em que melhor seria não dizer nada.

Sinceramente penso que uma reforma ou ordenamento das nossas florestas nunca será ajustada se vier a ser feita por alguns destes teóricos, por mais capazes e honestos que sejam, prescindindo das autoridade e dos saberes locais e dos proprietários.

Eu não a sei fazer nem me proponho para tal, mas estou convencido que não iremos lá se for feita por gente que nasceu, cresceu, estudou, viveu e se instalou em gabinetes da cidade com meras saídas para estudos, passeios, praias, ou casas de férias no Alentejo profundo.

É preciso saber, sim, é preciso gente competente, mas é preciso também um bom conhecimento da realidade, um estar dentro da complexidade que envolve a propriedade do minifúndio, dos sentimentos e da capacidade económica dos seus donos que sempre viveram com parcos recursos e, poupando o pouco que estas suas courelas lhes davam, lá iam vivendo e estudando os seus filhos, dando algum sabor à vida e valores à sociedade.

Hoje, infelizmente, a maior parte dos seus donos já não têm forças nem capacidade económica para tão-pouco as limpar como, por aí, à boca cheia, se lhes quer exigir sem se interrogarem como é que o poderão fazer. E, segundo vamos ouvindo, a limpeza das matas do Estado também não são exemplo para ninguém…

Ao mesmo tempo que festejamos mais um aniversário da nossa Diocese, continuamos unidos a todos quantos nela sofrem por esta calamidade dos incêndios e auguramos um melhor futuro para as nossas florestas”.

Antonino Dias, Bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco. Foto: Agência Ecclesia

 

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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