Segunda-feira, Janeiro 24, 2022

Incêndios | Distrito de Santarém teve em 2021 menor área ardida da última década

O distrito de Santarém teve este ano a menor área ardida dos últimos dez (349,27 hectares), sendo que 2021 é o segundo ano em que foram registadas menos ocorrências (568). Contando também com apenas dois reacendimentos, os pontos mais negativos deste balanço vão para o número elevado de ocorrências por causa intencional (31) e de falsos alarmes (103).

O balanço do dispositivo de combate a incêndios florestais no distrito de Santarém, realizado em conferência de imprensa por David Lobato, comandante operacional distrital de Santarém (CODIS), dá assim conta de um ano bastante positivo no que em termos de área ardida diz respeito, mesmo com as condições climatéricas a terem registos normais para a época, com um mês de agosto particularmente quente. As temperaturas médias da estação mais quente do ano rondaram os 28/29 graus.

David Lobato, comandante operacional distrital de Santarém, refere um “problema de incendiarismo”. Foram 31 as ocorrências por causa intencional. Foto: mediotejo.net

Embora o número de ocorrências por causa intencional (31) tenha sido também o menor dos últimos dez anos – em 2016 registaram-se 32, enquanto nos restantes anos o número de ocorrências investigadas como incendiarismo rondou 45/50 – este fator continua a constituir aquele que é um “problema de incendiarismo”, como referiu David Lobato durante a apresentação. Este problema regista-se sobretudo a norte do concelho de Santarém, no que representará uma ligação com uma maior área florestal nesta área.

Para a atenuação deste problema contribuiu uma melhor articulação com os municípios, quanto aos locais estratégicos de estacionamento de meios, o que permitiu uma redução das ignições intencionais e a detenção de incendiários em flagrante, conforme explicou o comandante operacional distrital, no que considera ser um “excelente trabalho”.

Relativamente à questão dos falsos alarmes, a grande maioria é derivado de informação falsa, o que leva a uma ineficaz dispersão de meios, os quais depois podem ser necessários para outra “verdadeira” ocorrência. Embora o distrito de Santarém detenha uma cobertura de 87% a 90% com câmaras de vigilância, os meios são sempre enviados na mesma, conforme referiu David Lobato, que afirmou ainda que esta preocupação vai ser exposta na preparação do dispositivo de combate a incêndios florestais para 2022.

- Publicidade -

A taxa de resolução de incêndios em ataque inicial (90 minutos) em 2021 foi de 97,8%, a melhor pelo menos desde há seis anos – 2015 (93,3%), 2016 (97,3%), 2017 (94,1%), 2018 (97,6%), 2019 (96,9%), 2020 (95,4%). Em 65% das ocorrências foram despachados mais de quatro meios operacionais nos primeiros cinco minutos.

Diminuição dos corpos de bombeiros e elevada idade das viaturas de combate aos incêndios entre as maiores “ameaças”. Foto ilustrativa. Foto: DR

Entre os objetivos definidos para este ano, foram atingidos os relativos à diminuição de número de ignições e de reacendimentos, pelo que apenas não foi superado o relativo à segurança das forças, dados os dois acidentes envolvendo bombeiros em Samora Correia e em Vila Nova da Barquinha (ambos sem muita gravidade).

Entre as principais “ameaças”, David Lobato referenciou que se começa a notar uma falta de recursos humanos, uma vez que o voluntariado começa a ser cada vez mais reduzido, pois é requerida imensa disponibilidade.

A elevada idade das viaturas começa também a ser preocupante, conforme foi exposto na apresentação. Na região do Médio Tejo apenas cinco corporações têm uma média de anos de viaturas de combate a incêndios rurais igual ou inferior a 20 anos: Ourém (14), Tomar (19), Constância (19), Caxarias (11) e Fátima (20).

As corporações com a maior média de idades são lideradas por Mação (29), Ferreira do Zêzere (25), Alcanena (24), Vila Nova da Barquinha (24) e Sardoal (24). Seguem-se Entroncamento (23), Minde (23), Torres Novas (22) e Abrantes (21).

O maior incêndio registado este ano no distrito ocorreu no concelho de Salvaterra de Magos, onde arderam 97 dos 349,27 hectares afetados pelos incêndios.

Os corpos de bombeiros do distrito de Santarém prestaram ainda apoio em ocorrências nos distritos de Castelo Branco, Lisboa, Leiria e Portalegre, tendo sido também enviados dois grupos para os incêndios que se registaram no Algarve.

C/LUSA

LEIA TAMBÉM

Dispositivo de combate a incêndios rurais termina e MAI elogia empenho de todos os profissionais

Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo. Ávido leitor, não dispensa no entanto um bom filme e um bom serão na companhia dos amigos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome