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Domingo, Julho 25, 2021

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Incêndios: Área do rebanho da Serra d’Aire ainda não sofreu qualquer incêndio

No momento em que Portugal está a “arder”, os concelhos de Ourém e Torres Novas têm sido relativamente poupados à vaga de incêndios. Em Fátima o pior registo sucedeu no Moimento, ao final do dia 10 de agosto, e no Cercal, Ourém, na quinta-feira, dia 11, mas acabariam por ser controlados ao fim de algumas horas de combate. Na zona por onde pastoreia o rebanho da Serra D’aire, com uma secção em Fátima, concelho de Ourém, e outra no Pedrógão, concelho de Torres Novas, ainda não foi possível averiguar os efeitos do desmate, uma vez que não há registo de incêndios naquelas áreas. 

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Em 2011 a Quercus lançou um projeto de repovoamento da Serra d’Aire com gado caprino, ao abrigo do programa Life + “Habitats Conservation”, da União Europeia. O objetivo da instituição ambiental era preservar habitats e prevenir os fogos florestais, através de dois rebanhos que ficariam posteriormente ao encargo das respetivas juntas de freguesia. Em Fátima o processo foi relativamente célere, com a autarquia a promover os produtos à base do leite das cabras e a contratar pastores para cuidar dos animais, conseguindo criar em pouco tempo instalações adequadas ao rebanho. Já o Pedrógão esbarrou com a burocracia, o rebanho vai com pouca frequência à Serra, sendo que o estábulo só este ano ficará concluído. O programa Life + “Habitats Conservation” terminou em 2014, acabando também aí a intervenção da Quercus.

Passados cinco anos e com um verão quase sem registos de fogos na região mas muito calor, o mediotejo.net quis saber se o trabalho de desmatamento dos rebanhos de cabras da Serra d’Aire tem efetivamente produzido efeitos ao combate das chamas pelos Bombeiros. Ficou a saber que o último grande incêndio na Serra data de 2003, com pequenos registos em 2004 e 2005. Desde então, em 11 anos, nunca mais houve incêndios na Serra d’Aire. A área é extensa e está com bastante mato e qualquer fogo neste momento traria problemas às equipas de Bombeiros.

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“É uma zona de bastante dificuldade. É uma área bastante vasta. Se implementassem mais animais” poderia ser uma boa solução para a prevenção dos incêndios, constatou a respeito o Comandante dos Bombeiros Voluntários Torrejanos, José Carlos. O responsável admitiu que passou recentemente pela zona e que o mato cresceu significativamente. Concorda assim com a medida do rebanho, explicando que os animais comem o combustível (mato, madeira seca, etc) que promove a aceleração dos incêndios, o que, no terreno, facilita depois o seu combate.

A mesma perspetiva é partilhada pelo Comandante Gaspar Reis, dos Bombeiros Voluntários de Fátima, constatando que não é possível perceber o resultado da ação dos rebanhos porque não tem havido incêndios naquela zona. Mas, ressalva, “o facto de não termos tido ocorrências pode dever-se ao facto de existir lá o rebanho e de este estar guardado por pastores”, sendo a presença humana uma forma de dissuadir os incendiários.

A existência do rebanho de cabras é positiva. “Em caso de incêndio atenua sempre”, defendeu o responsável, explicando que o “grande flagelo dos Bombeiros hoje em dia no combate aos incêndios rurais é a existência de combustível junto às casas. “Se toda a gente estivesse a cumprir a limpeza de 50 metros, não saia das florestas”, constata, o que não se tem verificado. 

Mas, e se houver um incêndio? A existência dos rebanhos terá ajudado? Ambos os Comandantes não sabem qual tem sido a atuação dos rebanhos de cabras, mas, constata o Comandante José Carlos, serão sempre áreas pequenas para a extensão da Serra d’Aire.

O mediotejo.net não conseguiu entrar em contacto com o presidente da junta de Fátima, Humberto Silva, mas sabe que o rebanho sai para a Serra com frequência, havendo toda uma estrutura de produção montada para dar rentabilidade à presença dos animais. Já no Pedrógão, as saídas têm sido condicionadas pela ausência de um estábulo adequado. “Espero termos até final de setembro o estábulo concluído e o rebanho (na Serra) a tempo inteiro”, adiantou o presidente da junta, Paulo Simões. Por tal, o impacto do desmate deste rebanho só poderá ser efetivamente constatado no próximo verão, uma vez que ele tem vivido em instalações provisórias, fora da área onde era suposto atuar.

Mas “o que nos compete limpar, está limpo”, frisou Paulo Simões. O autarca explicou que ao longo do ano a junta de freguesia fez os possíveis para limpar a sua área de incidência, tendo sido retiradas “algumas toneladas de mato e árvores”.

O rebanho do Pedrógão e o seu suposto abandono pela Quercus tem sido alvo de críticas pela oposição da Câmara de Torres Novas, sobretudo desde que se verificaram as condições do mesmo aquando a reunião de câmara descentralizada de 2 de Fevereiro. Recentemente o município aprovou um apoio de 10 mil euros para que o estábulo fosse finalmente concluído.

O mediotejo.net falou a este respeito com Domingos Patacho, da Direcção do Núcleo Regional do Ribatejo e Estremadura da Quercus, questionando sobre as críticas do abandono do projeto. O responsável salientou que a iniciativa esbarrou com a “burocracia excessiva”. “Se calhar abandonou porque a Câmara de Torres Novas demorou a licenciar o estábulo. A Quercus fez o seu esforço”, mas o financiamento terminaria em 2014 e a instituição não tem estrutura para suportar os rebanhos, daí ter sido essencial a colaboração das juntas de freguesia.

Domingos Patacho explicou ainda que ideias como a do rebanho da Serra d’Aire são “projetos demonstrativos”, que pretendem mostrar às populações alternativas/soluções e estimular a sua continuação. “Só queremos demonstrar que é uma ferramenta útil”, frisou, mas que teve o seu prazo de duração. “Podia ter corrido melhor”, admite.

O responsável salientou que estes rebanhos são “uma medida interessante” de combater as vagas de incêndios, que, ainda assim, necessitam de outras soluções. “É toda uma estratégia” que terá que envolver várias formas de gestão de combustível, como os corta-matos.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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3 COMENTÁRIOS

  1. “…ainda não foi possível averiguar os efeitos do desmate, uma vez que não há registo de incêndios…”
    como é que diz que disse?!? Mas senhora jornalista que “desenrasca-se melhor na escrita” terá que ocorrer um incêndio para avaliar o efeito (no singular!) do desmate? Ora… Não desista de escrever, mas…(sem ofensa) vá lendo umas obras em português.

    • O rebanho de cabras da Serra D’aire foi ali instalado com o objetivo de atingir dois efeitos: prevenir incêndios e conservar habitats. A informação é melhor desenvolvida no parágrafo seguinte. Agradeço o reparo!

  2. A influência das cabras é pura demagogia, só fala assim quem não conhece!
    Devem verificar onde andam e pastam essa cabras…
    Politiquices e €€€€ para o bolso de alguém!

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