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Sábado, Julho 24, 2021

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CRÓNICA: “In the modern world of business, it is useless to be a creative and original thinker unless you can also sell what you create.”

O atual ciclo da modernidade que vivemos é intensamente marcado por um regime inédito de cultura. O conceito de cultura-mundo, tal como a definiu o filósofo e sociólogo francês, Gilles Lipovetsky e Jean Serroy (2008) assenta sobre três premissas básicas: 1) a excrescência do conceito de cultura, 2) a abolição da diferenciação entre economia e cultura e 3) a mercantilização da cultura.

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Por um lado, a cultura global resulta neste momento do domínio político e económico do ocidente e na forma como projeta a sua cultura hegemónica no espaço-mundo. O conceito de cultura não é já entendido como o conjunto de normas sociais herdadas do passado e da tradição, nem sequer deriva do conceito de alta-cultura (das artes e das letras). Mas entendendo-se cultura no sentido antropológico do termo – na definição de Sir Edward Tylor “é aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro da sociedade” – tudo é cultura. A defesa do relativismo cultural possibilita ainda a inclusão dos movimentos de contracultura da década de 60 (underground, cultura alternativa ou cultura marginal) como das diversas culturas locais no seu âmago. A época que vivemos transformou radicalmente o lugar, o peso e a significação da cultura.

Do outro lado, a dimensão económica da cultura sofreu um extraordinário desenvolvimento. A cultura é hoje uma indústria – dos programas audiovisuais ao património, da edição à informação. As exportações das indústrias cinematográficas e audiovisuais rendem mais aos EUA do que a indústria da aeronáutica. Os tempos que vivemos materializam o que Fredric Jameson designou como Pós-modernidade ou a lógica cultural do capitalismo tardio.

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Num tempo em que tudo é cultura, e quando a cultura é uma indústria, não há espaço fora do capitalismo: ”A cultura transformou-se em mundo, em cultura-mundo, a cultura-mundo do tecnocapitalismo planetário, das indústrias culturais, do consumismo total, dos media e das redes digitais. Com a excrescência dos produtos, das imagens e da informação, nasceu uma espécie de hipercultura universal, que, transcendendo as fronteiras e baralhando as antigas dicotomias (economia/ imaginário, real/ virtual, produção/ representação, marca/ arte, cultura comercial/ alta cultura), reconfigura o mundo em que vivemos e a civilização que se aproxima.” (Lipovetsky & Serroy, 2008: 11-12)

 

Recentemente formalizada, a Associação Médio Tejo Criativo tem por objeto social a promoção da criatividade assim como a defesa dos interesses dos criativos/ artistas.

Criada por um conjunto de profissionais de diversas áreas, pretende contribuir para o desenvolvimento no Médio Tejo de um ecossistema mais criativo, mais empreendedor e promotor do crescimento da arte e da cultura, com objetivo de gerar oportunidades e impacto positivo na economia regional.

Apesar da identificação da necessidade existente entre os inúmeros artistas e/ ou criativos que criam e desenvolvem trabalho no Médio Tejo da implementação de mecanismos de ajuste às leis do mercado, e que garantam no essencial a remuneração por um trabalho criativo realizado; pessoalmente não acredito que o valor do objeto, produto ou performance artística se limite ao valor que lhe é atribuído pelas leis da oferta e da procura (e sim, a introdução a esta crónica através da frase do publicitário David Ogily trata-se efetivamente de uma provocação, uma forma de introduzir a questão da legitimidade e limites de atuação dos mercados). Mas todo este debate conduz-nos à questão nuclear do próprio conceito de «arte», do conceito de «criatividade».

O que entende por «arte», caro/a leitor/a?

 

# Jameson, Fredric, 1991, Posmodernism or, The cultural logic of late capitalism.

# Lipovetsky, Gilles & Serroy, Jean, 2008, A cultura-mundo. Resposta a uma sociedade desorientada.

 

Presidente da Associação Médio Tejo Criativo, Sónia Maria de Matos Pedro é licenciada em Antropologia - Ramo Antropologia Social e Cultural pela Universidade de Coimbra - Faculdade de Ciências e Tecnologia e Mestre em Cidades e Culturas Urbanas pela Faculdade de Economia também da Universidade de Coimbra. Já trabalhou em diversos projetos empresariais. Segundo diz a própria, "ideias e projetos para o futuro é que não faltam".

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