Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -
Domingo, Outubro 24, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Imprensa | Jornal mediotejo.net é um dos mais transparentes cibermedia regionais ibéricos

Cerca de 87% dos artigos publicados no “mediotejo.net” surgem assinados com o nome do autor, detendo a publicação online um número acima da média de conteúdos jornalísticos de produção própria. Estes são os resultados preliminares de um estudo ibérico que se encontra ainda a decorrer, intitulado “Autoria e transparência nos cibermedia regionais de Espanha e Portugal”. Os números foram apresentados na sexta-feira, 23 de novembro, durante o VI Congresso Internacional de Ciberjornalismo, na Universidade do Porto.

- Publicidade -

A investigação encontra-se a ser dirigida pelo académico e investigador português Pedro Jerónimo, especialista em cibermedia regionais, em colaboração com a investigadora espanhola Belén Galletero, da Universidad de Castilla – La Mancha. Até ao momento foi apenas analisado o período temporal de uma semana, sendo o objetivo dos investigadores recolher mais dados e publicar os resultados numa revista científica.

Belém Galletero apresentou a sua tese de doutoramento em fevereiro, incidindo sobre os cibermedia regionais espanhóis, e quis comparar com a realidade portuguesa, tendo por tal percorrido o território nacional. Na região de Leiria encontrou-se com Pedro Jerónimo, que desenvolveu a sua tese de doutoramento sobre o ciberjornalismo de proximidade em jornais regionais dos distritos de Leiria, Santarém e Castelo Branco.

- Publicidade -

Num Congresso que se dedicou às “ameaças” ao ciberjornalismo, Pedro Jerónimo quis saber até que ponto são os ciberjornais regionais transparentes quanto à autoria das suas peças Foto: Ana Isabel Reis/ObCiber

Com o Congresso Internacional de Ciberjornalismo a aproximar-se, a dupla decidiu fazer esta investigação sobre a autoria e transparência nos cibermedia regionais, ou seja, avaliar até que ponto os conteúdos dos meios/órgãos de comunicação social regionais exclusivamente digitais eram transparentes, mediante a existência ou não de assinatura do devido autor nos artigos. Segundo explicou Pedro Jerónimo aos presentes na sessão do Congresso, e posteriormente ao mediotejo.net, o objetivo inicial era a análise durar um mês, mas os problemas de agenda dos investigadores reduziram o espaço temporal a uma semana. A investigação decorreu entre os dias 22 e 28 de outubro.

A amostra concentrou-se nos conteúdos de três jornais digitais regionais espanhóis – “En Castilla-La Mancha”, “Aragón Digital” e “Galiciaé” –  e três jornais digitais regionais portugueses – “Notícias de Coimbra”, “mediotejo.net” e “Sul Informação”. Foram comparados os números de visualizações, os tempos de visualização das notícias, o número de jornalistas a trabalhar nas redações e o número de notícias publicadas por dia.

No que toca à informação própria publicada numa semana, o “mediotejo.net” (133) está sensivelmente ao nível do “En Castilla-La Mancha” (127), sendo dos três ciberjornais portugueses analisados o que publicou mais informação própria. Em Espanha o “Arágon Digital” possui a maior produção própria (192).

Ao nível das notícias assinadas, o “mediotejo.net” destaca-se com 87,2% de notícias com identificação do respetivo autor. O “Notícias de Coimbra” não registou nenhuma notícia assinada no período em causa e o “Sul Informação” tem 22.5% de notícias assinadas.

o mediotejo.net aproxima-se dos níveis de transparência do Aragón Digital Foto: Aragón Digital

Noutros dados, o “Notícias de Coimbra” tem 4,1% de informação obtida pelo media, enquanto os restantes dois nada registam. O “mediotejo.net” regista 10,5% de dependência de agência noticiosa, o “Notícias de Coimbra” 17,2% e o “Sul Informação” 0%. Sobre outras fontes noticiosas (comunicados de imprensa), há uma dependência de 2,3% do “mediotejo.net”, 2,7% do “Sul Informação” e 0,8% do “Notícias de Coimbra”. De origem desconhecida o “mediotejo.net” não tem qualquer registo, atingindo o “Notícias de Coimbra” 77,9% e o “Sul Informação” 74,8%.

Cruzando os dados destes seis cibermedia portugueses e espanhóis, as estatísticas dão conta que cerca de metade (48,63%) dos conteúdos dos cibermedia regionais portugueses são de autoria desconhecida, enquanto 38,52% têm autor identificado. A disparidade em Espanha é menor, com 26,54% de autoria desconhecida e 33,17% de autoria identificada, mas 31,27% de informação de agência. Há assim mais transparência em Espanha que em Portugal, mas o nosso país possui também extremos quanto à política de identificação da autoria das notícias.

O “mediotejo.net, assim como o “Aragón Digital”, registaram mais produção própria. Estes números estarão relacionados, comenta a análise preliminar, com o número de jornalistas a trabalhar na redação, porém há variáveis difíceis de estudar porque alguns jornais não dão informação precisa sobre os seus recursos humanos.

Outra conclusão prévia, assinalou-se, é que o público não parece premiar esta transparência dos jornais, uma vez que os dados de navegação das notícias são semelhantes nos vários cibermedia e até superiores em órgãos com apenas 14,5% de notícias assinadas, como o espanhol “Galiciaé”. Conforme explicou Pedro Jerónimo ao mediotejo.net, para perceber o porquê é necessário um estudo junto dos próprios leitores.

Transparência como selo de qualidade e responsabilidade

Este trabalho, admitiu Pedro Jerónimo ao nosso jornal, é ainda bastante preliminar, sendo que a dupla quer fazer mais investigação para que o estudo seja publicado em revista científica. No entanto o académico admitiu que não espera que os dados mudem significativamente.

A investigação, avançou, poderá passar agora pela interpelação dos próprios órgãos de comunicação social, por forma a conseguir explicar a razão das notícias serem ou não assinadas. A existência de extremos – onde tudo ou nada é assinado pelo autor – leva a concluir que se poderão tratar de políticas da redação, que seria interessante analisar no âmbito do trabalho.

Na opinião do investigador, “a transparência é um selo de qualidade que me parece interessante”. Não obstante os meios de comunicação em causa assumirem as notícias que publicam, é também importante, considera, que os próprios jornalistas o façam. “A transparência ajuda a construir a responsabilidade do próprio jornalista”, afirmou.

A estudar os cibermedia desde os anos 90, Nora Paul admitiu-se cética quanto ao futuro das plataformas face às várias ameaças que enfrentam. A norte-americana encerrou o Congresso a 23 de novembro Foto: Ana Isabel Reis/ObCiber

Este trabalho de Pedro Jerónimo e Belén Galletero inseriu-se num Congresso de Ciberjornalismo especificamente dedicado às “Ameaças ao Ciberjornalismo”. “Fake news, pós-verdade, clickbait, conteúdos patrocinados, fim da neutralidade da Internet, desinformação, imediatismo, publicação sem verificação, infotainment, sensacionalismo, conteúdos virais, manipulação, enviesamento, descontextualização, autoedição, publicação amadora, anonimato, sedentarismo, produção multitarefa, desinvestimento, desintermediação, desregulação, precariedade, redes sociais, motores de busca, agregadores, rapinagem de conteúdos, tráfico de dados pessoais, publicidade intrusiva, ad blockers, automatização, robôs… São muitas as ameaças ao ciberjornalismo”, constatou a organização no seu site.

“No tempo das notícias falsas – o que é um contrasenso, porque ou é notícia ou é mentira – e com tanta coisa a circular online, nunca como hoje os jornalistas foram tão necessários”, constatou Pedro Jerónimo. Daí a importância da transparência, como motor da própria credibilidade, afirmou.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome