“Identidade, Natureza e Cultura: desafios para o turismo em Fátima”, por José Alho

A excepcionalidade das características turísticas de Fátima deve merecer uma atenção, também muito especial, por parte das diversas entidades e agentes envolvidos nessa dinâmica, numa lógica de transversalidade e integração de medidas de política e ação sectoriais.

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A região envolvente a Fátima é rica em valores naturais, culturais e paisagísticos o que lhe oferece condições singulares para potenciar o fenómeno turístico-religioso aí instalado, num quadro que do ponto de vista regional seria interessante explorar graças à diversidade de motivos como o Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, as Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, os Mosteiros da Batalha e de Alcobaça, o Convento de Cristo, a Vila Medieval de Ourém e, mais ao longe, o Tejo, por um lado, e o litoral por outro. Valores de relevância nacional e internacional como atestam algumas das suas classificações.

ALHO3Em redor do esqueleto geomorfológico que é o Maciço Calcário Estremenho, onde Fátima ocupa lugar central, estende-se um potencial para o desenvolvimento turístico que não pode deixar de ser agarrado pelos diversos actores de desenvolvimento.

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ALHO2Durante muitos anos o desenvolvimento de Fátima passou ao lado dessas potencialidades deixando-se embalar pelo modelo mais cómodo e primário de rentabilizar a procura dos milhões dos visitantes anuais, sem grandes preocupações com a qualidade e diversificação da oferta.

Salvo raríssimas exceções deu-se resposta às necessidades básicas de comer, dormir e adquirir lembranças de temática religiosa.

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Muito pouco, para uma tão grande diversidade de turistas/peregrinos e talvez a justificação para que Fátima ainda não apresente níveis de desenvolvimento idênticos a outros locais de destino turístico-religioso.

Olhando os erros, por omissão, do passado, temos a obrigação de estar alerta para não os repetir!

Garantir o desenvolvimento desta região é uma aspiração legítima e louvável para o qual todos os atores devem contribuir, no entanto, esse desiderato tem de ser concretizado através da concertação de vontades e interesses.

Infelizmente não se tem afirmado nas últimas décadas uma liderança clara e respeitada no processo de crescimento do fenómeno Fátima à excepção do domínio da Igreja, e esse é o principal problema para a concretização do verdadeiro desenvolvimento de Fátima e da sua região.

Num momento em que se iniciam as comemorações do centenário do fenómeno das aparições creio ver aí a oportunidade para uma reflexão séria e esclarecida sobre uma dinâmica e empreendedora e com visão estratégica que possa trazer para esta região aquilo que faltou no passado e atrás caracterizei.

Exige-se dos principais atores inteligência para concertar interesses, envolver vontades e afirmar uma voz reivindicativa junto dos diversos responsáveis que ultrapasse os ocasionais deslumbramentos e pequenos protagonismos que já demonstraram, à exaustão, a sua ineficácia!

O Futuro passa pela capacidade de garantir condições necessárias para responder ao que se procura numa terra de fé, consolidando essa marca num compromisso para com o mundo, mas adicionando condições para outras descobertas e outras vivências que sejam uma mais-valia qualificadora dessa identidade.

O Turismo, pensado de modo integrado e sustentável, tem de ser oportunidade tal como o pudemos verificar em muitos locais do nosso país e do mundo menos prendados pelos valores da natureza e da cultura.

As características patrimoniais da região conferem-lhe uma oportunidade que bem trabalhada pode satisfazer os turistas/peregrinos e criar oportunidades de desenvolvimento para as comunidades locais.

É esta expectativa que deve ser celebrada com resultados em ano de comemorações.

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José Manuel Pereira Alho Nasceu em 1961 em Ourém onde reside. Biólogo, desempenhou até janeiro de 2016 as funções de Adjunto da Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Foi nomeado a 22 de janeiro de 2016 como vogal do Conselho de Administração da Fundação INATEL. Preside à Assembleia Geral do Centro de Ciência Viva do Alviela. Exerceu cargos de Diretor do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Coordenador da Reserva Natural do Paúl do Boquilobo, Coordenador do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, Diretor-Adjunto do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste, Diretor Regional das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo na Autoridade Florestal Nacional e Presidente do IPAMB – Instituto de Promoção Ambiental. Manteve atividade profissional como professor convidado na ESTG, no Instituto Politécnico de Leiria e no Instituto Politécnico de Tomar a par com a actividade de Formador. Membro da Ordem dos Biólogos onde desempenhou cargos na Direcção Nacional e no Conselho Profissional e Deontológico, também integra a Sociedade de Ética Ambiental. Participa com regularidade em Conferências e Palestras como orador convidado, tem sido membro de diversas comissões e grupos de trabalho de foro consultivo ou de acompanhamento na área governamental e tem mantido alguma actividade editorial na temática do Ambiente. Foi ativista e dirigente da Quercus tendo sido Presidente do Núcleo Regional da Estremadura e Ribatejo e Vice-Presidente da Direcção Nacional. Presidiu à Direção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza. Foi membro da Comissão Regional de Turismo do Ribatejo e do Conselho de Administração da ADIRN. Desempenhou funções autárquicas como membro da Assembleia Municipal de Ourém, Vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Presidente do Conselho de Administração da Ambiourem, Centro de Negócios de Ourém e Ouremviva. É cronista regular no jornal digital mediotejo.net.

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