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Quarta-feira, Setembro 22, 2021

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“Hotel de Abrantes”, por Armando Fernandes

Tenho acompanhado com atenção o posicionamento do Hotel de Abrantes no segmento da restauração, e para lá da aposição de Panorâmico ao seu restaurante, o que se entende perfeitamente, dada a possibilidade de se vislumbrar extensas e multiformes paisagens com o rio Tejo cada vez mais sumido a ser o traço de união das duas margens.

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A carta de comeres sofreu benéfica alteração com a inclusão de novos pratos da cozinha tradicional portuguesa (o que se louva) e outros de teor internacional de modo a sua clientela turística ir satisfeita e com intenções de voltar. A fidelização dos clientes é fundamental e, numa troca de opiniões com a sua responsável, fui informado das alteridades realizadas e as pensadas para o futuro indiciam o desejo de o Hotel de Abrantes conseguir atingir o melhor e mais alto nível no panorama gastronómico.

No tocante a comeres apreciados no decurso de um almoço saliento a perdiz escachada. A ave de estirpe de coutos foi trabalhada de modo a ser debelada a sua matricialidade carcerária dando boa conta de si, embora para meu gosto precisasse de mais picante, porém nesta matéria gostos não se discutem. O inocente para uns pode ser puxavante para outros.

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Muito bem cozinhado, logo qualificado caril de camarão. É difícil encontrar caril sem mácula. O caril acamou deliciosamente com o arroz branco reforçando a «manta» sobre estes frutos do mar acentuando o seu sabor. Correcto o bife à portuguesa de carne sedosa. Naipe de sobremesas incluindo algumas de cariz tradicional. A pedido aparece sobre a mesa uma tábua de queijos. Tomei um copo de vinho tinto ribatejano a contento.

O restaurante do Hotel de Abrantes evidência claros sinais de procurar o prestígio dos anos cinquenta e sessenta do século passado, faço votos que o consiga e o ultrapasse.

Aceita cartões de crédito. Não encerra. Telefone 241 247110. Estacionamento privativo. Largo de Santo António. Abrantes

Quinta da Lapa, Reserva
Estagiou este tinto em barricas de carvalho francês, esteve em bom lugar até agora, afirmo-o porque no copo de prova mostrou-se cristalino sem mácula. O nariz recebeu agradáveis aromas a fruta bem madura, a essências silvestres e algum mineral, o palato deleitou-se a beber lentamente o vinho proveniente de uvas das castas Shyrah, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Merlôt. Elegante e vigoroso acompanhou duas refeições onde os pratos principais foram peixe assado no forno e um sápido coelho guisado, no tocante a entreténs de boca atum de conserva com feijão-frade e grão-de-bico ensopado com bacalhau. Queijo da Serra curado a coroar as ditas refeições. Se os enlaces forem felizes, é minha convicção ser o tinto ora apreciado indicado para coadjuvar outros produtos alimentares tais como: peixes e carnes fumadas, carnes vermelhas, caça de pelo e pena, queijos magros e gordos, arrozes de substância e massas em consonância. Um Senhor Vinho!

Origem TEJO. Produzido e engarrafado por Sociedade Agro-Pecuária Quinta da Lapa. Lapa, Cartaxo. Ano de colheita: 2015. Graduação: 14º.

Armando Fernandes é um gastrónomo dedicado, estudioso das raízes culturais do que chega à nossa mesa. Já publicou vários livros sobre o tema e o seu "À Mesa em Mação", editado em 2014, ganhou o Prémio Internacional de Literatura Gastronómica ("Prix de la Littérature Gastronomique"), atribuído em Paris.
Escreve no mediotejo.net aos domingos

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