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Quarta-feira, Janeiro 26, 2022
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“Hijab. Hijab. Hijab. Stop. Stop. Stop.”, por Hália Santos

Hijab. Hijab. Hijab.

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O que te deu? O que é que estás para aí a dizer?

Hijab. Hijab. Hijab. Teerão. Teerão. Teerão.

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Estás louca?

Hijab. Hijab. Hijab. Teerão. Teerão. Teerão. Protesto. Protesto. Protesto.

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Continuas?

Hijab. Hijab. Hijab. Teerão. Teerão. Teerão. Protesto. Protesto. Protesto. Prisão. Prisão. Prisão.

Vais parar?

Hijab. Hijab. Hijab. Teerão. Teerão. Teerão. Protesto. Protesto. Protesto. Prisão. Prisão. Prisão. Stop. Stop. Stop.

O que se passa contigo?

Apetece-me só parar quando tiver a certeza de que as mulheres, em qualquer parte do mundo, não são obrigadas a fazer coisas diferentes dos homens.

Hoje és feminista?

Sempre fui feminista moderada. Não gosto de extremismos, mas também não gosto de desigualdades idiotas. E obrigar as mulheres a tapar o cabelo é uma desigualdade idiota.

Não é bem assim. Trata-se de uma forma de expressar uma religião. Conheci mulheres que o fazem sem se sentirem obrigadas, simplesmente porque entendem o uso do hijab como uma manifestação da sua crença muçulmana.

Sim, claro! Também há quem o veja como um adereço de moda. Onde conheceste essas mulheres? Na Europa, certamente. Em Inglaterra, provavelmente. Usar hijab na Europa é muito diferente de usar hijab no Irão! Consegues perceber isso? É a diferença entre quereres fazê-lo e seres obrigada a fazê-lo…

Nisso tens razão. Há muitas jovens mulheres em Inglaterra que não usam hijab e que, um dia, por opção individual, passam a fazê-lo.

Nada contra! Muito bem! Eu sempre vesti o que quis, sempre fiz ao meu cabelo o que quis e sempre me maquilhei ou não conforme bem quis. Não posso é aceitar que uma mulher vá presa porque destapou a cabeça.

As duas mulheres que foram presas em Teerão sabiam que isso ia acontecer. Tirar o lenço, colocá-lo num pau e, em cima de caixas de eletricidade, ficar a acená-lo, é um ato de provocação.

Claro que é! Uma provocação com todo o sentido.

Os defensores do hijab dizem que essas mulheres foram influenciadas pelo exterior e que a maioria das mulheres iranianas não se identificam com o protesto. Se calhar, devíamos tentar perceber, se é assim ou não… Até porque se trata de uma questão cultural, que resulta de um processo histórico, de um país que passou por uma revolução liderada por alguém que ditou determinadas regras…

Tudo muito lindo! Isso foi em 1979. Sabes que anos antes disso as mulheres iranianas usavam biquíni e andavam com o cabelo ao vento?

Sim, mas uma das implicações da revolução islâmica desse ano foi precisamente o cortar com supostas influências do mundo ocidental, como a música e a forma de vestir. Foi uma revolução contra uma ditadura que, ironicamente, retirou liberdade…

Passaram quase 40 anos! Quantas mulheres muçulmanas já provaram a sua fé, depois disso, sem terem que respeitar essa obrigatoriedade de usar lenço na cabeça? São menos dignas da sua religião?

Não serão… Mas fazer parte de um grupo implica seguir regras.

Mesmo que as regras se revelem idiotas!

Não fazes parte do grupo. Não deverias pronunciar-te… É a tua perspetiva da coisa. Mas, noutra perspetiva, usar o véu islâmico também pode ser visto como um ato de liberdade.

Como? Importa-se de repetir? O mais fácil é sempre colocarmo-nos no lugar do outro.

Então hoje temos uma espécie de ‘e se fosse consigo’?

Se quiseres. É como tu quiseres… Imagina-te só a ter que usar um lenço na cabeça, todos os dias da tua vida, quer queiras, quer não.

Não imagino.

Então, diz comigo: Hijab. Hijab. Hijab. Teerão. Teerão. Teerão. Protesto. Protesto. Protesto. Prisão. Prisão. Prisão. Stop. Stop. Stop.

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

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