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Quinta-feira, Agosto 5, 2021

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“Há mais vida para além da Bola… e do défice?”, por Pedro Marques

No rescaldo destes dias mais recentes, seria normal que eu escrevesse sobre o Benfica. Sou adepto do Benfica, até já fui sócio e um regular frequentador do estádio, ainda dos tempos do velhinho Estádio da Luz, onde também assisti à vitória de Portugal no Campeonato do Mundo de Sub-20, em 1991, bem como a muitos jogos de competições nacionais e internacionais.

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Podia falar do tricampeonato vencido pelo Benfica e ficar preso às declarações nada humildes de Jorge Jesus, em contraste com a lucidez e sensatez de Rui Vitória.

Podia falar das vitórias do Benfica no hóquei em patins. Podia.

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Mas não é sobre isso que vou escrever.

Antes quero concentrar-me no conjunto de sinais que começam a surgir no horizonte. Nuvens negras. António Costa sobe nas sondagens e pode criar uma crise política em breve para forçar as esquerdas da sua “Geringonça” a retirarem o apoio, antecipando eleições.

Ao mesmo tempo o PSD cristalizou em torno da esfíngica figura de Passos Coelho, que na sua estratégia de “fingir de morto” procura que o tempo passe e o poder lhe volte a cair no regaço. Entretanto, o tempo tem um efeito corrosivo e a sua popularidade já conheceu melhores dias, ao ponto de Otávio Ribeiro, no seu editorial de ontem no Correio da Manhã (o jornal mais lido de Portugal, apesar da qualidade duvidosa de alinhamento, conteúdos e assuntos), foi lacónico: “Já me retiraram apêndices, e doeu. Depois da cirurgia, ficamos melhor. Antes de se manifestarem a mais, esses apêndices fizeram a sua função. Mas não os queremos de volta. Tanto doeu tirá-los. Passos Coelho devia sair pelo seu passo, muito antes das autárquicas”. E escrevia ainda mais: “Alguém precisava de ter a coragem de dizer a Passos Coelho que é muito mais do que um caruncho ruidoso em glória da geringonça”.

Ao mesmo tempo o país caminha para nova crise económica. Parece-me irreversível. E ninguém parece ser capaz de parar este destino.

O Presidente da República veio hoje afirmar, e cito o Jornal de Notícias, que “a atual conjuntura externa com impacto nas exportações portuguesas, a manter-se, pode afetar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 e obrigar «a revisões de previsões» económicas”. E acrescentou ainda que “caso seja necessária, essa revisão deverá ser feita «sem alarmismos mas com lucidez, se a conjuntura vier a manter-se»”, o que é claro como água. Já deu para se perceber que aquilo que começa a ser construído é o caminho para que, quando tiver de ser anunciado que precisamos de ajuda externa, não sermos todos apanhados de surpresa.

Também ficamos hoje a saber que o Conselho de Finanças Públicas (CFP) deixou um sério aviso à navegação, na medida em que o organismo liderado pela insuspeita Teodora Cardoso – e cito o Diário de Notícias – alertou para a existência do “risco de um «desvio significativo» na redução do défice definida no Programa de Estabilidade, o que pode comprometer a estratégia do Governo prevista no Programa Nacional de Reformas”. O CFP afirma ainda que “a trajetória apresentada pelo Governo para que o saldo orçamental passe de um défice de 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano para um excedente de 0,4% do PIB em 2020 apresenta vários riscos”.

Por fim, aquele organismo sustenta que “enquanto as medidas de política que terão um impacto direto negativo no saldo orçamental se encontram totalmente especificadas, no caso das medidas com impacto positivo no saldo (medidas de consolidação orçamental) mais de metade não se encontram suficientemente especificadas”.

Por outras palavras, ainda não é desta.

Depois das conquistas sociais após Abril, a seguir à consolidação da democracia e primeira fase de grandes obras dos anos 80 e princípio da década de 90 do século passado, depois do aumento da despesa do Estado Social sobretudo com Guterres e após Guterres, a seguir ao descalabro do governo de Sócrates e do aperto efetuado pelo anterior Governo no decurso do programa de ajustamento, veio o anúncio do fim da austeridade efetuado por Costa, Catarina e Jerónimo; parece, porém, estarmos na iminência de novo descalabro e a caminho de mais um ponto de rotura.

E isso é claramente um assunto que me preocupa muito mais do que a celebração das vitórias do Benfica, o azedume do Jorge Jesus ou a convocatória dos selecionados para o Campeonato da Europa de Futebol. É a minha, é a nossa vida que está novamente em jogo.

Pedro Marques, 47 anos, é gestor, gosta de ler, de exercício físico e de viajar

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