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Quinta-feira, Agosto 5, 2021

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“Gualdim Pais – Um grande estratega militar e não só”, por Armando Rebelo

Foi para mim muito grato ter assento na Redação do prestigiado Jornal online que é o Médio Tejo. A terminar uma carreira de mais de 50 anos, férteis em alegrias e amarguras neste complexo mundo de comunicar, invade-me alguma alegria por poder partilhar conteúdos na moderna tecnologia de informação.

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Após este breve preambulo eis que me convidam a falar da História deste Povo, e logo a mim, que sou um mero e humilde garimpeiro de fatos históricos. E aqui estou eu a iniciar as minhas singelas crónicas falando de um enorme homem que no primeiro quartel da Idade Média, foi sem dúvida, acompanhando o nosso primeiro Rei, a personalidade que conseguiu consolidar uma enorme parte das nossas atuais fronteiras.

Estou a referir-me a D. Gualdim Pais, de quem já muito se falou, mas de quem se deveria falar mais. Todavia julgo que deverá ser inserido no contexto da época e reportar-me às suas mais importantes qualidades polivalentes de Monge, Guerreiro, Cavaleiro do Templo e mais ainda de extraordinário estratega militar, tendo em si mesmo associado o dom de uma arquitetura militar na mais verdadeira aceção da palavra. D. Gualdim foi tudo isto e muito mais. Grão-mestre indómito, nasceu em Amares, localidade minhota perto de Braga, em 1118, filho do nobre Paio Ramirez e de Dona Gontrode Soares.

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Muito cedo ingressou na corte de Rainha D. Teresa onde é educado lado a lado com o nosso primeiro rei D. Afonso, sendo também sobrinho de D. Paio Mendes, há época, Arcebispo de Braga e talvez o mais importante clérigo português. Os tempos correm e Gualdim Pais com 21 anos inicia a sua incrível carreira como guerreiro, ao lado do seu Rei Afonso, que também aclama antes do confronto de Ourique, onde após a batalha é armado cavaleiro pela espada do próprio Rei, após feitos gloriosos neste combate.

Alexandre Herculano refere o seu nome, na sua História, que gerou grande polémica entre historiadores sobre a Batalha de Ourique e que fez com que este notável vulto da cultura portuguesa se retirasse para Vale de Lobos, dedicando-se à agricultura. Mas essa é outra história… Voltando a Gualdim Pais é importante referir que durante os confrontos entre D. Teresa e seu filho, incluindo, a Batalha de S. Mamede, Gualdim Pais teve um papel discreto nestas contendas, dadas as ligações próximas entre mãe e filho envolvendo a sua proximidade com ambos.

Por esta altura visitou as Terras Ibéricas Hugo de Payens com a finalidade de recrutar Cavaleiros para a Ordem do Templo criada recentemente no Concilio de Troyes, onde S. Bernardo é encarregue de criar as suas regras, tudo isto após a Primeira Cruzada em 1099, após o que vem a nascer a Milícia dos Cavaleiros Templários que na sua fundação fora apenas 9, havendo fontes que afirmam que um destes cavaleiros seria de nacionalidade portuguesa.

Estes Templários foram denominados como Pobres Cavaleiros de Cristo, tendo feito votos de pobreza e castidade. A sua primeira sede e de acordo com a História foram as caves do Templo de Salomão, na Cidade Santa, local onde teriam sido as cavalariças, que eram enormes, podendo guardar mais de mil cavalos.

Todavia foi antes de Portugal nascer que D. Teresa fez a primeira doação em 1126 aos Templários, que foram as terras de Fonte Arcada, localizadas no atual distrito de Viseu. Posteriormente a mesma soberana doou à Ordem do Templo o Castelo de Soure. Nesta época já Gualdim Pais partilha uma amizade e confiança reciprocas com D. Afonso Henriques, tudo isto após a Batalha de Ourique e o Tratado de Zamora que reconhece a Primeira Fronteira Portuguesa. Gualdim Pais segundo ordens do seu Senhor prossegue a luta contra os mouros e com cerca de 120 homens conquista Santarém utilizando uma estratégia inédita de emboscada noturna.

O que estava em causa era a manutenção de consolidar as nossas fronteiras com as linhas do Tejo. Em prosseguimento desta intenção o Guerreiro Gualdim aparece integrado entre os 15 mil portugueses, num exército de 30 mil homens, que avança para Lisboa tendo a mesma cidade se rendido após quatro meses de terrivel cerco. Reportam-se factos históricos entre historiadores da época, aludindo a façanhas de D. Gualdim Pais sobretudo no contexto dos inúmeros ataques à grande fortaleza que era Lisboa.

Relembrando que a Ordem do Templo foi fundada a 14 de Janeiro de 1129 ocasião em que que D. Afonso Henriques afirma ele próprio ser um Cavaleiro Templário. Há época o Papa Inocêncio I concede grandes novos privilégios aos Cavaleiros do Templo através das Bulas militis templi e milites dei.

Regressando à figura de D. Gualdim e entrando numa suposta segunda fase da sua vida, é um Mestre Templário Bernard de Tremelay, que num capítulo secreto sagra Gualdim Pais como Cavaleiro Templário, isto pouco antes da sua oficial partida para a Terra Santa, sendo esta questão colocada em termo de pouca veracidade por vários Historiadores. A versão mais aceite é que D. Gualdim é Templário investido em Jerusalém na Terra Santa. Mas todas estas teorias ainda hoje são contestadas com mais ou menos factos históricos.

Na Terra Santa a primeira grande batalha em que se distingue D. Gualdim Pais é no Cerco de Ascalon, onde milagrosamente Gualdim se salva com mais 40 Cavaleiros Templários que foram degolados após a entrada na cidade, tendo apenas escapado o nosso guerreiro português de forma jamais descrita, que todavia dali saiu altamente prestigiado e respeitado pelos seus feitos. Ainda na Terra Santa, Gualdim Pais prossegue a sua luta participando no Cerco de Gaza e no ataque a Sidon.

Após 5 anos de lutas diárias, cobertas de glória, reza a história que D. Afonso Henriques reclama de novo os seus serviços. Gualdim regressa a Portugal e é o Grande Herói da Conquista de Alcácer do Sal em 1158 acompanhado apenas por 60 homens que conseguiu introduziu na fortaleza, uma vez mais numa estratégia, até hoje secreta. Em Alcácer do Sal e durante os combates morre o Grão Mestre Templário da época D. Pedro Arnaldo. D. Afonso Henriques não hesita e nomeia Gualdim Pais 4º Grão Mestre dos Templários Portugueses.

Após Alcácer dá-se a doação pelo Rei das Terras de Ceras que incluía todo o Concelho de Tomar e não só. D. Gualdim sediado então na Região procura então um local, onde pudesse construir uma sólida fortificação escolhendo a Cidade de Tomar e fundando ali o seu Castelo, que igualmente seria sede da Ordem dos Templários. Esta fortaleza foi edificada sobre as ruinas da Cidade Romana de Sellium.

Assim no dia 1 de Março de 1160 começa a erguer-se o Castelo de Tomar, tendo o Grão-Mestre atribuído em 1162 a esta cidade o seu primeiro foral. Mas D. Gualdim sabe que é preciso rapidamente edificar mais fortalezas para a defesa de um território com 100 km de extensão por 40 de largura. Assim em 1171 nasce o Castelo de Almourol, em 1172 o Castelo de Monsanto, 1174 edifica-se o Castelo do Zêzere, do qual hoje apenas restam ruínas é também neste mesmo ano que é concedido foral ao Castelo de Pombal. Outros mais Castelos foram construídos na estratégia de defesa na toda a linha do Tejo. Muito mais haveria a referir quanto a este Grão Mestre, Monge e Cavaleiro.

Referimos o facto da maior importância histórica na consolidação do que hoje é Portugal, a ultima grande batalha de Gualdim Pais que foi em 1190, o Cerco à Cidade de Tomar. Este cerco, onde 900 guerreiros Almorávidas, comandados pelo Rei de Marrocos, Almançor sitiaram a Cidade do Nabão, pilhando tudo em seu redor.

Dentro da fortaleza não haveria mais de 200 homens entre Cavaleiros Templários e outros guerreiros populares e Gualdim Pais um velho guerreiro de 72 anos após uma luta desigual junto à porta de Almedina, entrada principal da fortaleza de Tomar consegue repelir a moirama pondo fim a um cerco que durou 4 dias de violentos combates completamente desiguais.

Esta porta de Almedina pelo muito sangue ali derramado é hoje conhecida pela Porta do Sangue. Cinco anos mais tarde e no dia 13 de Outubro morre Gualdim Pais, sendo sepultado na Românica Igreja de Santa Maria do Olival, local onde antes da fundação do Castelo havia sido edificada uma pequena fortaleza. Igualmente nesta Igreja foram sepultados uma grande parte dos Mestres dos Cavaleiros da Ordem do Templo. Os seus túmulos desapareceram sem deixar rastos e o do próprio Gualdim Pais está vazio. Apenas poeira ali está guardada.

Ao terminarmos esta já longa crónica de factos históricos queremos apenas realçar que D. Gualdim Pais foi realmente um génio na época medieval, com conhecimento extraordinário de estratégia e arquitetura militar bem como de uma visão daquilo que hoje se pode chamar de geopolítica, muito raro em mentalidades da sua época. Referir ainda todo o seu poder místico, telúrico e esotérico.

Conjuntamente com Dona Teresa, D. Afonso Henriques e Dom Sancho I, Dom Gualdim Pais foi um Homem duma enorme estatura de um tempo futuro, e ainda o é hoje, no presente.

Obviamente que este singelo trabalho terá lacunas, pelas quais me penitencio. Não sou Historiador, apenas e somente um admirador deste grande vulto Português.

 

Nasceu em Tomar em 1945. Jornalista reformado, colaborou com diversos órgãos de comunicação social regionais e nacionais, onde foi repórter, redator gráfico, bem como locutor e realizador de TV no Canadá.

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