“Groselha”, por Armando Fernandes

Foto: DR

Não, não vou referir as propriedades da groselha, seja da verde que os franceses chamam «da cavaca», seja das variedades branca, rosa e vermelha. Procurarei discorrer acerca das suas virtudes refrescantes muito consideradas na época estival por todos quantos preferem um copo de água misturado com groselha a um refrigerante acidulado, mesmo a uma limonada concentrada.

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É que a groselha estimula o apetite daí ser tão apreciada nos circuitos de adelgamento dos corpos no desejo de serem expostos nas praias, seja modalidade tapa-destapa,  seja na competição entre biquínis exuberantes e pequenos triângulos um à frente, outro atrás das partes pubendas ou pura e simplesmente na prática do nudismo.

Conforme a intenção, conforme a ingestão de groselhas, sólidas ou líquidas, a acompanharem toda a casta de delicadezas gastronómicas ou grosseiras sopas não de cavalo cansado, sim de aproveitamento de produtos de natureza animal e várias espécies vegetais, pensemos em cogumelos, raízes e bolbos.

No meu tempo de menino, na altura das ceifas as mulheres empenhadas no sucesso da trabalhosa azáfama preparavam refrescantes composições onde as groselhas imperavam pois o sal que as compõe dava-lhes alento. A maioria dos homens preferia beber vinho fresco, especialmente o aberto, palhete obtido através de boa curtimenta.

Nos dias de agora a indústria alimentar e das bebidas dominam o mercado das groselhas, se os leitores as pretenderem a fim de as utilizarem em recheios de bolos, pudins, gelados e doçaria diversa ou xaropes façam o favor de procurarem onde se vendem. Porque não estamos na Alemanha, França ou Escandinávia, terras de grande aplicação desse fruto.

O leitor encontrará muita informação na Internet por isso abstenho-me de tecer considerações referentes a receitas, no entanto, guardo na memória a recordação de uma sopa de groselha tomada no Maine com pedaços de lavagante (a lobster americana) de alto quilate palatal a perdurar para todo o sempre. Degustada e repetida mais que uma vez a sopa servida em rústicas e grandes malgas, acendi um cubano, bebi digestivo extraído de centeio e, num alarde de vaidade intelectual, convenci os meus acompanhantes a visitarmos um farol nas proximidades da casa da célebre escritora Marguerite Yourcenar. Belos tempos!

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