“Governo quer impedir a ‘invasão fiscal’?!” por Hália Santos

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Acordei e uma das primeiras notícias que vi na televisão foi que o Governo se prepara para ter acesso às contas bancárias de toda a gente para “impedir a invasão fiscal”…

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Estás a gozar!

Em relação ao quê? À intenção do Governo ou à ‘invasão fiscal’?

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Às duas coisas…

É mesmo verdade. Parece que o Governo quer mesmo poder ver as nossas contas. E um canal de televisão passou várias vezes, em rodapé, a informação de que “a medida tem em vista melhorar o combate à invasão fiscal pelo executivo”.

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Parece impossível!

O quê?

Isto parece outra vez uma conversa de surdos! As duas coisas é que parecem impossíveis: o Governo querer saber das nossas contas e um canal de televisão não distinguir ‘invasão’ de ‘evasão’.

Vamos por partes: o segundo problema é já demasiado frequente. A primeira coisa que me veio à cabeça foi que seriam estagiários a escrever ‘invasão’. Mas rapidamente percebi que o problema pode muito bem não ser esse. Há uma enorme falta de conhecimento geral das coisas. Pode muito bem ser alguém já com experiência, profissional e de vida. Cada vez vejo mais gente, já nos ‘entas’ e por aí fora, a dizer coisas inacreditáveis.

Mas não bastaria pensar um pouco? ‘Invasão fiscal’? O Governo quer ver as contas bancárias para impedir que as pessoas invadam o fisco?! Quem escreve isto sem pensar?

Não sei se é por ser época de férias, mas também me incomodou aquilo passar mais do que uma vez, vários minutos depois, e ninguém corrigir. Talvez os editores estejam de férias. Às vezes ainda me dou ao trabalho de ligar para as redações para corrigirem estas coisas, que dão uma péssima imagem. Mas hoje não me apeteceu. Estou de férias…

E achas bem que as tuas contas bancárias possam vir a ser espiolhadas?

Cá por mim, não tenho grandes problemas com isso. Se isso servir para se apanhar quem anda a fugir aos impostos, aqueles que fazem coisas numa escala brutal… Se assim for, parece-me bem. Não te esqueças que por causa dessa fuga aos impostos (a tal evasão fiscal) é que aumenta a carga fiscal dos contribuintes certinhos… Por isso não me importo. É como as câmaras de vigilância nos locais públicos. Se perco privacidade? Perco! Mas também me sinto mais protegida se alguma coisa mais complicada acontecer por onde ando. É tudo uma questão de pesar os prós e os contras.

Tens razão. Mas, como em tudo na vida, o maior problema são todas as coisas que acontecem ao lado. Para teres umas coisas perdes outras. Neste caso, o que mais me incomoda é que muito funcionariozinho pode vir a ter acesso a informações que nunca deveriam passar-lhe à frente dos olhos.

Temos que acreditar que as imagens das câmaras de segurança só são vistas quando é preciso. Temos que acreditar que quem tem acesso a informações sobre a nossa vida só o faz quando está legitimado para o fazer.

É difícil, mas lá terá que ser!

Isso faz-me lembrar quando perdi uma mala numa estação de serviço de uma autoestrada. Consegui o número da senhora que a encontrou e a entregou à GNR. Eu queria ir agradecer-lhe pessoalmente e ela, ao telefone, só me dizia: “Deixe-se lá disso! Eu só quero é que me diga que o dinheiro todo que a senhora tinha na carteira lhe foi entregue e que os GNR não ficaram com ele”. Foi, sim senhora!

Acreditemos, então, que vai correr tudo bem…

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