Governo quer aumentar em 60% investimento em investigação no setor agroalimentar

Governo quer aumentar em 60% investimento em investigação no setor agroalimentar. Foto: MA

O Governo quer aumentar em 60% o investimento em investigação e desenvolvimento no agroalimentar e ter 80% dos novos agricultores em territórios de baixa densidade e mais de metade da área agrícola em regime de produção sustentável.

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Estas são algumas das metas da Agenda para a Inovação na Agricultura, aprovada na quinta-feira, dia 11 de setembro, em Conselho de Ministros e apresentada na Agroglobal, em Valada, no Cartaxo, pela ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, numa sessão que contou com a presença do primeiro-ministro.

Maria do Céu Antunes afirmou que a agenda, que começou a ser preparada em outubro e passou pela auscultação de “mais de mil cidadãos” de todo o país, contém “cinco intenções estratégicas com cinco metas”, tendo sido criados quatro pilares, identificando os seus destinatários, e traçadas “15 iniciativas emblemáticas e 71 linhas de ação”, que vão materializar as metas e os objetivos.

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Sublinhando que está a ser desenvolvida uma plataforma que permitirá “prestar contas” da execução destas medidas aos cidadãos, Maria do Céu Antunes apontou ainda como meta desta estratégia o aumento da adesão à dieta mediterrânica em 20%, sublinhando estar “comprovado o quão importante é para o bem-estar e a saúde” das pessoas.

As outras metas passam por levar a que 80% dos jovens que se venham a instalar em territórios agrícolas fiquem em territórios do interior, nomeadamente de baixa densidade, que haja um aumento em 15% do valor da produção agroalimentar, que mais de metade da área agrícola possa estar em regime de produção sustentável e aumentar em 60% o investimento em investigação e desenvolvimento nesta área, disse.

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Entre as “15 iniciativas emblemáticas”, algumas das quais afirmou estarem já a ser desenvolvidas, apontou as que visam a promoção de uma alimentação sustentável, com mecanismos que ajudem os consumidores a fazerem as suas escolhas e a reduzirem o desperdício, a mitigação e adaptação às alterações climáticas, com redução das emissões de gases com efeito de estufa e medidas como a pastorícia extensiva e a agricultura urbana.

A promoção da agricultura circular, dos territórios sustentáveis, com o aumento das áreas em regime de produção integrada ou biológica, revitalização das zonas rurais, introdução das tecnologias para criação de valor, melhorar a organização da produção, promover a descarbonização do setor, reduzindo custos e aumentando os rendimentos dos produtores, ou a criação de um Portal Único da Agricultura, que agilize e simplifique a relação dos agricultores com a administração, são outras iniciativas.

Segundo a ministra, este portal, cuja primeira fase deverá estar concluída até ao final do ano, irá, posteriormente, ligar-se a outras áreas governativas, para facilitar a obtenção de pareceres.

Céu Antunes afirmou que o plano inclui uma rede de inovação estruturada por 24 polos, “unidades que criam valor para a produção nacional”, numa “rede de incubação de base rural”, em todo o território, ligada a “outros centros de saber”.

O Governo quer aumentar em 60% o investimento em investigação e desenvolvimento no agroalimentar e ter 80% dos novos agricultores em territórios de baixa densidade. Foto: MA

Para esta “rede de inovação”, o Ministério vai aproveitar o conjunto de infraestruturas e redes de laboratórios dispersos pelo país “e que estão obsoletos, não organizados de forma coerente”, para “criar uma rede coerente, moderna, capacitada e orientada para as necessidades, numa estrutura de proximidade para poder corresponder à dinâmica local e regional, mas com abrangência nacional”.

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Destes 24 polos, a ministra deu os exemplos dos que irão funcionar em Mirandela – revitalização das zonas rurais -, Santarém – mitigação e agricultura circular -, Elvas – adaptação às alterações climáticas – e Tavira – alimentação sustentável, dieta mediterrânica.

Segundo Céu Antunes, esta rede vai ligar-se a outras iniciativas, nomeadamente aos laboratórios colaborativos, universidades, politécnicos e outros centros do conhecimento, públicos e privados.

Por outro lado, vai proceder-se a uma “reorganização orgânica dos serviços” do Ministério da Agricultura, para melhorar a eficiência e a resposta aos agricultores, adiantou.

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou que a Agenda para a Inovação na Agricultura foi a “primeira prioridade” no âmbito da visão estratégica proposta por António Costa Silva para a próxima década e que tem como um dos eixos principais a coesão, a agricultura e a floresta.

Costa coloca agricultura “no centro das preocupações” 

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O primeiro-ministro considerou em Valada (Cartaxo), que a agricultura tem de ser colocada “no centro das preocupações” e defendeu o papel da inovação no setor, sublinhando que o digital é “tão importante como a enxada”.

António Costa falava numa sessão realizada no dia 11 no âmbito da Agroglobal, destinada a apresentar a visão estratégica para a agricultura, alimentação e território, aprovada em Conselho de Ministros.

O chefe do executivo afirmou que a visão estratégica proposta por Costa Silva para a próxima década tem como um dos eixos principais a coesão, a agricultura e a floresta, pelo que, na tradução dessa visão em instrumentos de política, foi aprovada na quinta-feira a agenda para a inovação na agricultura, apresentada pela ministra Maria do Céu Antunes.

No âmbito da visão estratégica para o país na próxima década, “a primeira prioridade foi aprovar uma agenda para a inovação na agricultura”, salientou.

Frisando que “a inovação vai ter um papel fundamental para continuar a assegurar que a alimentação contribui cada vez mais para uma melhor saúde, para assegurar uma maior coesão territorial e maior sustentabilidade ambiental”, Costa sublinhou que o digital “não é o oposto do trabalho agrícola”.

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“Cada vez mais as tecnologias da informação são uma ferramenta de trabalho tão importante como a enxada para o trabalho agrícola”, declarou.

Costa coloca agricultura “no centro das preocupações” e inovação no setor como prioridade. Foto: MA

Salientando o papel da agricultura, sobretudo no período de confinamento devido à pandemia da covid-19, Costa quis deixar um agradecimento aos agricultores “pela sua capacidade de se terem mantido em atividade e assegurado que nada faltasse na alimentação dos portugueses”.

Costa afirmou ter feito questão de apresentar a agenda para a inovação na agricultura na Agroglobal, certame que tem dado “um grande contributo para a inovação no mundo agrícola”.

Para o primeiro-ministro, foi graças à inovação que Portugal reduziu, na última década, em cerca de 400 milhões de euros por ano o seu défice alimentar e que viu crescer as exportações no setor agroalimentar, em média, 5% ao ano.

Em 2019, referiu, as exportações do setor representavam 11% da totalidade da exportação de bens no país, sendo os produtos agroalimentares portugueses colocados em 185 mercados, mais de 50 abertos nos últimos cinco anos.

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Costa apontou a estratégia da União Europeia para a recuperação pós pandemia, assente no reforço da resiliência e do acelerar da dupla transição digital e climática, salientando que, nos últimos meses, ficou claro que não é possível ficar dependente de cadeias de valor globalizadas, em que a interrupção num elo leve à rutura de abastecimento de bens essenciais.

“Por isso, a Europa vai ter de saber produzir mais e melhor”, declarou.

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