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“Gota a gota e Bazooka”, por Massimo Esposito

Gota a gota e Bazooka. Estas são as palavras muito usadas hoje para ajudar, incentivar, explicar, e sobretudo “encantar” os empresários, comerciantes e também os artistas que penaram, e continuam a penar, nesta época inusitada de pandemia.

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Digo “encantar” porque realmente não há um projeto, uma estrutura, um código ou algoritmo, ou melhor ainda, uma proposta séria em como ajudar as pessoas que apostaram nos seus próprios investimentos, nas próprias capacidades e vivem do que sabem fazer e nas próprias propostas aos concidadãos e clientes.

Muitas palavras, comentadores clarividentes, ações sociais e artigos nos medias confundem e misturam ideias, projetos de lei e realidades aos que com tanta coragem e investimentos próprios em dinheiro e ideias, decidiram de apresentar-se na sociedade com ideias inovativas e diferentes.

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Estas pessoas já tinham clientes, seguidores, um próprio caminho e muitos os apoiavam, mas quantos deles tiveram de desistir, deixar, fechar o negócio com dois meses/ano fechados e os outros meses a trabalhar a meio gás? Mas agora ouvimos dizer que não há  problema, vai chegar a Bazooka, um rio de dinheiro para levantar cabeças e negócios…mas gota a gota.

Gostava então de fazer uma pequena ilustração a este caros “profetas” da Bazooka. O senhor Bazooka, ao deslocar-se ao trabalho tem um acidente e começa a perder forças, o sangue começa a esvair-se, o osso partido dói imenso mas tem a possibilidade de fazer uma chamada ao 112 para os chamar….e eles dizem: “não se preocupe, enviamos uma ambulância, um medico e dois enfermeiros, um helicóptero de apoio e libertamos já a sala de operações com a melhor equipa de cirurgia”.

Como você ficava? Maravilha! Estou a ser salvo, pensa! Mas no final dizem, “Entretanto vamos ver se o senhor já pagou a 100% o IRS, o IMI, o seguro de vida e do carro, a luz, a agua, o gás, a inspeção do carro e o pagamento das propinas dos seu filhos e então sim iremos aí…  gota a gota, só no verão, tem de entender ..não é?”

E o cadáver fica estendido no chão com o telemóvel na mão.

Isto é o que está a acontecer hoje aos empresários, comerciantes e artistas, muitas promessas, ajudas faraónicas a chegar, mas entretanto pagam todos os impostos e obrigações e o sangue acaba e a morte chega de mansinho, gota a gota.

Não acham?

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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