Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -
Domingo, Novembro 28, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Golegã | Primeiro-ministro vai plantar na Azinhaga oliveira em homenagem a Saramago

É uma oliveira especial aquela que António Costa vai plantar na terça-feira, 16 de novembro, às 12h30, na Azinhaga, a aldeia onde nasceu José Saramago. Nesse dia o escritor faria 99 anos e o primeiro-ministro vai colocar na terra aquela que será a 99ª das “100 oliveiras para Saramago”, prestando homenagem às suas raízes.

- Publicidade -

O Nobel da Literatura tinha uma ligação especial a estas árvores, que o faziam recordar a sua aldeia natal. Por isso foi transplantada uma oliveira centenária da Azinhaga para o largo em frente à Casa dos Bicos, que serve de sede à Fundação Saramago, em Lisboa. Um ano após a sua morte, foi aos pés dessa oliveira que foram depositadas as cinzas do escritor.

É na terra onde esta oliveira da Azinhaga fixou raízes, depois de transplantada para Lisboa, que foram depositadas as cinzas do escritor. Créditos: Fundação José Saramago

- Publicidade -

Como por diversas vezes Saramago expressou alguma tristeza por já não existirem na sua aldeia tantos olivais como os que ele tinha conhecido em criança, a curadora da delegação da Fundação José Saramago na Azinhaga, Ana Matos, pensou que “seria bonito celebrar o centenário plantando 100 oliveiras em sua homenagem”.

A ideia foi apresentada à Câmara da Golegã e à Junta de Freguesia da Azinhaga em 2019, e o projeto foi apadrinhado por um agricultor da região, Manuel Coimbra, que “prontamente ofereceu 100 oliveiras com algum porte”, explica Ana Matos. Nos últimos dois anos foram plantadas 98 oliveiras, sobretudo numa das ruas principais, a rua Vítor Guia, e outras espalhadas pela aldeia, com a 99.ª a ser plantada na terça-feira por António Costa, assinalando o início das celebrações do Centenário do nascimento do escritor.

Cada uma das oliveiras vai receber o nome de uma personagem saramaguiana, depois de ser acertada com o município da Golegã a forma como essa designação será representada, sendo a proposta a da inscrição no pavimento, explica Ana Matos. A centésima oliveira será plantada a 16 de novembro de 2022, e receberá o nome da sua avó materna, Josefa.

Em 2018, quando se celebraram os 20 anos sobre a atribuição do Prémio Nobel da Literatura, António Costa também esteve na Azinhaga e lembrou que, “num dos momentos mais solenes da vida dele [Saramago], quando discursou perante a Academia, começou logo por recordar que a pessoa com quem mais aprendeu tinha sido o seu avô Jerónimo”.

Disse ainda que Saramago “construiu a sua visão do mundo seguramente pela experiência que teve [na aldeia], através dos seus avós, dos trabalhadores rurais, da realidade social da Azinhaga, que foi determinante na sua formação ideológica, na sua formação como cidadão e na sua afirmação como homem do mundo”.

José Saramago no dia da inauguração da sua estátua, na praça da sua aldeia natal. Créditos: JF Azinhaga

A partir de terça-feira iniciam-se as celebrações do centenário de Saramago, que vão estender-se ao longo de todo o ano com um vasto programa de atividades, em vários pontos do país e do mundo. 

No Agrupamento de Escolas da Golegã, Azinhaga e Pombalinho, bem como um pouco por todo o país, alunos do ensino básico vão ler, em simultâneo, a partir das 10h00, o conto “A Maior Flor do Mundo”, numa iniciativa que junta a Fundação José Saramago, a Rede de Bibliotecas Escolares e o Plano Nacional de Leitura.

“A Maior Flor do Mundo” faz parte do currículo escolar do 4.º ano do Ensino Básico, em Portugal, e do Ensino Fundamental do Brasil.

Também as sete bibliotecas da Rede de Bibliotecas José Saramago, em Almada, Avis, Beja, Leiria, Loures, Montemor-o-Novo e Odemira, promovem diversas atividades na terça-feira, com leituras encenadas, maratonas de leitura, leituras pelas redes sociais, entre outras.

A sessão oficial de abertura das comemorações do Centenário de José Saramago está marcada para as 20h00, no Teatro São Luiz, em Lisboa, com a escritora Irene Vallejo (autora do magnífico livro “O infinito num junco”, sobre a história da literatura) a ler um “Manifesto pela Leitura”, seguindo-se um concerto pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, dirigida pelo maestro Pedro Neves, com leitura de textos de José Saramago pela atriz Suzana Borges.

Ana Matos salienta que, além das atividades que estão a ser preparadas pela Fundação José Saramago, com “muito do cunho do pensamento” do comissário para as comemorações do Centenário, Carlos Reis, há um conjunto de iniciativas que estão a surgir “de uma forma muito espontânea, muito autónoma”, da sociedade civil, das escolas, de associações, que vão de leituras, a apresentações de peças de teatro, a exposições de artes visuais.

Afirmando ser com “alegria” e “comoção” que a Fundação recebe essas iniciativas, Ana Matos considerou-as “um sinal da força maior que o José Saramago ainda hoje continua a representar, não só pela sua literatura, mas também pelo seu pensamento”.

*C/Lusa

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome