Segunda-feira, Dezembro 6, 2021

Golegã | O PIPA nasce este sábado na Azinhaga para honrar os mestres da terra e criar novos públicos e artistas

O nome foi escolhido logo no início da gestação: PIPA, Programa da Imagem e da Palavra da Azinhaga. Era certo que tinha de ter Azinhaga, o nome da aldeia onde nasceu José Saramago e onde esta nova entidade escolheu fixar raízes. Essa é também a razão da “Palavra”, pois a promoção da literatura é uma das suas missões de vida. “Imagem”, pois claro, em referência à fotografia de Carlos Relvas, mas também à pintura de Martins Correia, ambos nascidos na Golegã. E “Programa” surgiu por oposição à noção de “Festival”, tão em voga nos últimos anos, porque a ideia é criar uma programação cultural em contínuo, e não apenas num curto espaço de tempo, uma vez por ano. 

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PIPA, pois então, é o projeto incubado na associação “Isto não é um Cachimbo” para promover na lezíria ribatejana iniciativas culturais que cruzam a literatura e a arte contemporânea, e que nascerá oficialmente este sábado, às 15h30, na antiga escola primária da aldeia da Azinhaga.

A iniciativa desta associação sem fins lucrativos tem como mentores Ana Matos, Cláudio Garrudo e Catarina da Ponte, todos com larga experiência na organização e gestão de projetos e eventos culturais a nível nacional e que, por diversas razões, se aproximaram da Azinhaga e criaram com a aldeia (e com a região) uma relação de afeto e proximidade. 

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Ana Matos, 49 anos, além de fundadora e diretora artística (há 18 anos) da Galeria das Salgadeiras, em Lisboa, é curadora e responsável pelo polo da Fundação José Saramago na Azinhaga, aldeia onde o Prémio Nobel da Literatura (e seu avô) nasceu. O fotógrafo e produtor cultural Cláudio Garrudo, 45 anos, responsável pelo Museu e pelas edições de Arte da Imprensa Nacional Casa da Moeda, organizou com Ana Matos durante 10 anos o Bairro das Artes, no Bairro Alto. Tem raízes familiares em Alcanena e recorda bem como eram os verões da sua infância, com uma oferta cultural que se resumia à passagem da biblioteca ambulante da Gulbenkian. Recupera neste momento uma casa na Azinhaga e foi percebendo que as crianças e adolescentes da idade da sua filha não tinham acesso a experiências culturais com facilidade, apesar de estarem a pouco mais de uma hora de carro de Lisboa. 

“O PIPA surge dessa vontade de trabalharmos neste território, de contribuirmos com o nosso conhecimento e com a nossa experiência para criar uma oferta cultural que possa fazer a diferença”, explica Cláudio Garrudo. 

O objetivo, acrescenta Ana Matos, é colocar “em diálogo a Literatura e as práticas da Arte Contemporânea” e tornar a Azinhaga num “lugar de partilha e interação entre artistas, escritores, poetas, músicos e outros criadores e agentes culturais, criando relações com a comunidade e cultura locais”.

José Saramago, Carlos Relvas e Martins Correia são uma inspiração sempre presente, e o PIPA pretende criar parcerias com as instituições que preservam os seus legados na Golegã. Legados a que prometem recorrer em permanência, “para (re) encontrar a irreverência, a mestria, o sentido crítico e a interrogação constante”.

A associação criou parcerias com a Câmara Municipal da Golegã e a Junta de Freguesia da Azinhaga, que cederam a antiga escola primária onde funcionará a sede do PIPA e se realizarão grande parte das atividades.

O apoio financeiro para as iniciativas iniciais foi conseguido através do programa governamental Garantir Cultura.

A antiga escola primária da Azinhaga é a nova sede do PIPA. Créditos: Diogo Narciso

Até ao final do ano, a programação do PIPA (sempre de entrada livre) inclui exposições e palestras, apresentações de livros, projeções de filmes, conversas com artistas e ateliers de arte, pretendendo contribuir “para a produção de conhecimento, capacidade crítica e sentido estético” de novos públicos e, quem sabe, de novos artistas.

A primeira iniciativa está marcada para domingo, dia 17 de outubro, e destina-se ao público infantil: “Ser Magritte por um Dia” tem a orientação de Catarina da Ponte, historiadora de arte e que é curadora da associação “Isto não é um Cachimbo”, e que reside na região.

A 22 de outubro será apresentado o filme “Mulheres do meu país”, de Raquel Freire, que parte da obra publicada em 1948 pela jornalista Maria Lamas, natural do concelho vizinho de Torres Novas. A seguir ao filme segue-se uma conversa com a realizadora.

“O Museu do Pensamento”, oficina com a escritora e dramaturga Joana Bértholo, está marcada para 27 de novembro, bem como a palestra “Processos de escrita”, com o escritor João Tordo.

A 18 de dezembro realiza-se o “Concerto por uma árvore”, pelo compositor, multi-instrumentista e artista sonoro Fernando Mota, aproveitando a proximidade da Reserva Natural da Biosfera do Paul do Boquilobo. A 20 e 23 de dezembro há mais duas atividades para o público infantil, “Ser Van Gogh por um dia” e “Ser Matisse por um dia”.

O programa até ao final do ano inclui ainda a palestra “Arte e Educação”, proferida pelo comissário do Plano Nacional das Artes, Paulo Pires do Vale, e a inauguração da exposição “Sol”, do artista visual Rui Horta Pereira.

Estão previstas, também, Residências Artísticas e Literárias, “que têm como ponto de partida o território da Azinhaga e a região da Golegã, as suas especificidades e idiossincrasias”. A primeira residência artística será a do fotógrafo Augusto Brázio.

Programação completa e mais informação sobre o PIPA em www.azinhaga.com

*C/Lusa

Sou diretora do jornal mediotejo.net e da revista Ponto, e diretora editorial da Médio Tejo Edições / Origami Livros. Sou jornalista profissional desde 1995 e tenho a felicidade de ter corrido mundo a fazer o que mais gosto, testemunhando momentos cruciais da história mundial. Fui grande-repórter da revista Visão e algumas da reportagens que escrevi foram premiadas a nível nacional e internacional. Mas a maior recompensa desta profissão será sempre a promessa contida em cada texto: a possibilidade de questionar, inquietar, surpreender, emocionar e, quem sabe, fazer a diferença. Cresci no Tramagal, terra onde aprendi as primeiras letras e os valores da fraternidade e da liberdade. Mantenho-me apaixonada pelo processo de descoberta, investigação e escrita de uma boa história. Gosto de plantar árvores e flores, sou mãe a dobrar e escrevi quatro livros.

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5 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns pela iniciativa. Trazer a cultura a todos os locais
    Muito importante a divulgação junto de todos
    Isabel Barroso da Silva
    Professora Coordenadora do IPSantarem

  2. Parabéns. Por esta tão nobre iniciativa.
    Sou de Cem-Soldos / Tomar.
    Temos aqui uma associação que além de ser multicultural está permanentemente inserida e ao serviço da aldeia.Foi aqui que nasceu um festival de música Bons Sons todos os anos em Agosto a Aldeia recebe milhares de visitantes que se fundem com a Aldeia e artistas ou grupos de música portuguesa se espalha por vários palcos. Têm sido assim há mais de dez anos ( excepto na pandemia).

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