Golegã | Livro “notável” sobre a Quinta da Cardiga começou a ser escrito há 33 anos (C/FOTOS)

Livro “notável” sobre a Quinta da Cardiga começou a ser escrito há 33 anos e foi apresentado no sábado. Foto: Arlindo Homem

O resultado de um trabalho de investigação sobre a Quinta da Cardiga, que começou em 1986, culminou no dia 16 de novembro com o lançamento do livro “Cardiga ou História de uma Quinta (1169 – 2019)”.

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O autor, Luís Miguel Preto Batista, apresenta ao longo de 436 páginas “um trabalho notável, que vai perdurar no tempo, durante muito tempo, que vai ser citado muitas vezes porque é um trabalho pioneiro, com uma abrangência enorme”, conforme referiu o apresentador da obra, Carlos Ferreira, numa sessão que esgotou a capacidade da Adega dos Frades do Palácio da Quinta da Cardiga.

Sendo uma edição conjunta dos Municípios de Entroncamento, Golegã e Vila Nova da Barquinha, uma vez que a quinta se localiza na zona de fronteira dos três concelhos, a sessão contou com a presença dos respetivos Presidentes das Câmaras, bem como dos proprietários Ruy d’Andrade (da família Sommer d’Andrade) e António Maria Mello (da família Sommer de Mello).

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O melhor retrato da quinta e da sua sociedade agrícola no último século foi feito por António Maria Mello: “a quinta saiu do bloco operatório, passou para os cuidados intensivos e agora já está na enfermaria geral”, definição que mereceu um forte aplauso da plateia.

O referido proprietário lembrou que “o auge da Quinta da Cardiga foi na primeira metade do séc. XX e nos anos 60, depois houve um declínio nos anos 70 que trouxe grande dificuldades à Sociedade Agrícola da Quinta que, com muita dificuldade, conseguiu sobreviver”. Fez questão de referir alguns nomes que ajudaram a salvar a quinta entre familiares e trabalhadores.

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Coube ao Presidente da Câmara do Entroncamento abrir a série de discursos. Foto: mediotejo.net

Sem querer adiantar pormenores, garantiu que “há um objetivo para a Quinta da Cardiga”, “um património ainda vivo e mais ou menos intacto”. Enalteceu “a ajuda preciosa da Câmara da Golegã” que “tem sido essencial nesta recuperação”. “Havemos de chegar a bom porto”, concluiu.

O presidente da Câmara da Golegã adiantou que, apesar de a quinta se situar num território à beira do rio Tejo e rodeado de reserva agrícola e reserva ecológica, o Plano Diretor Municipal (PDM) foi “generoso”. “O PDM equacionou aqui um conjunto residencial que pode ajudar os proprietários a promoverem a Quinta, que isso funcione como um balão de oxigénio para reabilitar este espaço”, desejou José Veiga Maltez.

Os três autarcas realçaram a importância da Quinta para os seus territórios: “uma riqueza da Golegã” (Veiga Maltez), “um ícone do Médio Tejo” (Fernando Freire) e “um património com um valor histórico muito grande” (Jorge Faria), além de se congratularem pela edição do livro e elogiarem o trabalho investigativo do autor.

Se há fronteiras geográficas entre os três concelhos, os terrenos e a história da Quinta da Cardiga unem um território que já foi Templário e da Ordem de Cristo. É que a história da Quinta remonta há 850 anos, aos primórdios da nacionalidade, como referiu o apresentador da obra, considerando-a “essencial para o conhecimento da história medieval”.

Carlos Ferreira explicou que o livro se pode dividir em duas partes: a primeira, até ao capítulo V baseia-se na tese de Luís Miguel Batista, “revista e aumentada”, enquanto na segunda parte “o autor liberta-se do trabalho académico, entra a sua faceta humana e expande-se num diálogo com o leitor”.

Luís Miguel Batista, que “respira Cardiga” como disse o apresentador, dedicou 33 anos da sua vida a esta investigação na qual narra a história da Quinta desde a Idade Média até à atualidade.

Aquela que já foi uma das maiores e mais importantes quintas do país, chegou a ter um corpo de bombeiros próprio, uma caixa social para as suas centenas de empregados, está atualmente na posse da família Sommer.

“Está perante vós a obra que um dia sonhei realizar”, disse o autor antes de fazer uma longa lista de agradecimentos a pessoas que cederam fotografias, documentos e depoimentos.

O livro, que foi lançado com o preço de 18 euros, pode ser comprado nos serviços culturais ou de turismo das Câmaras de Entroncamento, Golegã e Vila Nova da Barquinha.

Fotogaleria de: Arlindo Homem

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