Golegã | Entre cavalos e castanhas vive-se a alma ribatejana (c/vídeo)

“O que se passa na Golegã, durante a sua Feira, é um desfile do que fomos e do que somos”. As palavras são do presidente da Câmara, José Veiga Maltez, que também preside à Associação Feira Nacional do Cavalo. Até dia 11, a vila denominada “Capital do Cavalo” é uma espécie de Meca para os amantes do mundo equestre, que todos os anos anseiam por esta data.

Só para se ter uma ideia, na feira do ano passado o secretariado registou 2.053 cavalos individuais e 293 carros de cavalos (coches, charretes, milordes, entre outros). Estima-se que o número de visitantes ronde o meio milhão ao longo dos 10 dias.

Na edição deste ano ainda não há números definitivos até porque todos os dias se inscrevem cavaleiros, havendo normalmente uma maior participação do segundo fim de semana, mais próximo do dia de S. Martinho.

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Feira Nacional do Cavalo e Feira de S. Martinho na Golegã, de 1 a 11 de novembro

Publicado por mediotejo.net em Domingo, 3 de novembro de 2019

Quem visite a feira tem oportunidade de viver um ambiente castiço, ribatejano, em que o fumo das castanhas se funde com a neblina noturna, numa simbiose explorada pelos fotógrafos. No ar sente-se o cheiro das castanhas assadas e também o cheiro a cavalo. E já que se fala de sentidos, registe-se o relinchar dos cavalos e as buzinas e sinos que sinalizam a passagem dos equídeos.

“Uma feira única e singular” numa vila que é “um dos melhores destinos turísticos do outono em Portugal”, como diz Veiga Maltez. O evento ganha uma crescente projeção internacional como se pode constatar pela presença de muitos turistas estrangeiros, que vêm sobretudo atraídos pelo cavalo Lusitano.

Este ano, participam 33 coudelarias e cerca de 150 expositores, números que traduzem a importância económica que tem a feira. Porque se para os criadores a Golegã é o mais importante entreposto comercial, para os feirantes é uma excelente oportunidade de negócio, tal como para os operadores locais que vêm nestes 10 dias um balão de oxigénio.

“Cada feira é sempre uma edição corrigida e melhorada das edições anteriores”, refere o presidente da Câmara sobre um evento que deve ser vivido “com tranquilidade e segurança”.

Guardas espanhóis e franceses colaboram com a GNR nas operações de segurança na Feira. Foto: mediotejo.net

No Largo do Arneiro não passa despercebida a presença de militares da GNR acompanhados por elementos da Gerdarmerie francesa e Guardia Civil espanhola. Trata-se de um intercâmbio entre guardas dos três países que normalmente acontece em grandes eventos como seja o 13 de maio em Fátima ou a feira da Golegã.

A pensar na segurança e tranquilidade dos moradores mas também no bem-estar animal, a organização da feira mantém a proibição, iniciada no ano passado, de circulação de cavalos e carros de cavalos entre as 2 e as 7 da manhã, no largo da feira e zonas de acesso. E este ano, a GNR já teve de intervir obrigando alguns cavaleiros que estavam em bares, a recolher os seus animais.

Para além dos cavalos

Nem só de cavalos vive a Feira da Golegã. Em paralelo com o evento do Largo do Arneiro, podem ser visitadas quatro exposições em diferentes espaços da vila: Pintura “A Saudade da Emoção Lusitana”, da autoria de Sabine Marciniak, Pintura e Escultura de Beatrice Bulteau, Aguarelas e Cerâmica, de Ana Dias e Francisco Dias e Fotografia “Feira da Golegã”, de Marco Fernandes, esta na Casa Relvas.

Golegã é também a vila onde existe o único edifício construído há mais de 100 anos de propósito para ser estúdio fotográfico. Visitar a Casa-Estúdio Carlos Relvas representa uma viagem no tempo, à descoberta dos primórdios da fotografia.

Outras sugestões de visita na vila passam pelo Museu Municipal dedicada à obra do Mestre Martins Correia,  o Museu Municipal da Máquina de Escrever e o Museu Rural.

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José Gaio
Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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