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“Giancarlo Vitali, o Último Pintor”, por Massimo Esposito

“O Último Pintor”, assim se referia a crítica artística a Giancarlo Vitali, pintor italiano que morreu poucos dias atrás com 88 anos.

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Nasceu em 1929 no norte da Itália, perto do lago de Como. Começou a pintar placards em madeira para publicitar lojas e hotéis, passou para a pintura a óleo fascinado por Goya, Velásquez e Rembrant ou De Pisis, De Chirico e Sironi.

Homem simples e com fortes raízes na natureza e no trabalho de campo, na sua aldeia e nos pescadores do lago, sempre pintou o que estava perto dele: retratos, flores, cabeças de animais (vivos ou já no talho), peixes, com pinceladas fortes e rápidas, texturas espessas e vivas. Quando trabalhava era atento e simplificava o objeto a ser retratado (na maioria dos casos ao vivo). Usava maioritariamente pincéis achatados e um leque de cores limitado mas essencial.

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Mas como dizia antes, visto haver tantos pintores na Itália, porque “O Último”?

Giancarlo Vitali nunca foi considerado de uma forma positiva pelos “críticos de arte”, achavam que era um daqueles pintores de “maneira” e não um conceitual e, por isto, até 1983 nunca fez uma exposição. Nesse ano Giovanni Testori, um famoso escritor de história de arte, conheceu-o e realizou a sua primeira exposição pública dos seus trabalhos, aos 54 anos de idade, com um grande sucesso.

Giancarlo Vitali foi um artista ligado aos antigos pintores que retratavam a vida simples e real do dia-a-dia, permaneceu leal às técnicas antigas, retratava as pessoas à volta dele recriando um arquivo histórico vivo e reconhecível, afastando-se dos conceitos ou baboseiras psicológicas ou filosóficas que normalmente apresentam artistas… sem valor artístico nas maravilhosas galerias de arte moderna, onde as pessoas entram, não entendem e saem sem ter recebido um mínimo feed-back para poder acrescentar conhecimento e emoção.

O Último Pintor que trabalhava com o coração e que através dos seus olhos e das suas mãos mostrou como, ainda no século XXI, se pode, e se deve, ser leal à grande pintura que ao longo dos séculos nos encantou, emocionou e também perturbou os nossos sentidos.

Uma lição a seguir certamente.

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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