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Segunda-feira, Setembro 20, 2021

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“Geringonça matou o investimento. O que fazer?”, por Duarte Marques

Já todos percebemos que umas das mais graves consequências do governo atual é o descalabro no investimento. Se PS, PCP e BE acusavam o anterior governo de ter um crescimento anémico (1,5%) e terem prometido 2,8% para este ano, o que dizer quando o investimento está afinal abaixo de 0,8% e a dívida pública a aumentar todos os dias? É um desastre. O governo actual reverteu várias reformas do governo anterior e isso matou a confiança dos investidores.

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Neste artigo vou recorrer a uma das mais claras intervenções que ouvi nos últimos tempos sobre o investimento em Portugal. Jorge Marrão é um dos sócios da consultora Deloite e esteve presente nas jornadas parlamentares que o PSD realizou esta semana em Coimbra. Daniel Bessa (ex Ministro da Economia de um governo PS) participou no mesmo debate e destruiu o modelo económico de António Costa ao dizer que “é uma patetice” tentar que Portugal cresça pela procura interna.

Segundo Jorge Marrão, também líder da associação “Missão Crescimento”, ao longo dos últimos quatro anos o país viveu uma crise de descontinuidade (económica, social e que se ia tornar política). A coligação governamental estava a acelerar a descontinuidade que segundo Jorge Marrão significa: acabar com o modelo que tinha gerado divida externa astronómica, défices descontrolados e fraco investimento.

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Na verdade, até então Portugal “não tinha falta de dinheiro. O país podia investir continuadamente”. Como nos revelou, foi convidado um Prof. de Harvard que conhecia mal a economia portuguesa, a quem a missão Crescimento enviou alguns dados sobre a realidade portuguesa. De seguida o tal professor perguntou: “porque é que Portugal investe em média o que outros investem e não cresce? Porque investe mal.”

O investimento em Portugal tem ido, na maioria dos casos, atrás de políticas públicas e fundos estruturais disponíveis.  Com a chegada da troika, Portugal passou “a queimar terreno para voltar a semear. Não era possível haver de novo crescimento se não houvesse austeridade. Isso obviamente mexe com todo o edifício da sociedade, abala.

Ficou claro que “houve coisas que se dizia que nunca poderiam ser feitas, mas que eram necessárias. E foram feitas.” Falava designadamente da redução dos vencimentos da função pública, reestruturação acionista da EDP ou pressão sobre o sistema financeiro.

Para Jorge Marrão, esta descontinuidade foi “introduzida no memorando e provocou uma alteração do modelo de poupança. Não é possível evoluir assim sem conflitualidade” e leva a outra conclusão: não podemos retornar ao passado.”

Na sua opinião, a sociedade tem uma “arquitetura distributivista que não suporta o crescimento. Todo o debate que se faz é sempre à volta do Estado, na redistribuição, e esquece-se o modelo do crescimento. Pensa-se sempre na elevação do nível da qualidade de vida sem restrição. E a restrição é a base para um modelo de crescimento de futuro mais sustentável. A descontinuidade afetou toda a sociedade e é normal que a popularidade de quem a faz seja baixa. “

Mas então, que investimento deve ser o nosso?

O problema de hoje é saber como se produz crescimento no futuro, porque no presente já é tarde demais.

Na sua apresentação, o líder da missão crescimento considerou que “não é possível haver investimento significativo em Portugal, sem haver redução e estabilidade da taxa de risco do país (falamos da dívida soberana e da dívida do sistema financeiro, que têm de ser controladas).”

Portugal tem de se preparar para ser um prestador de serviços, disponível para dar respostas a solicitações que chegam de várias partes do mundo. Jorge Marrão referiu-se a isto com exagero, do qual discordo, de sermos um “criado ao serviço do mundo.” Mas na verdade temos os recursos humanos, as infraestruturas e a tecnologia –“são ativos atrás da dívida, que ficaram no país”

Quem principalmente vai investir na economia portuguesa é o exterior: “são eles que decidem o nosso caminho e definem o nosso modelo de especializações.”

A terminar, Jorge Marrão lembrou que “antes, Portugal tinha tudo. No futuro, vamos trabalhar por especializações setoriais, que vão ser escolhidas pelos investidores externos, que têm uma grande vantagem em relação aos internos: conhecem o mundo, porque vêm do mundo”.

Deixo as principais Ideias-chave para um modelo de crescimento que Jorge Marrão e Daniel Bessa deixaram neste debate e que podem ser úteis a todos nós:

  1. É necessário passar de uma cultura de proteção e segurança para uma cultura de risco. Todos vamos ter de correr riscos. Já não é possível proteger alguns setores, indefinidamente.
  2. É preciso restituir uma cultura de poupança. Uma sociedade que consome mais do que produz é insustentável.
  3. É necessário criar mercados para reconversão do emprego.
  4. É necessária a abolição do Estado no exclusivo da prestação das políticas públicas.
  5. Isto é uma reconfiguração do modelo da economia portuguesa. O investimento público tem de ser orientado para a iniciativa do mercado: o sistema educativo tem de criar profissões para servir propósitos empresariais.
  6. Há uma grande mudança a considerar: o BCE está desenhado para proteção de depósitos e não para financiar a economia.

 

Duarte Marques, 39 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros.
Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. É ainda membro da Assembleia Municipal de Mação.
Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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