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Gente da Nossa Terra | António Castelbranco: o aristocrata abrantino que preserva o passado e defende o futuro

António da Fonseca Ataíde e Castelbranco, aristocrata abrantino, arquiteto com alma de embaixador, nasceu em Paris em 1964. Licenciou-se em Arquitetura pela Universidade do Arizona e na Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa fez o seu doutoramento, sendo atualmente professor naquela instituição. Preocupado com o Ambiente, pai de quatro filhos, escreveu livros e diz ter plantado um abacateiro. Cresceu rodeado de arte e memórias narradas na História de Portugal ligadas à sua ascendência até à de Batalha de Aljubarrota. Após vários anos nos Estados Unidos regressou a Portugal para viver em Abrantes onde tem raízes. Recebeu o jornal mediotejo.net ao qual contou estórias e falou de recordações na sua casa amarela.

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Quando herdou o solar que, em tempos históricos e memoriáveis, foi a pública Casa do Concelho da Villa de Abrantes, António Castelbranco quis preservá-lo também como repositório de um passado do qual se orgulha. As recordações da casa amarela, contribuíram de forma sólida para querer viver numa espécie de museu e mudar-se definitivamente para lá.

Recebe-nos na sala dos cavalos onde imediatamente traça uma linha genealógica até à Batalha de Aljubarrota. “Na pagela do meu tetravô, que terá morrido em 1890, a família enlutada diz: descendente daquele que foi o primeiro a verter sangue no campo de Batalha de Aljubarrota. Terá dito ao rei D. João I querer ser o primeiro a espetar uma lança num castelhano. E foi. O meu tetravô ainda se orgulhava dessa história 440 anos depois”.

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O arquiteto António Castelbranco em sua casa em Abrantes. Créditos: David Belém Pereira

Acautela-nos na subida do primeiro lanço de escadas, lembra a longínqua construção medieval enquanto admiramos, naquelas paredes da Idade Média, uma aguarela do pintor Lima de Freitas inspirada no Canto V da obra maior do poeta Luís Vaz de Camões. O Adamastor, que se repete na vida do arquiteto como perceberemos ao longo da sua narrativa.

À semelhança do seu antepassado, o Visconde da Abrançalha – João José de Castro Ataíde – que em 1876 andava por Filadélfia a mostrar e dar a provar o azeite abrantino aos americanos numa exposição internacional da qual trouxe um prémio, António Castelbranco possui alma de viajante, característica que mostra desde que nasceu ao “escolher” a cidade de Paris para vir ao mundo.

O brasão do Visconde da Abrançalha. Créditos: David Belém Pereira

O quarto filho de Maria Margarida Tamagnini da Fonseca Castelbranco, formada em Belas Artes, e Duarte de Castro Ataíde Castelbranco, um prestigiado arquiteto, aos 56 anos, traça um percurso a fazer e a desfazer malas, uma vida de descobertas, com moradas nos Estados Unidos e por esta Europa fora, numa vivência nunca sossegada. A dada altura, com regresso a casa, às raízes, sendo o único dos Ataíde Castelbranco a permanecer em Abrantes.

“Faço questão porque gosto muito desta minha terra. Sempre gostei, desde miúdo. E gosto muito das pessoas de cá. É aqui que me sinto bem”, confessa.

António Castelbranco é irmão mais novo de Catarina da Fonseca Ataíde Castelbranco, de Maria Ana da Fonseca Ataíde Castelbranco e de Maria Cristina da Fonseca Ataíde Castelbranco.

Viagem aos Estados Unidos e encontro do Biosfera 2

Pela profissão do pai, que calhou nascer em Macau, com um vasto e importante currículo nomeadamente na área do Urbanismo, António recusava seguir as suas pegadas. Sonhava trabalhar no corpo diplomático, ser embaixador. Razão que o levou a estudar Direito. Detestou e desistiu. “Também não pensava ser arquiteto porque o meu pai era arquiteto. Queria ter a minha própria carreira. Não achava grande graça à ideia”. Acabou por descobrir a motivação nos Estados Unidos.

O jovem António atravessou o oceano Atlântico até terras do Tio Sam porque, segundo diz, “andava perdido” em Portugal. Numa primeira viagem ficou nos Estados Unidos uns 18 meses, para combinar com a sua idade no regresso ao nosso País. Quase dois anos depois “aos 20, fui convidado por um amigo a voltar para a América”. Então meteu-se a caminho da embaixada em Lisboa com a intenção de conseguir um visto para mais seis meses de permanência.

“O cônsul perguntou-me a razão de querer voltar para os Estados Unidos e disse-lhe: olhe senhor cônsul, ando um bocado perdido e queria ver se me encontrava”. E com esta sinceridade António Castelbranco conseguiu um “visa” intemporal.

O arquiteto António Castelbranco ao lado de uma pintura que retrata o Papa Inocêncio XVIII. Créditos: David Belém Pereira

A “guia de marcha” levou-o até ao Arizona embora a Califórnia fosse mais apetecível para um jovem com vontade de sol, mar e areia, contrário ao deserto que envolvesse cobras e outros animais rastejantes, conta, a rir.

Certo é que “adorei! Foi fantástico. Tenho uma enorme amizade pelos Estados Unidos. Fui muito bem recebido e aprendi imenso na América”. Ou seja, “encontrou-se” no Arizona onde estudou arquitetura e trabalhou no projeto Biosfera 2, cujo objetivo passava por recriar ecossistemas e ambientes naturais em laboratório.

“Trabalhei com um grande arquiteto americano chamado Phil Haws [autor do projeto]” tendo sido este aluno de Frank Lloyd Wright, considerado pelo American Institute of Architects “o maior arquiteto americano de todos os tempos”.

Um projeto de 1990 “que nos ensinou imenso, nomeadamente a propósito dos gases com efeito de estufa, o problema do CO2, da reciclagem” abrindo-lhe a mente para as preocupações ambientais. Nota que, incluindo para a elaboração do Protocolo de Quioto, “muita investigação foi retirada do projeto Biosfera 2”.

Por isso, uma vez em Portugal, para a sua tese de doutoramento, António Castelbranco optou por “pegar nos trabalhos” realizados nos Estados Unidos e aplicar em Abrantes, num estudo denominado Bacia Drenagem a Norte de Abrantes, um contributo para a teorização da sustentabilidade da arquitetura e do planeamento territorial.

“A minha tese de doutoramento, orientada por Phil Haws, rendeu mais de 8 milhões de euros à Universidade de Lisboa”, refere.

Uma foto onde está o avô de António Castelbranco, Joaquim Fonseca, tirada no Cairo em 1912. Créditos: David Belém Pereira

Ou seja; como professor na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa encontrou a fórmula para promover a mobilidade dos seus alunos, além da União Europeia, conseguindo que fossem financiados três programas de intercâmbio de alunos de Portugal, Itália e Espanha para países do antigo bloco soviético – Arménia, Azerbaijão, Biolorrússia, Geórgia, Moldávia e Ucrânia.

Neste último país conheceu a sua atual esposa, Oksana Turchanina, sua parceira duplamente; em casa e nos projetos TEMPO (Trans-European Mobility Project on Education for Sustainable Development), INFINITY (International Fellowship in Transdisciplinarity) e RETHINK (A New Transdisciplinary Intellectual Framework), num trabalho que já envolve mais de 15 países e 36 universidades.

Os três projetos mereceram candidaturas aprovadas no valor de 8.5 milhões de euros, “com base no meu doutoramento que tem como pilar a Biosfera 2  – nos Estados Unidos – e a Bacia Drenagem a Norte de Abrantes – em Portugal. Juntei os dois, fizemos uma proposta para Bruxelas e ganhámos”, conta.

Interessa, no seu trabalho de professor, ensinar os futuros arquitetos “a distinguir aquilo que é importante daquilo que não tem muita importância. Infelizmente, algo que faz muita falta na educação dos nossos alunos de Arquitetura”, diz.

Essa importância revela-se, por exemplo, “nas questões de licenciamento. Há muitos departamentos de Arquitetura das câmaras municipais que entravam coisas que não têm valor nenhum, altamente prejudiciais para o desenvolvimento, o crescimento ou para a modernização das cidades. E por vezes coisas que são importantíssimas passa-lhes por cima um caterpillar”, critica.

O arquiteto António Castelbranco mostra uma foto do seu tio Mariano Tamagnini com Frank Sinatra. Créditos: David Belém Pereira

O solar amarelo como primeira do Concelho da Villa

Nessa aventura no Arizona casou com uma norte-americana, responsável, na verdade, pela motivação no estudo da Arquitetura, casamento do qual nasceram dois filhos. De regresso a Portugal, trouxe na bagagem a experiência e a ideia que aplicou na sua cidade na tal proposta para o estudo do território da Bacia de Drenagem a Norte de Abrantes. Após o divórcio da primeira mulher, apaixonou-se por Oksana Turchanina de quem também tem dois filhos.

Confessa que, se não fosse arquiteto, “nunca conseguiria” recuperar e conservar o solar, em Abrantes, denotando uma preocupação na recuperação do património que alia à preferência de ter uma presença quotidiana naquela casa.

Falamos de um edifício da Idade Média, terá sido a primeira do Concelho da Villa de Abrantes, propriedade da sua família desde 1496. Pertenceu inclusivamente ao Visconde da Abrançalha, com muitas histórias, amplos salões, 53 janelas, uma bala de canhão das Invasões Francesas num varandim, muitas balas das tropas de Napoleão encontradas no jardim, mobiliário de Macau, sedas de Timor, cadeiras do século XVII e centenas de anos de memórias que fazem da sua residência uma espécie de museu e, certamente, uma viagem no tempo.

“É muito importante podermos guardar estes pedaços de história familiar. Qualquer coisa que nos consegue transportar para aquele tempo, e não apenas uma fotografia que encontramos na Internet. O meu pai gostava muito de vir cá a casa e dizia sempre: tu tens muito talento para criar ambientes. E é verdade! Gosto de pegar em peças que por uma razão ou outra estão em conjunto”, explica, enquanto nos mostra uma foto com o primeiro submarino da Armada Portuguesa datada de 1916.

O arquiteto António Castelbranco, como uma bala de canhão, do tempo das Invasões francesas, na mão, mostra um tiro certeiro vindo do castelo de Abrantes, que ainda perdura no varandim. de sua casa. Créditos: David Belém Pereira

A comprová-lo encontramos na casa dos Ataídes uma coleção de capacetes da Primeira Guerra Mundial que inevitavelmente ligamos ao homem com virtudes militares demonstradas em combate durante a Primeira Guerra Mundial, onde foi comandante do Corpo Expedicionário Português, Fernando Tamagnini de Abreu e Silva, antepassado de António Castelbranco e o oficial, a quem o Governo da República confiou o comando de mais de vinte mil homens no conhecido ‘Milagre de Tancos’.

Bem como na coleção de uniformes militares aquando da Segunda Guerra Mundial, exposta na sala onde António vê televisão, que inclusivamente vestiram homens da família. Memórias de outras guerras encontramos no jardim de inverno, decorado com peças trazidas de África numa homenagem às ex-colónias portuguesas.

Entre as diversas obras de arte, encontramos quadros com séculos, refira-se uma pintura que já mereceu destaque no Museu do Oriente, oferecido à família pelo Papa Inocêncio XIII, nomeado núncio em Lisboa em 1698, cidade de relevo na época pela projeção portuguesa na América e na Ásia.

Diga-se que a rua onde reside António Castelbranco é das mais antigas de Abrantes juntamente com a Rua do Castelo, onde se situava a antiga judiaria. É interessante destacar que Abrantes serviu como ponto de encontro para a concentração das tropas de D. João I e D. Nuno Álvares Pereira, antes da Batalha de Aljubarrota e que terá sido nessa Casa do Concelho que os homens bons se reuniram para decidir sobre a contribuição que a vila iria dar para a batalha.

Uma rua que deixa de ser judiaria em 1946 quando o rei D. Manuel expulsa os judeus de Portugal, momento em que a Casa do Concelho passa para o edifício onde atualmente encontramos a Câmara Municipal de Abrantes e o solar vendido ao juiz das sizas, Jorge Ferreira, um homem nobre e de posses. Hoje, além de arte e mobiliário antigo, a casa guarda interessantes relíquias como, por exemplo, uma imagem de Cristo, em parte destruída pelo terramoto de 1755.

António Castelbranco. mostra imagens do funeral do governador de Macau, Artur Tamagnini de Sousa Barbosa, seu tio. Créditos: David Belém Pereira

Histórias de família e de Artur Tamagnini de Sousa Barbosa, governador de Macau

Pegando em histórias de família conta-nos episódios vividos por bravos e honrados militares e diplomatas como a do bisavô Artur Tamagnini de Sousa Barbosa, governador de Macau, que teve a difícil missão de preparar Macau para enfrentar a Segunda Guerra Mundial e negociar com os japoneses para que estes respeitassem a neutralidade daquela pequena colónia portuguesa.

O governador “era grande admirador da cultura japonesa e foi várias vezes ao Japão. Quando os japoneses invadiram a China não tocaram em Macau. Contava o tio Mariano [filho de Artur Tamagnini] que chegaram a ser 200 mil refugiados chineses em Macau e o governador pediu aos japoneses que deixassem no território sacos de arroz para alimentar aquelas pessoas. E eles deixaram! Era a diplomacia portuguesa. Morreu em Macau e o seu funeral comprovou que era um homem muito amado”, conta.

António Castelbranco aponta na foto o seu tio João que recebia os ingleses nos Açores durante a Segunda Guerra Mundial, como Governador Militar dos Açores. Créditos: David Belém Pereira

Também de outros protagonistas tem orgulho em relatar os feitos. A título de exemplo do tio-bisavô Luís Alberto de Oliveira, Ministro da Guerra de Salazar em 1933-1934, que mereceu a condecoração de Grã Mestre da Ordem da Coroa de Itália ou do avô Joaquim Maria Alves Pereira Fonseca que recebeu uma medalha do Congresso dos Estados Unidos em 1955.

“Em miúdo era fascinante ir para casas dos meus avós e bisavós e andar a mexer nas arcas” onde encontrava espadas e pistolas verdadeiras, capacetes e medalhas, ou um dente de elefante ou uma pele de leão. Em sua casa foi “juntando as peças!”.

O arquiteto António Castelbranco contempla o retrato de Inácio Francisco Tamagnini, fundador da Academia Tubuciana de Abrantes. Créditos: David Belém Pereira

Na presidência da Academia Tubuciana de Abrantes

António Castelbranco assume, atualmente, a presidência da Academia Tubuciana de Abrantes, que teve como primitivo nome: Sociedade Literária Tubuciana, fundada em 1802 por Inácio Francisco Tamagnini seu antepassado. No século XIX, a Academia teve dezenas de sócios, incluindo primeiro-ministros do Reino de Portugal, para além de fidalgos, juristas, eruditos, sacerdotes, poetas, médicos ou militares.

“Uma Academia que procura salvaguardar muitas das raízes de Abrantes. E nem sempre é fácil!”, admite, dizendo que os mandatos “são curtos de três meses, pensado naquela época para dar uma rotatividade aos diferentes sócios”.

Como presidente assume ser seu “objetivo abrir mais a Academia à sociedade abrantina e ter uma Academia que seja mais acolhedora. Para isso é preciso criar uma certa dinâmica. É fundamental revitalizar, refazer a Tubuciana. Nesta altura torná-la ainda mais inclusiva”, defende.

O arquiteto António Castelbranco cem sua casa onde guarda várias medalhas e condecorações de antepassados seus. Créditos: David Belém Pereira

Dupla corrida à liderança da Câmara Municipal de Abrantes

À semelhança dos seus antepassados, também António Castelbranco se deixou seduzir pela política sendo candidato à Câmara Municipal de Abrantes duas vezes. Na verdade apenas uma candidatura levou até às urnas – a primeira – tendo desistido na segunda vez.

A menos de um ano de mais uma eleição autárquica afirma-se desligado da política e sem opinião formada sobre as movimentações abrantinas. “Não sei! Não tenho estado muito ligado e portanto não tenho opinião”. Esse afastamento, contudo, não o desliga definitivamente da política. “É uma questão de chamamento”, considera.

Da primeira vez que concorreu à Câmara Municipal de Abrantes, em 2000, como independente nas listas do CDS, “quer do ponto de vista pessoal quer do concelho foi uma lufada de ar fresco dentro do esquema tradicional da política. Conseguimos um bom resultado… dos 0% aos 7%. Ninguém me conhecia e tivemos 1500 euros para a campanha, enquanto o PSD tinha 20 mil euros. Não ter dinheiro numa campanha faz toda a diferença, torna tudo muito mais difícil”, explica.

Seguidamente, conta, António Castelbranco foi “convidado para deputado da Assembleia da República na altura de Paulo Portas e de Durão Barroso mas comecei a chatear-me”, revela. Deu ainda uma segunda oportunidade à política sendo cabeça de lista à Câmara Municipal de Abrantes nas listas do PSD em 2017, acabando por desistir a dois meses das eleições, alegando “obrigações e responsabilidades perante Portugal e a União Europeia”.

Sem entrar em detalhes disse recusar servir de “bengala” e acrescenta: “O que aconteceu é sempre assim… ou muitas vezes assim. E tem de ser repensado! Porque a política acaba por perder pessoas de grande qualidade. A política precisa não só massa crítica mas essencialmente de massa cinzenta”, defende.

O arquiteto António Castelbranco ao lado de uma pintura da sua filha Haley onde a pintora monta o cavalo Adamastor. Créditos: David Belém Pereira

O lusitano Adamastor e a importância do cavalo

Mudando da política para os cavalos, outro grande interesse de António Castelbranco, considera que o animal teve grande responsabilidade na evolução da Humanidade. O seu cavalo, um lusitano “made” em Abrantes ao qual batizou de Adamastor, “é o melhor! Absolutamente notável! Bom e inteligente”, afirma, lembrando que os cavalos também são uma herança familiar.

Falando de cavalos partilha “uma história que se conta na família desde sempre” relativa a D. Álvaro de Castro Ataíde, sogro e tio do Visconde da Abrançalha. “Um grande aristocrata com propriedades desde Abrantes a Portalegre. Por volta de 1870 viaja até Paris. As quiromantes estavam na moda, consulta uma delas que profetiza a sua morte nos cavalos que iria comprar a Londres. Apesar disso, compra os cavalos e certo dia a descer a Calçada de São Bento, em Lisboa, os cavalos largam a correr em direção ao Parlamento. D. Álvaro lembra-se da profecia, abre a porta do coche e salta para fora, batendo com a cabeça num frade de pedra e morre”, cumprindo a vaticinação. Figura que, segundo António, inspirou Eça de Queirós na criação da personagem Carlos Eduardo da Maia, personagem principal da obra  ‘Os Maias’.

Tragédias a galope à parte, não raras vezes os abrantinos deparam-se com António Castelbranco a passear no seu branco corcel pela cidade. “Gosto de ir visitar os meus amigos. É sempre um divertimento! As crianças e os idosos gostam imenso de ver o cavalo e a mim dá-me imenso gozo poder usufruir da cidade de uma outra forma que não seja a pé, de bicicleta ou de carro”, revela.

Recorda que certo preceptor real dizia: “a equitação é a melhor educação para um príncipe porque um cavalo nunca bajula o seu cavaleiro. O príncipe tem de saber comandar e criar ligações com aquele animal que é extraordinário. O cavalo também é uma ligação ao passado que para mim é importante”, revela.

O arquiteto António Castelbranco em sua casa em Abrantes. Créditos: David Belém Pereira

Sobre a modernidade, opina que, presentemente, as pessoas não sabem “como estar” muito por causa das novas tecnologias que “alteraram e estão a alterar” a forma de estar do ser humano. “Sempre foi assim! O problema é que agora anda a uma velocidade assustadora”.

As três populares dicas para deixar um legado, de ter um filho (tem quatro), plantar uma árvore (plantou um abacateiro) e escrever um livro (escreveu vários) António Castelbranco já cumpriu. Aos 56 anos ainda pretende defender o futuro ao manifestar vontade em trabalhar mais em prol do Ambiente, questão que o preocupa, essencialmente no que toca “à sustentabilidade da nossa espécie e da Biosfera”.

Outra preocupação “é a Educação. E temos um planeta extraordinário”, por isso defende “uma administração mais inteligente, para preservar não apenas a espécie humana mas todas as outras. É um processo que leva tempo e do qual gosto de fazer parte”.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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