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Domingo, Setembro 19, 2021

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Gente da Nossa Terra | António Reis, o colecionador abrantino de motas e microcarros

Do antigo faz clássico, uma ocupação da qual retira tranquilidade e relações sociais fortes. Uma paixão pela motorização desde a infância que transformou o professor, décadas mais tarde, em colecionador de microcarros e motas. O abrantino António Reis mostrou a sua coleção particular ao jornal mediotejo.net.

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Nascido e criado em Abrantes mas com “uma costela” em Évora e “outra” no Sardoal, António José da Silva Reis gosta de tudo o que seja arte mas foi outra paixão a causa desta história. Aos 72 anos, praticamente “um ancião de aldeia” como o próprio diz em tom de gracejo, mantém a paixão de uma vida; a motorização.

E por causa dela possui uma coleção de clássicos – microcarros e motas – que restaura, com paciência e talento, permitindo que continuem a circular e a causar admiração a quem gosta de ver transitar nas estradas do presente veículos de outros tempos, em perfeito estado de conservação, nos muitos passeios que organiza, ou aos quais não falta por este Portugal fora e até além fronteiras.

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Reformado da profissão de professor de eletrotecnia, confessa que “o colecionismo é uma coisa terrível! O recolector gosta de tudo. A gente olha para o objeto, o desenho e a estética prende logo o apreciador”, diz ao mediotejo.net.

Coleção particular de carros e motos de António Reis, em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Quando menino gastava o seu tempo a tentar perceber o funcionamento dos motores e com 10 anos “tinha conhecimento empírico de todos os motores que havia no mundo. Fossem reatores, estatorreatores, motores de explosão, 2 tempos, 4 tempos… tinha um certo gosto por aquelas coisas, o material disponível e tudo fluía”, refere, recordando os tempos em que frequentou o Instituto dos Pupilos do Exército.

Na infância repartiu horas entre a motorização e as técnicas do aeromodelismo, num tempo de voo circular ainda sem telecomandos, em que “a aerodinâmica é rigorosamente a mesma e também serve para a aprendizagem. Ao fazer um aeromodelo de raiz, até concebido pelo próprio, tem de saber o mínimo das leis da aerodinâmica para pôr o objeto a voar. Temos de ser autodidatas, comprar livros, ler e aprender, falar com pessoas. Com os carros e as motas é a mesma coisa”, assegura António Reis.

Na escola ocorreu, então, “o grande despertar da paixão pelas máquinas” mas a coleção iniciou-a apenas há cerca de 20 anos, quando a profissão, e as várias condicionantes da vida, lhe permitiram dedicar-se ao colecionismo.

“Se tivesse começado 10 anos antes teria uma coleção maravilhosa, assim tenho uma coleçãozinha. Uma das coisas que limita é a parte monetária, a outra é o espaço. Cada metro quadrado custa dinheiro e para ter coisas paradas… pior”, observa.

Coleção particular de carros e motos de António Reis, em Abrantes. Carro Goggo Mobile Créditos: mediotejo.net

Preferência da sua escolha, António Reis começou com uma mota, depois outra e às tantas, como o espaço era pequeno, optou por adquirir ciclomotores, mais leves que as motas, para os poder pendurar nas paredes. A falta de espaço obrigou a “alargar os horizontes” e a mudar de residência. Atualmente conta com 13 motas e ciclomotores, das quais 11 absolutamente restauradas.

Os carros surgiram também pela paixão e pelo gosto maior de poder ter a companhia da sua mulher nos passeios. “Não anda de mota”, explica. Além disso, “com a idade aborrece-me estar a carregar motas em reboques para ir a uma concentração. Fiz-lhe a proposta e ela disse: sim senhor!, de carro vai”.

Agora conta com três carros clássicos e um quarto a restaurar: um Sado 550 (fabrico nacional) de 1983, um Fiat Topolino B de 1949, um Goggomobile T-400 de 1958 e um Austin Seven Ruby de 1937 em restauro. Todos veículos pequenos muito por causa do espaço e da autonomia do restaurador, no caso, o professor Reis.

“Em termos de mobilidade dos objetos é muito mais fácil um veiculo pequeno do que grande”, justifica, confessando que gostava de ter mais carros, “a grande opção do momento”.

Coleção particular de carros e motos de António Reis, em Abrantes. Carro Austin Seven Ruby de 1937 em restauro. Créditos: mediotejo.net

E que carro gostaria de acrescentar à sua coleção? “Um Messerschmitt KR 200 (ou um KR 175)”, revela. Um microcarro de três rodas projetado pelo engenheiro aeronáutico Fritz Fend e produzido na fábrica da fabricante alemã de aviões Messerschmitt na década de 1950 e 1960.

A 14 de junho em Abrantes, António tem oportunidade de mostrar as preciosidades ao público. Para tal organiza um passeio de micro carros e sidecars, aquando das celebrações do Dia da Cidade, de dois em dois anos, para não bater com o passeio de Barcelona.

No entanto, a pandemia impediu o evento em 2020 – estava programado um passeio até Ponte de Sor para visitar o aeródromo municipal – e voltou a impedir em 2021. “Durante dois dias. Vem rapaziada do País todo. O último já contou com 15 veículos, o que é muito bom”, considera. Passeios com vertentes tecnicoculturais, enológicas, gastronómicas e de lazer.

Coleção particular de carros e motos de António Reis, em Abrantes. Carro Fiat Topolino. Créditos: mediotejo.net

“Arranjamos relações sociais fortes. Conheço pessoas, umas que não prestam e descarto o contacto e outras que são excelentes. Quando restaurei o Topolino, por causa de arranjar peças, conheci uma pessoa e não se passa dois meses sem que almocemos juntos”, conta.

Da prática de restauro retira a tranquilidade. “Enquanto restauro um carro não tenho doenças, não há problemas de vírus, não há problemas da convulsão social mundial, não há nada”.

Um hobby dispendioso, no qual é preciso ter “muito gosto, muito trabalho, muita pesquisa e algum dinheiro. Há pessoas que fartam-se de investir dinheiro e não têm nada que preste”, afirma.

Por causa dos carros, António José Reis fez-se sócio do Bristol Seven Club, em Inglaterra, para com mais facilidade encontrar peças. O Austin Seven Ruby encontra-se em restauro há cerca de dois anos e meio e demorará mais um ano porque “estava em muito mau estado. Comprei o carro aos bocados”, nota.

“O Goggo demorou menos tempo. É muito difícil encontrar as peças, é preciso muita pesquisa, procurar peças pelo mundo”.

Coleção particular de carros e motos de António Reis, em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Quanto ao tempo investido, o professor garante ser subjetivo, havendo vontade “arranja-se”, uma vez que até tem tempo para ler, apreciando particularmente livros históricos e de arte. “A leitura dá-nos fluência verbal, mantém o cérebro ativo”, nota.

Já a descoberta dos carros passa muito pelo “relacionamento”, outros aparecem na Internet à venda, mas António nunca vendeu nada. Prefere ir até à garagem, “estar a ler e a olhar para os carros”.

E para as motos! Entre elas uma Alcyon de 1924 com equipamentos niclados como era hábito até 1930 e os dois travões atrás. Uma Monet & Goyon de 1928, francesa com motor inglês e embraiagem de cortiça; uma Alma, motores de Portugal, de 1949 com duas velocidades e sem embraiagem, outra Garelli Mosquito com motor de apenas 38cc dos anos 1950; uma Cucciolo Vilar com motor Ducato a 4 tempos; uma Vilar com motor Pachancho toda fabricada em Portugal; uma Puch austríaca de 1957, ou ainda uma Heinkel Tourist, de 175cc a 4 tempos “extremamente cómoda (na época era conhecida pelo Cadillac das scooters), tem relógio e motor de arranque elétrico”, explica.

Ao volante dos seus veículos clássicos, António Reis já conquistou cerca de uma dezena de prémios. No futuro, passeios e concentrações ? “São para continuar até poder”.

 

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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