Sábado, Fevereiro 27, 2021
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Gavião | Uma idosa morreu em surto que infetou 32 pessoas em lar de Belver (c/áudio)

Uma utente do lar de Belver (Gavião) que estava hospitalizada morreu este fim de semana na sequência de um surto de covid-19 no Centro Social Belverense que infetou um total de 32 pessoas. Os casos positivos surgiram poucos dias após a toma da segunda dose da vacina e estão quase todos assintomáticos.

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O presidente da instituição, Jorge Martins, confirmou o óbito ocorrido este sábado e disse que o quadro geral se mantém, com um total inicial de 23 utentes, e que evoluiu na semana passada para um total de 32 positivas, infetadas poucos dias após a segunda toma da vacina contra a covid-19. Dos dois utentes internados um faleceu e o outro teve alta médica e já regressou ao lar.

O dirigente foi muito crítico para com as autoridades de saúde, que entenderam não fazer testes PCR aos 23 utentes e ao funcionário infetado inicialmente, e para com os dirigentes de IPSS a nível nacional, que tomaram a vacina sem estarem incluídos nos grupos prioritários.

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ÁUDIO: JORGE MARTINS, PRESIDENTE CENTRO SOCIAL BELVERENSE:

“O quadro geral mantém-se, sendo que uma das utentes internadas no Hospital de Abrantes faleceu no sábado e a outra regressou à instituição, aparentemente recuperada”, disse Jorge Martins.

Os utentes positivos foram isolados e estão na generalidade assintomáticos. As suspeitas da chegada do surto de covid-19 ao lar da vila de Belver surgiram quando uma utente revelou sintomas três dias depois da segunda dose da vacina, a 31 de janeiro. Uma bateria de testes rápidos revelou 23 utentes infetados mais um funcionário, aos quais se somaram mais 8 utentes após a confirmação com teste PCR.

Do surto que afetou inicialmente um total de 24 pessoas, 22 utentes e uma funcionária mantém-se positivos, havendo um óbito a lamentar, aguardando-se por uma nova bateria de testes PCR que irá ser realizada na instituição na próxima semana às primeiras 23 pessoas infetadas para poderem ter alta médica.

Inicialmente com 21 utentes assintomáticos e em isolamento numa ala do lar, e dois utentes hospitalizados em Abrantes, uma das quais viria a falecer no sábado, Jorge Martins disse que na segunda-feira foram realizados os testes PCR mas, por indicação da autoridade de saúde pública, só aos utentes e funcionários que testaram negativo”.

Nesta nova bateria de testes foram detetados mais oito casos positivos entre os utentes, todos assintomáticos. No total, o surto afetou assim 32 pessoas – 31 utentes e uma funcionária, havendo uma morte de uma utente a registar.

A decisão de realização apenas aos casos positivos não satisfez Jorge Martins, uma posição que disse não entender, considerando que “deveriam ser testados também os que testaram positivo, para a tranquilidade de todos e da própria estrutura funcional”.

Aliás, o dirigente, que gere agora a instituição à distância uma vez que não foi vacinado por um critério que entende “errado”, afirma ser absolutamente condenável que dirigentes tenham acesso a vacinas sem estarem nos grupos prioritários. Jorge Martins defende que pelo menos um dirigente de cada IPSS devia poder ser vacinado para poder prestar o seu serviço de proximidade e diz sentir-se “revoltado” pelos abusos tornados públicos.

“Neste momento temos dois lares em funcionamento. Um para as pessoas que testaram positivo e outro para as pessoas que testaram negativo”, explica Jorge Martins, presidente da direção do Centro Social Belverense, que operacionalizou a ação diária para uma situação de surto, apontando dificuldades quer ao nível dos custos financeiros quer na própria logística da instituição, designadamente quanto à operacionalidade dos funcionários do lar.

Uma situação de todo inesperada e que surge depois de terem sido administradas a utentes e funcionários as duas doses da vacina contra a covid-19. Há justificação científica para novas infeções após a segunda toma da vacina? A delegada de Saúde Pública do ACES Médio Tejo, questionada sobre o caso, diz que sim.

ÁUDIO: MARIA DOS ANJOS ESPERANÇA, DELEGADA DE SAÚDE PÚBLICA:

 

Ao mediotejo.net o presidente da direção do Centro Social Belverense, Jorge Martins, adiantou que “23 utentes testaram positivo e 18 testaram negativo” quando testados através dos testes de diagnóstico rápidos. Vinte e um idosos da instituição encontram-se “assintomáticos”, assegurou. “Dois apresentavam sintomas, nomeadamente temperatura alta, e foram ao hospital”, tendo um dos utentes falecido e o outro tido alta médica e regressado ao lar.

O Centro Social Belverense tem capacidade para 41 utentes na valência de ERPI. No total, entre utentes e funcionários, a ERPI do Centro Social contabiliza cerca de 80 pessoas.

Centro Social Belverense a braços com segundo surto desde o início da pandemia. Foto: CSB

A testagem no lar surgiu após uma utente apresentar febre e dores de cabeça no dia 31 de janeiro. Mas como tinham sido vacinados no dia 28 de janeiro pensou-se serem reações à vacinação.

Contudo, um estudo em Portugal revelou que 95 a 97% dos vacinados apresentam anticorpos apenas quinze dias depois, não estando cumprido o período para a completa imunização.

Uma nova bateria de testes vai ser realizada às primeiras 23 pessoas infetadas neste surto na instituição na próxima semana.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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