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Sábado, Outubro 16, 2021

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Gavião | Sociedade civil vai reflorestar 600 hectares de área ardida em Belver

A pouco e pouco, Belver, no concelho de Gavião, volta a ser verde. Depois de quatro incêndios que deflagraram na região em 2003, 2005 e dois em 2017, a sociedade civil local mobilizou recursos, recorreu a fundos Europeus e campanhas de financiamento colaborativo para a reflorestação da área ardida. Um ano depois da primeira campanha de crowdlending, foram intervencionados cerca de 90 hectares: destes, 22 hectares já foram plantados e 40 hectares estão preparados para a plantação. Depois de angariar mais 50 mil euros em poucas horas, preparam-se agora para concluir a plantação na área intervencionada.

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Foi depois do incêndio de 2017 que a Terras de Guidintesta – Sociedade de Desenvolvimento Rural iniciou uma parceria com a Associação de Produtores Florestais da Freguesia de Belver para a reflorestação da área sob sua gestão (cerca de 600 hectares, com mais de 1600 prédios rústicos que pertencem a mais de 130 pequenos proprietários) com uma floresta mais resiliente e sustentável, quer em termos económicos, quer em termos ambientais.

É assim que nasce o projeto “Reflorestar Belver”, que tem como objetivo a plantação de 270 mil árvores nesta área, através de vários projetos.

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Este primeiro projeto requer um investimento total de cerca de 400 mil euros, 75% do qual será financiado a fundo perdido pelo PDR2020 (Programa de Desenvolvimento Rural da União Europeia). Uma vez que a libertação dos fundos Europeus, depende da taxa de execução do projeto, a Sociedade recorreu ao crowdlending com a empresa GoParity.

Depois de duas campanhas no ano passado (em janeiro e setembro), a última foi esta semana concluída em tempo recorde, e com recurso a financiamento de alguns dos proprietários dos terrenos onde o projeto se desenrola.

Plantação de pinheiro manso. Créditos: DR

No total vão a ser plantadas 270 mil árvores indígenas (espécies como o pinheiro manso, o medronheiro e o sobreiro), em 600 dos 5400 hectares ardidos nos quatro incêndios que devastaram cerca de 85% da área florestal de Belver. Uma floresta desta dimensão permitirá absorver cerca de 6 mil toneladas de CO2 por ano.

No início de 2020 foram angariados 50 mil euros na GoParity, montante garantido em menos de 24 horas por 123 investidores da plataforma. Este investimento inicial permitiu a limpeza de parte da área ardida (50 hectares) – a eliminação do arvoredo ardido e a preparação do solo para a plantação que deu início no final do ano passado.

A segunda campanha decorreu em setembro de 2020, para angariar mais 50 mil euros e, assim, dar continuidade às operações de limpeza e iniciar a plantação. Por fim, a terceira e última campanha de financiamento, também no valor de 50 mil euros, voltou a fechar em menos de 24 horas, graças à participação de 246 investidores. Esta última tranche vai servir para terminar a plantação na área já preparada e preparar solo na área limpa.

Plantação de sobreiro. Créditos: DR

A GoParity é uma fintech de investimento por empréstimo (crowdlending), que permite a qualquer pessoa investir em projetos sustentáveis a partir dos 5 euros. Após o fim da campanha, o investidor (que neste caso emprestou dinheiro à Sociedade de Guidintesta) recebe mensalmente o valor investido e os juros correspondentes, que rondam os 5%.
No projeto de reflorestação está inerente a preservação, fomento da vida selvagem e da biodiversidade, e ainda a promoção de emprego local

Para além da plantação de espécies autóctones, vão ser levadas a cabo obras de correção e proteção de território para a preservação e fomento da biodiversidade e exploração sustentável dos recursos locais. A iniciativa vai possibilitar a recuperação dos terrenos, uma das principais fontes de rendimento de 130 pequenos proprietários locais também impactados pelos incêndios, a maioria na idade da reforma, contribuindo para a sua maior autonomia financeira.

Depois dos incêndios de 2017 surgiu o projeto ‘Reflorestar Belver’ tem como objetivo a plantação de 270 mil árvores. Créditos: DR

“A preocupação tem sido recorrer sempre a empresas locais, como forma de assegurar postos de trabalho na região. Prevê-se a manutenção e criação de alguns postos de trabalho. Com as necessidades sazonais ao nível da colheita, vão ser exigidos pontualmente mais recursos. Neste momento, por exemplo, os trabalhos da Terras de Guidintesta já empregam quatro pessoas, estando prevista a criação de mais um posto de trabalho até ao final do ano. Com a maturidade do projeto esperamos que mais oportunidades de negócio nasçam desta intervenção” esclarece Carlos Machado, gerente da Terras Guidintesta.

Considerada pelas Nações Unidas a “Década da Restauração do Ecossistema”, de 2021 a 2030 o comprometimento mundial assenta na “mobilização ao apoio político e financeiro necessário para restaurar os ecossistemas devastados e degradados no mundo, que impactam as economias e meios de subsistência de mais de 3.2 mil milhões de pessoas em todo o mundo e mais de 2 mil milhões de hectares (o equivalente a toda a América do Sul)” – devido às alterações climáticas e perda de biodiversidade, provocados essencialmente pelo Homem.

SOBRE A TERRAS GUIDINTESTA

A Terras de Guidintesta – Sociedade de Desenvolvimento Rural é o promotor deste projeto, sendo responsável pela gestão profissional dos espaços objeto de intervenção. Atua em colaboração direta com a Associação de Produtores Florestais de Belver, que assume o papel de supervisor da relação entre os proprietários participantes no projeto e a empresa promotora, sendo, ao mesmo tempo, a entidade gestora da Zona de Intervenção Florestal da Freguesia de Belver (ZIF).

SOBRE A GOPARITY

A GoParity é a primeira plataforma portuguesa de acesso a investimento de impacto, com base num dos 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Junta empresas que precisam de financiamento para projetos com impacto social e ambiental positivo, a pessoas que querem investir nesses projetos. O seu objetivo é criar um Banco Verde.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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