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Sábado, Janeiro 22, 2022
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Gavião | Projeto ‘Reflorestar Belver’ consegue financiamento para iniciar plantação de 300 mil árvores

Trabalhando para colmatar os danos dos trágicos incêndios de 2017, a ideia passa por plantar entre 250 a 300 mil árvores em 600 hectares de área ardida na freguesia de Belver (Gavião). E a primeira fase deste projeto já está em andamento. Para o ‘Reflorestar Belver’, a sociedade Terras de Guindintesta, responsável pela gestão desses 600 hectares de floresta, conseguiu angariar 50 mil euros em financiamento colaborativo, em menos de 24 horas. Uma forma de conseguir o auto financiamento necessário para iniciar o processo de plantação.

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“São três os projetos a fundos comunitários já aprovados e outros aguardam. A nossa expectativa é que sejam também aprovados”, explicou ao mediotejo.net Carlos Machado, engenheiro da Terras de Guidintesta – Sociedade de Desenvolvimento Rural, responsável pela implementação do projeto ‘Reflorestar Belver’.

O montante agora angariado – 50 mil euros – através de crowdfunding (financiamento colaborativo) representa a componente relativa ao “auto financiamento do projeto” entretanto aprovado a fundos comunitários e permite o início de atividade, enquanto os promotores aguardam pelo recebimento da primeira tranche desse apoio europeu, que depende da execução inicial de parte do projeto.

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Na prática, iniciar o processo de plantação nos 600 hectares de área ardida, que levará cinco ou seis anos a reflorestar com as tais 300 mil árvores, indica Carlos Machado. O projeto vai proceder também à recuperação de terrenos de mais de 130 pequenos proprietários locais. E esta “foi a primeira iniciativa, das três previstas, para realizar ao longo da execução do projeto”, refere.

Em 2017, os incêndios queimaram mais de 80% da área florestal de Belver, cerca de 5400 hectares, e este inverno, numa primeira fase, “no máximo até fevereiro serão plantadas entre 10 a 20 mil árvores, em cerca de 10 hectares mais uns hectares em linha de água”, indica.

Cerca de 80% da área florestal de Belver, Gavião, ardeu em poucos dias. Foto: DR
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Carlos Machado fala em “cautela” porque “estamos no fim da época de plantação, ainda decorrem trabalhos de limpeza dos terrenos, é um trabalho moroso e não podemos arriscar a que as árvores morram no verão”, explica. Por isso, o grosso da plantação de sobreiro, pinheiro manso, medronheiro e, de forma residual, pinheiro bravo e eucalipto, decorrerá no próximo outono “logo nas primeiras chuvas”, acrescenta, para que as árvores recebam o verão “já bem enraizadas”.

Ainda assim, e para prevenir, a área a plantar agora é preparada para ser regada este verão. Até porque “este é um projeto que pretende ser sustentável. A manutenção tem de ser sustentável, um projeto concebido para gerar rendimento no futuro. O objetivo é obter produtos que gerem rendimento para pagar às pessoas e para gerar emprego”, diz.

Isto porque, apesar de estar pensado “um dia aberto” em março, para o qual podem ser convidados voluntários para plantar árvores “por exemplo num hectare” nomeadamente os 123 participantes no financiamento colaborativo, para que possam “participar no projeto que financiaram e verem onde será investido o seu dinheiro”, refere Carlos Machado, contudo tratar-se-á de “uma ação simbólica” uma vez que a preparação dos terrenos e a plantação das árvores exige trabalho profissional.

O engenheiro Carlos Machado ajuda o cabrito recém nascido a mamar. Belver tem ainda um rebanho comunitário, de ‘cabras sapadoras’, financiado pelo projeto Caprinos e Companhia em parceria com a Associação de Produtores Florestais da Freguesia de Belver. Créditos: mediotejo.net

Trata-se de um projeto que pretende gerar proveitos, até porque através da plataforma de financiamento colaborativo “o capital e os juros será devolvido” aos 123 investidores, vinca o engenheiro.

Ou seja, o projeto, que é agroflorestal – além da plantação de 300 mil árvores prevê obras de correção e proteção de território e preservação e fomento da biodiversidade para a exploração dos recursos de uma forma sustentável -, faz também uma gestão de risco, sendo que “o maior risco de todos, neste momento, são as alterações climáticas. Nunca se sabe o que a meteorologia nos reserva”, nota.

Para minimizar os riscos será implementado um sistema de rega, com financiamento próprio, que servirá “para proteger a floresta contra incêndios e também para regar as árvores entretanto plantadas”.

O projeto ‘Reflorestar Belver’ é desenvolvido pela Terras de Guidintesta – Sociedade de Desenvolvimento Rural em colaboração com a Associação de Produtores Florestais da Freguesia de Belver, num investimento de mais de 700 mil euros, sendo que 85% do investimento total está garantido (628.123,36 euros), a fundo perdido, pelo PDR2020, uma iniciativa do Estado português em conjunto com a União Europeia, para o desenvolvimento rural.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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