Gavião | Oito aldeias do concelho contam já com o programa “Aldeia Segura – Pessoas Seguras”

A última sessão do primeiro ciclo de apresentações do programa “Aldeia Segura – Pessoas Seguras”, no concelho de Gavião, decorreu este fim de semana em Ferraria, na freguesia de Comenda, na antiga escola primária. São já oito as aldeias que naquele concelho do norte alentejano contam com o projeto lançado pelo Governo da nação de proteção de pessoas em caso de incêndio rural.

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Ainda em 2018, o programa “Aldeia Segura – Pessoas Seguras” chegou à aldeia de Amieira Cova, Gavião, terminando o ciclo “com algumas sessões se sensibilização e esclarecimento naquilo que deve ser feito na defesa da floresta contra incêndios” referiu o vice-presidente da Câmara, António Severino, responsável pela Proteção Civil no concelho, na antiga escola primária de Ferraria para uma plateia de cerca de 30 pessoas.

O programa “Aldeia Segura – Pessoas Seguras”, sobre a preparação e proteção em caso de incêndio rural, foi apresentado no concelho de Gavião em diferentes localidades do município, fechando este primeiro ciclo em Ferraria.

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Em 2019, as primeiras duas sessões decorreram em fevereiro na localidade de Moinho do Torrão e em Atalaia, no sábado, 2 de março, foi a vez de Vale Pedro Dias e Ferraria receber a apresentação do programa “Aldeia Segura”. Naquela zona da freguesia de Comenda o plano aplica-se a Ferraria, Vale de São João e Vale de Junco.

Apresentação do programa “Aldeia Segura – Pessoas Seguras” em Ferraria, Gavião. Créditos: mediotejo.net

“Este projeto visa dar orientações para colocar em prática, no caso da aldeia estar em risco de incêndio. Em Gavião achamos este projeto bastante importante e a antiga escola primária foi o local escolhido para abrigo coletivo” para concentração das pessoas referiu António Severino apresentando Abílio Labronso como oficial de segurança da aldeia de Ferraria e dos seus dois lugares vizinhos.

“Desempenha um papel fundamental porque vai fazer a ligação entre a Junta de Freguesia, os serviços municipais de Proteção Civil e o coordenador das operações que está alocado ao incêndio. É ele que conhece toda a população, que sabe quem são as pessoas com mais dificuldade em deslocar-se e onde mora ou não gente” acrescentou.

Por seu lado, o segundo comandante distrital de operações de socorro, Bruno Marques, lembrando que “sempre existiram incêndios” refere que “estão cada vez mais severos” devido às condições meteorológicas, deu também conta que no distrito de Portalegre, em 2017, os concelhos de Gavião e Nisa “foram os mais fustigados” ardendo 13 mil hectares.

Apresentação do programa “Aldeia Segura – Pessoas Seguras” em Ferraria, Gavião. Créditos: mediotejo.net

Explicou que o programa “Aldeia Segura – Pessoas Seguras” tem duas vertentes essenciais. “Aldeia Segura está associado à prevenção estrutural, ou seja, ao cumprimento da legislação, limpeza dos matos à volta dos aglomerados populacionais e casas isoladas” disse sublinhando que a legislação não é nova e data de 2006.

“Não conseguimos mudar a paisagem em dois anos, nem pretendemos que Portugal seja um jardim, o que pretendemos é que se cumpra a legislação. Infelizmente ainda observamos pinheiros e eucaliptos dentro de quintais, telhados onde não se vê as telhas porque estão completamente cheios de caruma, estevas, giestas, carquejas, urze a bater nas paredes das casas e isso não pode ser”, afirmou.

A segunda vertente – Pessoas Seguras – prende-se com “as medidas de proteção da população”, no caso Ferraria, Vale de São João e Vale de Junco. Com este plano, em caso de ocorrência de incêndio junto à aldeia, o primeiro sinal de alerta passa “pelo toque do sino da igreja a rebate, como se usava antigamente para chamar a população” explica.

O objetivo é concentrar toda a população na antiga escola primária, determinada como local de abrigo coletivo. Cabe ao oficial de segurança monitorizar “onde estão as crianças e os idosos com mobilidade reduzida e se é preciso ir a sua casa a ambulância dos bombeiros, a carrinha da Junta de Freguesia ou a carrinha da Câmara Municipal para deslocar as pessoas para o abrigo onde garantidamente estão seguras” especifica.

Em caso de necessidade de evacuação da aldeia “coloca-se meios dos bombeiros, veículos da Câmara e desloca-se todas as pessoas para a sede de concelho”, acrescenta apelando uma vez mais à limpeza do espaço rural designadamente à volta das habitações. “Estamos no interior do País, a sofrer com o abandono dos campos, cada vez somos menos pessoas. Tem tudo para correr mal e não é isso que queremos” observa Bruno Marques.

Apresentação do programa “Aldeia Segura – Pessoas Seguras” em Ferraria, Gavião. Créditos: mediotejo.net

Fazendo um enquadramento, o segundo comandante distrital de operações de socorro, referiu que “o sistema de combate aos incêndios, a defesa de floresta contra incêndios assenta em três pilares: a prevenção estrutural da responsabilidade do ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas; a prevenção operacional que é da responsabilidade da Guarda Nacional Republicana (GNR); e um terceiro pilar da responsabilidade da Autoridade Nacional de Proteção Civil, o combate, a parte mais visível” disse criticando o facto de apenas o incêndio ser notícia, mas “para haver incêndio, tudo o resto falhou anteriormente”.

Bruno Marques alertou ainda para a alteração das condições meteorológicas e para os cuidados a ter com a queima de sobrantes. “Temos de ter o triplo do cuidado agora, para não causar incêndios e vítimas mortais”. Desde o início do ano já morreram em Portugal sete pessoas devido à queima de sobrantes.

Do lado da autarquia, o engenheiro florestal, Júlio Catarino, explicou a importância da prevenção. Notou que sem o trabalho de prevenção levado a cabo desde 2006 no concelho de Gavião, o fogo em 2017 “teria sido bem pior” garante. “Em 2017 não tivemos vítimas pelo trabalho feito na prevenção anos antes” reforçou.

Júlio Catarino deu conta da dificuldade em notificar muitos proprietários, pela ausência, e ainda de uma maior dificuldade em colocar em prática a limpeza dos terrenos.

Relativamente à queima de sobrantes explicou que a partir do dia 21 de janeiro “é obrigatório comunicar ao Município. Se não fizerem isso a GNR pode passar no local e no mínimo dá uma multa de 280 euros e se for uma pessoa coletiva – uma cabeça de casal é uma pessoa coletiva – passa para 3600 euros. Por isso não vale a pena o risco!”, afirmou.

Apresentação do programa “Aldeia Segura – Pessoas Seguras” em Ferraria, Gavião. Créditos: mediotejo.net

O registo também será realizado se o munícipe telefonar para os bombeiros ou para a junta de freguesia. E são necessários quatro elementos para a realização do registo: “nome da pessoa, número de contribuinte, número de telefone e o local da queimada de sobrantes”, referiu.

O programa procura garantir uma maior proteção das aldeias em caso de incêndio e tem como objetivos, entre outros, incentivar a consciência coletiva de que a proteção é uma responsabilidade de todos, apoiar o poder local na promoção da segurança, implementar estratégias de proteção das localidades face a incêndios rurais e sensibilizar as populações para a adoção de práticas que minimizem o risco de incêndio.

O concelho de Gavião já conta com oito aldeias com o programa “Aldeia Segura – Pessoas Seguras”: Amieira Cova, Monte dos Pereiros, Moinho do Torrão, Vale Pedro Dias, Atalaia, Vale de São João, Vale de Junco e Ferraria. Presente na sessão estiveram ainda o presidente da Câmara Municipal, José Pio, o presidente da Junta de Freguesia de Comenda, Carlos Alexandre, e o segundo comandante dos bombeiros do Gavião, Fernando Delgado.

A execução do programa “Aldeia Segura – Pessoas Seguras” resulta de um protocolo assinado entre a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) e a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE).

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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