Gavião | O que são as Santas Relíquias da Festa anual de Belver?

A freguesia de Belver, no concelho de Gavião, celebra este fim de semana as habituais festas das Santas Relíquias organizadas pelo Clube Recreativo e Desportivo Belverense. Contrariamente ao que sucedeu em 2017, por causa dos incêndios florestais que assolaram o concelho, as festas animam a população com os habituais petiscos e concertos musicais. Mas afinal o que são as Santas Relíquias? O mediotejo.net explica.

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As festas surgem em honra das Santas Relíquias, isto porque num dos altares da Igreja Matriz de Belver encontra-se uma arca com as ditas. Para dignifica-las realiza-se a festa anual da terra. São relíquias que diz-se terem vindo da Terra Santa.

Na Idade Média, Belver era uma terra de Hospitalários, também chamados de Ordem de Malta fundada em Jerusalém, que foi evoluindo à sombra do castelo que é Hospitalário, do século XII, do reinado de Dom Sancho I. As relíquias foram entregues ao Grão Prior da Ordem de Malta que as foi ‘colecionando’, as mesmas que se encontram na arca da Igreja Matriz.

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“E as relíquias são o anel de São Brás que era bispo, cabelos de Maria Madalena, palhinhas da manjedoura do menino Jesus, ossos… ou seja, aquilo que a imaginação da Idade Média criou à volta das relíquias e do negócio” que envolveram as Santas Relíquias por todo o mundo cristão, explica o professor Carlos Grácio.

No castelo de Belver está ainda a Capela de São Brás, construção do século XVI, que ostenta um retábulo/relicário “em pau santo ou pau ferro, as opiniões dividem-se”, refere Carlos Grácio, mas é por certo de “madeira exótica”, dedicado ao bispo São Brás.

Outra lenda relata então que as Santas Relíquias foram depositadas nessa Capela, pelo Infante D. Luís (filho do rei D. Manuel I), local de onde foram roubadas.

Todo o retábulo é composto por pequenas esculturas que têm um buraco no peito e a maioria não tem mãos, precisamente para guardarem o conjunto de relíquias que se diz terem sido trazidas da Terra Santas pelos Cavaleiros Hospitalários.

Do culto das Santas Relíquias, fenómeno de religiosidade popular enraizado na população de Belver, nasceram os festejos.

Este ano, as Festas, além da “boa bebida e comida”, contam com atuações, novos espaços, espaço kids melhorado, e animação sempre presente.

Este domingo, dia 19, Marco Morgado e o Rancho Folclórico do Biscainho encerram as festividades.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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