Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Sexta-feira, Setembro 17, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Gavião | Nos 500 anos do Foral, ministra diz que “tem de regressar quem partiu por falta de oportunidade”

A ministra da Coesão Territorial esteve em Gavião no sábado, nas comemorações dos 500 anos do Foral manuelino, e deixou garantias aos territórios do interior: apoiar as autarquias e as empresas na missão de trazer e fixar pessoas. Em dia de feriado municipal, Ana Abrunhosa foi clara: não promete o que não pode cumprir mas comprometeu-se com “trabalho próximo e dedicado” na criação de oportunidades. “Temos de ajudar a regressar quem partiu por falta de oportunidade”. Por seu lado, o presidente da Câmara Municipal, José Pio, disse que em Gavião “não nos vergamos à nossa interioridade”.

- Publicidade -

A sessão solene evocativa dos 500 anos do Foral Manuelino de Gavião ficou marcada pela interioridade e pela coesão territorial. Designadamente porque contou com a presença da ministra Ana Abrunhosa que garantiu aos gavionenses, que atualmente deverão rondar os 3500 a residir no concelho, que o Ministério “está cá para os ajudar”. A terra onde se cultivou arroz pela primeira vez em Portugal “ não pode e não ficará sozinha”.

Em declarações ao jornal mediotejo.net, a ministra da Coesão Territorial assinalou o problema do interior: “faltam pessoas”, inclusivamente “há sítios, nomeadamente aldeias, onde vai ser muito difícil recuperar população” mas “mesmo nesses sítios as pessoas que lá vivem têm de ter acesso a todos os bens, serviços, lazer e cultura. Isto é coesão!”, afirma.

- Publicidade -

Para Ana Abrunhosa coesão implica também competitividade, ou seja, “desenvolvermos os territórios, e só se faz com pessoas, que vêm se tiverem uma oportunidade de vida, de carreira. Sabemos que no interior há qualidade de vida, e é no interior que as autarquias dão mais apoios às famílias e às empresas. A única maneira de trazer pessoas, empresas, associações, porque na área social o terceiro setor é já muito importante em alguns territórios do interior, na área cultural existem também territórios em franco desenvolvimento tendo em conta a riqueza, a cultura, tradições e identidade destes territórios com enorme potencial”.

Dia do Município, comemorações dos 500 anos do Foral de Gavião., com a presença da ministra Ana Abrunhosa. Com a lvencedora do concurso de fotografia. Créditos: mediotejo.net

A ministra recusa que o despovoamento do interior seja um fenómeno recente e fala num “processo que em alguns pontos do País é possível ir contrariando, mas mesmo aqueles casos que são de sucesso como Ponte de Sor, se virem a evolução da população, continua a diminuir por se tratar de uma população envelhecida” nota.

Fala, por isso, num projeto contínuo de trabalho com os locais, mas “não se faz só com a exploração de recursos endógenos. Faz-se diversificando a atividade económica. E fazer é apoiar financeiramente e discriminar, diferenciar. Nisso entra a política pública, é tratar diferente o que é diferente”. Segundo a ministra, essa ação passa por dar “mais e melhores apoios às empresas que se fixam no interior e às famílias”.

No entanto, essas medidas concretas não passam pela redução de impostos ou abolição de portagens, mas pela mudança de mentalidade. “As medidas transversais são facilitadoras para quebrar a barreira psicológica” que, na opinião da governante, as pessoas do litoral têm em relação ao interior, contudo “é nesses territórios que se consegue conciliar da melhor forma a vida familiar com a profissional”.

Admite “uma diferença no rendimento disponível das famílias” com a abolição ou diminuição das portagens e impostos” contudo, para Ana Abrunhosa, tais medidas não bastam para atrair novos residentes.

A diferença passa por saberem que “podem criar os seus filhos com a qualidade de vida que não têm nos sítios onde hoje vivem e trabalham. As pessoas não vêm se não houver habitação, temos de ter a certeza que os centros de saúde funcionam bem, que há escolas para os filhos desses quadros. E os critérios que têm sido presididos à fixação desses serviços não têm sido favoráveis ao interior”, reconheceu.

Dia do Município, comemorações dos 500 anos do Foral de Gavião., com a presença da ministra Ana Abrunhosa. Créditos: mediotejo.net

Sobre a falta de mão de obra no interior a ministra garante que falta igualmente no litoral. “O que era um fator desfavorável da interioridade hoje é um fator favorável. Temos grandes grupos que estudaram Lisboa e a primeira coisa que nos reportam é essa falta de mão de obra, que é muitas vezes trazida pelas empresas e trazem-na muito mais facilmente para o interior do que para o litoral”, assegura.

Portanto, vinca que a solução passa pela criação de “atratividade nestes territórios, porque são as empresas que vão trazer os trabalhadores” situação que já acontece em Lisboa.

Ana Abrunhosa falou ainda na barragem do Pisão, no distrito de Portalegre, um dos dossiers que lhe foi transmitido durante a transição de pastas. “Está a ser feito um estudo para percebermos a viabilidade do projeto e se percebermos que é viável, porque a possibilidade é grande, temos de pôr mãos obra”.

VEJA AQUI A INTERVENÇÃO DA MINISTRA DA COESÃO TERRITORIAL:

Gavião / Sessão solene das comemorações dos 500 anos do Foral de Gavião, em dia de feriado municipal. Intervenção da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa.

Publicado por mediotejo.net em Sábado, 23 de novembro de 2019

A propósito dos territórios de baixa densidade demográfica, o presidente da Câmara Municipal de Gavião, José Fernando Pio, disse, durante a sessão solene, que os gavionenses não se vergam à sua interioridade, dando conta da “aposta clara” do Município no Turismo.

“No próximo ano e fruto deste trabalho perspetivo um ano muito exigente a todos os níveis. Serão colocados em marcha um conjunto de projetos que trarão no futuro um maior desenvolvimento económico e sustentabilidade para o Município beneficiando não só empresas, mas sobretudo as pessoas” disse, indicando exemplos como “o ninho de empresas não tecnológicas, a antiga Casa do João Ascensão, a piscina coberta e a Rua 23 de novembro terão obras de requalificação”.

José Pio mencionou ainda que “A Casa do Seminário será requalificada […] transformada em Museu e albergará a magnífica coleção de carros de atrelar que atualmente se encontram na quinta da Margalha. A Ribeira da Venda, um espaço ímpar de lazer e descanso, terá no próximo verão a tão reclamada piscina para adultos. Em Vale de Gaviões, única sede de freguesia sem parque infantil, requalificaremos o espaço municipal junto da estrada municipal dando lugar a um espaço para mercados e feiras, um parque infantil, uma zona de lazer e vários lugares de estacionamento”.

Dia do Município, comemorações dos 500 anos do Foral de Gavião., com a presença da ministra Ana Abrunhosa. Créditos: mediotejo.net

Também referiu “a aquisição da antiga escola velha de Belver e a sua transformação em quintal desportivo” como outro projeto que motiva o Executivo municipal, tal como “a finalização dos esgotos das Torres, um projeto algumas vezes adiado que acreditamos finalmente ter condições para concretizar”.

O presidente garantiu que “a resiliência fará do concelho de Gavião, um concelho com futuro, onde as obras que consideramos estruturantes não vão impedir que continuemos a ser um concelho amigo das famílias”.

No que toca a taxas municipais e impostos José Pio frisou que a taxa de “IMI é mantida, praticada no valor mais baixo permitido por lei, isentamos de derrama as empresas localizadas no território, devolvemos aos munícipes os 5% de IRS que cabiam ao Município, apoiamos os primeiros 3 anos de vida de todos os nascidos no concelho, apoiamos a aquisição de casa própria dos jovens casais, somos parceiros ativos na Educação oferecendo gratuitamente todos os cadernos de atividades às crianças que frequentam o 1º ciclo, auxiliando ainda a aquisição dos manuais no 2º e 3º ciclo em função das receitas do agregado familiar, colaboramos no pagamento dos transportes escolares e nas refeições, atribuímos bolsas de estudo a todos os estudantes do ensino superior que se candidatem e cumpram o respetivo regulamento”.

Recorde-se que as comemorações arrancaram em 23 de novembro de 2018, feriado municipal e dia da outorga do Foral, tendo sido realizadas ao longo do ano diversas conferências, atividades com as escolas, exposições, lançamento de livros, atividades desportivas, culturais entre outras através das quais se pretende dar a conhecer um pouco da história e a arte daquele documento.

“A outorga do Foral Manuelino assume um valor primordial para a história do concelho de Gavião, porque foi um marco na reforma do poder local. Os Forais Manuelinos na época foram de grande relevância para as populações pois vieram normalizar o sistema contributivo do reino e reunir num só documento outras determinações até aí dispersas. D. Manuel I deu um forte contributo à organização municipal”, lembrou também o presidente.

Dia do Município, comemorações dos 500 anos do Foral de Gavião., com a presença da ministra Ana Abrunhosa. Créditos: mediotejo.net

Durante a sessão solene todos os trabalhadores do Município receberam uma medalha condecorativa e um certificado de qualidade de funcionário. E subiram ao palco para serem agraciados todos os elementos da comissão de honra das comemorações dos 500 anos do Foral, entre eles Jaime Estroninho, ex-presidente da câmara que abriu a sessão solene com um discurso centrado na História do concelho.

No final da sessão Ana Abrunhosa foi presenteada com o livro “O Foral de Gavião visto por uma criança” de Beatriz Grácio e Maria Inês Claro.

Depois da cerimónia foi inaugurado o Monumento Comemorativo da Atribuição do Foral a Gavião na Alameda 25 de Abril, uma obra do escultor Santos Carvalho.

E atribuído o primeiro prémio do Concurso de Fotografia “Do Passado ao Presente 500 anos com História e Tradição” que coube a Susana Isabel da Silva, entregue igualmente na Alameda 25 de Abril, pela ministra da Coesão Territorial.

Este domingo, dia 24, há Missa solene pelas 10h00 na Igreja Matriz de Gavião, presidida pelo Bispo de Portalegre e Castelo Branco, Antonino Dias, com transmissão em direto na RTP.

Às 15h00 abre o Mercado de Natal e as comemorações encerram com um concerto de Luís Represas com a participação do Orfeão da Comenda ‘Estrela da Planície’, no Cineteatro Francisco Ventura.

Dia do Município, comemorações dos 500 anos do Foral de Gavião., com a presença da ministra Ana Abrunhosa. Inauguração da escultural. Créditos: mediotejo.net

VEJA O PROGRAMA ATUALIZADO:
Domingo 24 de Novembro de 2019
10H30 – Missa Solene na Igreja Matriz de Gavião, presidida pelo Bispo de Portalegre e Castelo Branco, Antonino Dias. Participação e acompanhamento do Coro Misto da Covilhã sob a direção do maestro Luís Cipriano. Transmissão em direto na RTP.
15H00 – Abertura do Mercado de Natal
21H00 – Espetáculo de Encerramento das comemorações – Concerto com Luís Represas e participação do Orfeão da Comenda – Estrela da Planície – Cineteatro Francisco Ventura.

 

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome