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Sexta-feira, Outubro 22, 2021

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Gavião | Hip Hop em português coloca Comenda na rota dos festivais de Verão

O único festival nacional dedicado exclusivamente ao hip hop em português arrancou na quinta-feira na localidade de Comenda, em Gavião. No arranque da segunda edição, o cabeça de cartaz foi Boss AC, na sexta-feira foi Wet Bed Gang, e no sábado atuou Gabriel o Pensador, entre outros artistas. Este domingo, a encerrar os quatro dias de rimas e improvisos, atua Dealema, um dos mais antigos grupos do hip hop português. O mediotejo.net esteve no festival para contar como se vive a festa do hip hop nacional por terras de Gavião.

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Afirmar que o hip hop e o rap são a aposta do festival Beast Fest, que este ano regressou à Ribeira da Venda, em Gavião, já não é novidade. Comenda volta a ser dominada por um público bastante jovem. No local, instalou-se um verdadeiro Beat Camp para viver 4 dias ao compasso das rimas e improvisos de vários nomes conhecidos do rap e hip hop nacional e até fora de portas como Boss AC, Dealema, Wet Bed Gang e o internacional Gabriel o Pensador.

Beat Fest 2019, em Comenda, Gavião. Créditos: CMG

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A noite de sexta-feira foi orientada para os estilos de música urbana, com Wet Bed Gang, o rap e hip hop tuga de Vialonga, Malabá o rapper criativo da Margem Sul, Domi, uma jovem promessa, e a rapper Chong Kwong, nascida na Cova da Moura com sangue chinês, cabo-verdiano, moçambicano e timorense como maiores destaques do dia.

Beat Fest 2019, em Comenda, Gavião. Recinto de concertos. Créditos: mediotejo.net

Mas o Beat Fest é muito mais do que música, é um lugar de encontro de jovens no interior do País. Durante quatro dias a praia fluvial da Ribeira da Venda conta com inúmeras tendas de campismo onde os festivaleiros residentes aproveitam ao máximo o convívio com familiares e amigos, confiantes no talento nacional que sai das batidas do palco instalado ao fundo do recinto.

Um único palco, ladeado por dois ecrãs gigantes e por diversos bares e stands de comida. Há frente a piscina da zona de lazer, com uma grande área de mesas onde todos aproveitavam para degustar as iguarias que trouxeram de casa ou que compraram na oferta disponível no recinto.

Mais atrás o parque de campismo e a Ribeira, este ano sem mergulhos porque “devido à seca não tem água o que implica águas estagnadas e não é possível ir a banhos”, explicou ao mediotejo.net António Severino, vice-presidente da Câmara Municipal de Gavião e responsável pelo festival.

Beat Fest 2019, em Comenda, Gavião. Créditos: CMG

Aliás, tendo em conta os dias abrasadores “a questão da piscina é um dos pontos que vamos tentar melhorar no próximo ano, porque a existente é de pequena dimensão, para crianças, embora os adultos possam ali refrescar-se. Temos um projeto em mente para melhorar as condições deste espaço, e colocar aqui uma piscina não só durante o festival mas também durante o verão”, adiantou.

Trata-se da segunda edição do Beat Fest com o atual formato, embora o festival municipal exista desde 2015, sendo as primeiras três edições numa versão de Festival da Juventude, com entrada livre.

Beat Fest 2019, em Comenda, Gavião. Zona de primeiros socorros, bombeiros e proteção civil. Créditos: mediotejo.net

“Tentamos melhorar ano após ano. Em primeiro lugar queremos que os festivaleiros tenham o máximo de segurança durante estes quatro dias. Para os campistas foram dadas mais condições a nível de sombra, alguns processos de segurança foram modificados, há mais segurança para os campistas. Para a participação nos concertos também foi criado um novo modelo de segurança. No ano passado havia uma junção entre o parque de campismo e a zona de espetáculos, este ano não acontece, há uma divisão física. Por outro lado criou-se uma nova entrada que facilita nomeadamente as saídas de emergência”, explica o vice-presidente.

O ambiente é uma preocupação cada vez mais vincada neste tipo de festivais de verão e o Beat Fest não é exceção. “Criámos o modelo da compra do copo por 80 cêntimos, que é utilizado durante toda a noite. Nota-se uma melhoria ambiental. No final dos concertos praticamente não há copos espalhados pelo chão”.

Beat Fest 2019 em Comenda, Gavião. Foto: CMG

Não obstante, a organização do festival contratou “uma equipa de limpeza permanente que está 24 horas a limpar o recinto. Além disso, tentamos através das redes sociais incutir algumas medidas para que todos os festivaleiros tenham esse cuidado” ambiental, nota.

Beat Fest 2019, em Comenda, Gavião. Zona de campismo. Créditos: mediotejo.net

A edição de 2019 viu ainda reforçado número de casas-de-banho e duches “de forma a corresponder e dar resposta a todos os que vão passar pelo festival nestes quatro dias”, indicou.

Explica António Severino que o primeiro objetivo do Município de Gavião passa por “consolidar este modelo” em 2019. No futuro “torna-lo o mais sustentável possível, ou seja, atrair o maior número de pessoas porque a nível de espaço temos muito por onde crescer por isso temos todas as condições para tornar este festival de verão, nacional e de referência”.

Beat Fest decorre até domingo em Comenda, Gavião. Foto: CMG

Estacionar também não é problemático, tal como o mediotejo.net constatou. “Temos estacionamento para todos. Fizemos limpeza dos terrenos à volta do espaço também com a ajuda dos proprietários, que colaboraram connosco, criámos uma zona restrita para os autocarros porque temos um circuito de transporte não só a nível do distrito mas também em concelhos vizinhos. Temos muito espaço para tornar este festival uma referência a nível nacional”, insiste António Severino.

Beat Fest 2019, em Comenda, Gavião. Recinto de concertos. Créditos: mediotejo.net

Além dos agentes económicos do concelho o Beat Fest conta com quatro agentes económicos do exterior do concelho. Para tal o Município criou um regulamento próprio para o festival “onde as pessoas puderam concorrer e depois mediante alguns critérios foram ou não selecionadas”.

Entre os exemplos “agentes de comida rápida, um agente económico do concelho com uma loja de tatuagens na Comenda e que se quis associar ao festival e três associações da freguesia. E estamos a tentar dar resposta para que todos os agentes económicos e associações da freguesia da Comenda possam participar. Por isso, é um motivo de orgulho ver que as pessoas estão connosco”, conclui.

Rafael Peres chegou à Comenda vindo de Lisboa, pelo segundo ano no Beat Fest. “Voltei porque gosto de hip hop e o hip hop tuga é o meu estilo de música”, refere, dando conta de optar pelo campismo durante quatro dias em Ribeira da Venda. No entanto, apesar da música, o convívio “é o mais importante”. Para Rafael, Dealema é o seu grupo de eleição.

Beat Fest 2019, em Comenda, Gavião. David Peres, Bruno Lopes, Alexandre Lopes, Rafael Peres e Rui Datia no recinto de concertos. Créditos: mediotejo.net

Já Rui Datia veio de Alvega, do concelho vizinho de Abrantes, mas também o jovem de 19 anos opta por permanecer quatro dias no parque de campismo. Pela primeira vez no Beat Fest, diz gostar “do convívio e de hip hop”. Questionado sobre a experiência afirma ser “o melhor de sempre! Música, piscina, bebidas… só durmo na segunda-feira”, ri, garantindo que em 2020 “estou cá outra vez!”.

O igualmente alveguense David Peres tem 27 anos e revela não ser um novato nesta andança dos festivais de verão. Lembra ser o quarto ano no festival da Comenda. “Nos primeiros dois anos foi diferente, vários artistas, vários estilos musicais. Já é habitual!”, diz, referindo-se à união da “malta”, familiares e amigos na prazenteira missão do companheirismo.

Alexandre Lopes tem 20 anos e trabalha como carvoeiro em Comenda, aldeia à qual regressa, nestes dias de férias, para acampar. Talvez pela proximidade, e conhecedor do anterior festival da juventude, diz preferir o modelo anterior. “Era um festa para pessoas da região, com outro estilo de música, com melhores DJ’s além de espetáculos gratuitos”, opina. Seja como for, e apesar das questões “restritivas” da segurança, é outro festivaleiro que conta regressar na próxima edição.

Beat Fest 2019, em Comenda, Gavião. Atuação de Chong Kwong. Créditos: mediotejo.net

Por seu lado, o irmão, Bruno Lopes, considera o atual formato “igualmente bom. Agora há wifi gratuito, zonas para carregar os telemóveis, redes de segurança. Um festival diferente com vantagens e desvantagens. É certo que existem mais regras! E em relação ao ano passado nota-se uma melhoria nos equipamentos, mais stands de comida e bebidas e mais casas-de-banho”, observa.

Recorda ainda o prémio oferecido, no primeiro ano, aos primeiros que montaram a tenda no parque de campismo. “Fomos nós! Ganhámos uns chapéus amarelos e a partir daí ficámos conhecidos como os ‘chapa-amarela’”, ri.

Igualmente animado estava Luís Carvalho de Ponte de Sor. Aos 16 anos, o jovem e mais dois amigos, Maria Jordão e Miguel Fernandes, todos da mesma idade, apanharam o autocarro e vieram até ao festival.

Beat Fest 2019, em Comenda, Gavião. Luís Carvalho, Maria Jordão e Miguel Fernandes no recinto de concertos. Créditos: mediotejo.net

Luís veio pelo cartaz. Gosta particularmente de Wet Bed Gang e o local também é “agradável”. Se repete a experiência para o ano? Dependerá do cartaz, afirma. Contrariamente a Luís, Maria é repetente no festival da Comenda. “O recinto está diferente. Há mais segurança para os campistas”, observa. Também ela é fã dos Wet Bed Gang e uma habitual frequentadora de festivais regionais, como o do Crato, exemplificou.

Dando relevância ao convívio, Miguel Fernandes considera o festival “uma boa iniciativa que ajuda a dinamizar o encontro de jovens. Fazem falta iniciativas semelhantes no interior do País”, considera.

Beat Fest, ou a festa nacional do hip hop em Comenda, Gavião. Foto: CMG

No terceiro dia do festival, no sábado, subiram ao palco M.A.C., Plutónio, NGA e Gabriel O Pensador. O último dia do evento, este domingo, conta com as atuações de Grilocks, Deau, Valas e Dealema. Para além de concertos, haverá música pela madrugada dentro com os DJ Big e Guze. O festival arranca diariamente às 20h00.

Beat Fest 2019, em Comenda, Gavião. Atuação de Malabá. Créditos: mediotejo.net

As primeiras três edições foram gratuitas, mas desde o ano passado que o Beat Fest não oferece entrada livre. Os bilhetes continuam disponíveis na ticketline ou podem ser comprados no local e custam 10 euros (bilhete diário) ou de 24 a 28 euros (passe dos quatro dias). Um preço considerado “justo” para a qualidade dos artistas em cartaz”.

VEJA AQUI OS VÍDEOS:

Gavião / Segundo dia do festival de hip hop Beat Fest em Comenda. Atuação de Chong Kwong.

Publicado por mediotejo.net em Sexta-feira, 2 de agosto de 2019

 

2 dia ( sexta feira ) do maior festival HIP POP do país -BEAT FEST – hoje mais uma grande noite a vossa espera

Publicado por Câmara Municipal de Gavião em Sábado, 3 de agosto de 2019

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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