Gavião | Grupo francês investe 173 milhões de euros na construção de duas centrais de energia solar

Estes projetos, que se estendem pelos concelhos vizinhos de Abrantes e Nisa, "têm a potencialidade de contribuir para a captação de investimento e de emprego, tão necessários ao desenvolvimento económico e social" do Gavião, disse o presidente José Pio ao nosso jornal.

No concelho de Gavião vão nascer duas centrais solares; a da Margalha e a do Polvorão. Ambas em consulta pública, estendem-se pelos concelhos vizinhos de Abrantes e Nisa respetivamente. Durante a fase de exploração, 30 anos, prevê-se a criação de 5 a 6 postos de trabalho para cada uma. Para a Central Solar Fotovoltaica de Margalha estima-se um investimento na ordem dos 95 milhões de euros; para a Central Solar do Polvorão, um investimento de 78 milhões de euros.

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A Central Solar Fotovoltaica de Margalha localizar-se-á em parcelas de terreno descontínuas com uma área total de cerca de 329 ha, na freguesia de Margem e na União de Freguesias de Gavião e Atalaia. Da área global das parcelas, cerca de 74,5 ha serão ocupados com painéis solares.

Por sua vez, a Linha Elétrica de Muito Alta Tensão, com um comprimento total de cerca de 21 Km, desenvolver-se-á ao longo das freguesias de Gavião, União de Freguesias de Gavião e Atalaia; e de Abrantes, na União de Freguesias de Alvega e Concavada; na União de Freguesias de São Facundo e Vale das Mós; e na Freguesia do Pego.

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Esta Linha Elétrica liga a subestação da Central Solar Fotovoltaica de Margalha ao Posto de Corte do Pego (ponto de interligação ao Sistema Elétrico de Serviço Público), propriedade da REN, no concelho de Abrantes.

A Central Solar Fotovoltaica de Margalha é um centro eletroprodutor, com uma potência de ligação de 120 MVA, que aproveita a energia solar utilizando tecnologia fotovoltaica. Toda a energia elétrica gerada será entregue à rede pública de distribuição, sendo necessário, para o efeito, construir a Linha Elétrica, à tensão nominal de 400 kV, que fará a ligação ao Posto de Corte do Pego.

Esta Central será composta por geradores solares de corrente contínua, inversores que convertem esta corrente em alternada, transformadores elevadores de tensão, assim com uma subestação e edifícios de apoio. Terá ainda outros sistemas auxiliares que garantirão o funcionamento da mesma, nomeadamente, sistema de videovigilância e segurança e sistema de monitorização.

A duração da fase de construção está estimada em cerca de 10 a 12 meses. Prevê-se que os trabalhos de construção envolvam em média 100 trabalhadores permanentes e 400 em período de pico.

Com um período de exploração de 30 anos, a Central Solar Fotovoltaica de Margalha terá em permanência no terreno durante a operação, 5 a 6 trabalhadores afetos à instalação.

O promotor responsável pelo desenvolvimento da projeto é a empresa Amarguilha, Unipessoal Lda., e a obra é do grupo francês Akuo Energy SAS, um produtor de energias a partir de fontes renováveis criado em 2007, em França.

Tanto a Câmara Municipal como a Assembleia Municipal de Gavião reconhecem o interesse público municipal para a central fotovoltaica a instalar na Margalha, fundamentando que “é inegável o contributo que a instalação e funcionamento da referida Central para a produção de energias renováveis e, em última análise, para a economia nacional, ainda tão dependente da importação de energia elétrica”.

Esta Central “tem a potencialidade de contribuir para a captação de investimento e de emprego, tão necessários ao desenvolvimento económico e social” do concelho, disse o presidente José Pio ao nosso jornal.

Relativamente ao Plano Diretor Municipal, a autarquia dá conta que estarem em curso os trabalhos de Revisão do PDM de Gavião, “sendo intenção da Câmara Municipal, incluir nessa revisão, a possibilidade genérica de instalação de centrais de produção de energia a partir de fontes renováveis, tornando compatível com usos do solo a vigorar, a avaliar caso a caso pelas entidades competentes para o efeito”.

A avaliação de impacte ambiental da Central Solar Fotovoltaica de Margalha encontra-se em consulta pública até ao dia 10 de dezembro de 2020.

Planta da Central Solar Fotovoltaica da Margalha

Em fase de consulta pública encontra-se também a Central Solar Fotovoltaica de Polvorão, até dia 17 de novembro, e segundo o Estudo de Impacte Ambiental a Central enquadra-se, no cumprimento de objetivos e metas na redução do consumo de energia, garantindo o cumprimento dos compromissos assumidos por Portugal no âmbito das políticas europeias de combate às alterações climáticas.

A Central Solar Fotovoltaica de Polvorão (100 MW), e respetiva Linha Elétrica associada irá localizar-se na freguesia da Comenda, também no concelho de Gavião. Por sua vez a Linha Elétrica, com um comprimento total de cerca de 13 Km, desenvolver-se-á ao longo das freguesias da Comenda, da União de Freguesias de Arez e Amieira do Tejo e da freguesia de São Matias, estas últimas freguesias do concelho de Nisa.

A Central Solar Fotovoltaica de Polvorão também aproveita a energia solar utilizando igualmente painéis fotovoltaicos. Toda a energia elétrica gerada será entregue à rede pública de distribuição, sendo necessário, então, construir uma Linha Elétrica, à tensão nominal de 400 kV, que fará a ligação à Subestação da Falagueira (propriedade da REN), no concelho de Nisa.

A obra é da responsabilidade da Solstido Unipessoal Lda., uma sociedade comercial detida a 100% pela Akuo Renováveis Portugal, filial portuguesa do mesmo grupo francês, a Akuo Energy SAS. Tal como a da Margalha, o período de exploração da Central Solar Fotovoltaica de Polvorão será de 30 anos. Em termos de pessoal em permanência no terreno durante a operação, antecipa-se a presença de 5 a 6 trabalhadores afetos à instalação.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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