Gavião | APFLOBEV preocupada por falta de formação a Sapadores Florestais por causa da covid-19

Incêndios |Todos os trabalhos rurais proibidos até à meia-noite de terça-feira - Governo

A Associação de Produtores Florestais da Freguesia de Belver (APFLOBEV) está preocupada com a limpeza dos terrenos e com a manutenção da equipa de Sapadores Florestais que iniciou trabalho em setembro de 2019. A meteorologia instável e a problemática da covid-19 também não ajudam, tornando aquela freguesia de Gavião, bastante fustigada pelos incêndios de 2017, mais vulnerável. A acrescentar, a fiscalização em relação à limpeza dos terrenos nas faixas de gestão de combustível promete ser mais intensa, em 2020, uma vez que Belver é uma das 1114 eleitas como prioritárias em termos de prevenção.

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Com o verão à porta, a equipa de Sapadores Florestais da Associação de Produtores Florestais da Freguesia de Belver (APFLOBEV), não pode entrar em ação se o pior acontecer. E o pior cenário é o fogo. Isto porque devido à pandemia da covid-19, os cinco operacionais viram a formação para combate a incêndios adiada, o que impossibilita a sua atuação em termos de primeira intervenção em caso de incêndio. Por outro lado, a equipa poderá fazer a vigilância de incêndios e continua a fazer limpeza de terrenos (silvicultura preventiva) a quem o solicite.

A Associação respondeu ao desafio lançado pelo Governo e criou uma brigada de Sapadores Florestais tendo em conta que a freguesia é rural, despovoada e a população bastante envelhecida, mas o novo coronavírus provocou “um atraso” significativo no desenvolvimento dos projetos que pretendem minimizar o risco de incêndio florestal, disse ao mediotejo.net Célia Ramalho, engenheira responsável pela coordenação desses projetos na APFLOBEV.

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Em casa, no apoio aos filhos, Célia confessa dificuldades em acompanhar as equipas no terreno e “receber as requisições” que chegam à Associação. “Não tem sido fácil! Vamos tentando conciliar com o chefe de equipa que tem feito esse trabalho. É um dia de cada vez”, desabafa.

Além do trabalho de limpeza da floresta, a APFLOBEV tem três candidaturas aprovadas – projetos no âmbito da estabilização de emergência pós incêndios – de um total de seis, algumas ainda em avaliação, ao PDR2020, uma iniciativa do Estado português em conjunto com a União Europeia, para o desenvolvimento rural.

Os projetos “demoraram imenso tempo a serem aprovados, finalmente andamos a desenvolver, ou seja, limpar linhas de água e fazer plantações de freixo. Temos um projeto para as áreas onde havia pinheiro bravo que vamos substituir maioritariamente por medronheiros, pinheiros mansos e sobreiros nas zonas onde já havia. Depois temos outros projetos para áreas agrícolas que ainda estão em análise” explica Célia Ramalho.

Trabalhos executados na Torre Fundeira, na Quinta das Sete Fontes, junto ao Rio Tejo, e também uma zona em Pessegueiro Moiteira, junto à A23. “Terrenos limpos para serem reflorestados em outubro, porque agora já não era época de plantação de árvores”, vinca.

Enquanto isso, a equipa de Sapadores Florestais trabalha “na limpeza das povoações da freguesia de Belver” contratada pela Junta de Freguesia. Desde setembro último, quando tiveram formação para uso e manutenção de maquinaria e equipamento em operações florestais, que minimizam risco de fogo rural. Mas falta “a formação para atuarem na primeira intervenção em caso de incêndio. Não podem fazê-lo! Porque devido à pandemia todas as formações foram canceladas. Ou seja, se chegar o período crítico poderão fazer vigilância mas não poderão fazer uma primeira intervenção se for caso disso”.

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Situação que agrava “muitíssimo” as preocupações da Associação. Isto num ano “com alguma chuva, em que a meteorologia permanece instável, fazendo crescer a vegetação,  matéria combustível no terreno. Muita erva, maior perigo de incêndio”, nota.

Célia Ramalho adianta que “alguns proprietários já procuraram a APFLOBEV para a limpeza dos seus terrenos” mas “poucos” até ao momento. “Como é uma população envelhecida dificilmente as pessoas terão alguém que faça esse serviço. Ou seja, ao não requisitarem os nossos serviços é porque não estão a limpar os terrenos”, outro fator de preocupação.

Considera que com o prorrogação do prazo até 31 de maio, data limite para limpar terrenos no âmbito das medidas de prevenção de incêndios rurais, agora “as pessoas irão retrair-se um pouco, porque vai voltar a chover, e se limpam a erva volta a crescer”. Cenário que leva a engenheira a acreditar que “o pico de solicitações dos pedidos de limpeza acontecerá no próximo mês”.

Além disso, por causa da pandemia e se a situação epidemiologia se mantiver “por muito mais tempo” a Associação teme que “as pessoas por dificuldades financeiras não recorram” aos serviços de limpeza prestados pela equipa de Sapadores Florestais.

A responsável afirma que a APFLOBEV “não tem como pagar os vencimentos dos Sapadores a não ser através da prestação de serviços. Porque o Fundo Florestal Permanente comparticipa anualmente com uma verba que é insuficiente para cobrir todas as despesas”. E nessas contas insere-se as máquinas para a realização das limpezas, respetivo combustível, manutenção, seguros pessoais e automóveis, etc, nota.

Na situação atual “o maior receio” da APFLOBEV passa por “não conseguir manter a equipa de Sapadores” afirma, o que poderá deitar por terra as ambições da Associação, no que toca à prevenção e combate a fogos rurais, depois dos incêndios de 2017 que queimaram grande parte do território da freguesia.

Segundo a agência Lusa, no âmbito da Operação Floresta Segura 2020, a Guarda Nacional Republicana identificou 23.968 situações de incumprimento na limpeza de terrenos florestais e instaurou 290 autos de contraordenação por queimas e queimadas, dos quais regista oito pessoas detidas e 44 identificadas pelo crime de incêndio florestal.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Boa noite. Onde podem os proprietários locais encontrar informação detalhada sobre os serviços e honorários prestados pela Associação?

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