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“Ganância, sem pudor ou vergonha”, por Helena Pinto

O ano de 2020 está quase a terminar. Atrevo-me a dizer que é desejo unânime que caia a folha do calendário. Que venha 2021. A boa notícia neste final de ano é a vacina contra o COVID19. Significa esperança e faz tanta falta acreditar que é possível sair desta pandemia.

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Não se vão operar mudanças significativas por artes mágicas, a folha que cai do calendário não leva consigo os males da Humanidade. Há até alguns males que já vêm de trás e teimam em ficar, apresentam-se como intocáveis.

Este ano termina com um péssimo sinal: o aumento de salário dos administradores da TAP. Assim mesmo, sem pudor ou vergonha.

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Os administradores das empresas ganham rios de dinheiro, milhares de milhões, nem sequer terão tempo de vida suficiente para gastar uma parte daquilo que ganham. E ainda nos dizem que têm mesmo que ser bem pagos para serem bons gestores, mais vale pagar bem e em troca ter bons resultados. Basta lembrar os casos de Zeinal Bava, António Mexia ou Jardim Gonçalves e a sua choruda reforma depois de ter causado tantos prejuízos ao banco. Estamos conversados sobre os “bons resultados”….

Tudo isto é chocante, escandaloso e devíamos todos e todas sentir repulsa por esta gente. Não se trata de ser bem pago, trata-se do pagamento ser um insulto à maioria dos portugueses e portuguesas.

A pandemia trouxe morte, doença, tristeza, vazio, desemprego, baixa de salário, dívidas para fazer face às despesas da família. Nunca foi verdade a frase tantas vezes repetida “vamos ficar todos bem”. Os impactos desta pandemia são bem diferentes consoante a situação de cada um e de cada uma.

Serão absolutamente diferentes para o trabalhador da TAP que já sabe que vai ser despedido ou para o trabalhador que já sabe irá ter um corte salarial de pelo menos 25% e para os administradores da TAP que viram os seus salários aumentarem e em alguns casos duplicarem com retroactivos a Setembro passado.

Quem não levantar a voz contra este acto de pura ganância e desrespeito por todos que sofrem com esta pandemia, não merece respeito.

Não há lei que obrigue o Governo a não condenar esta situação. Não há Lei que impeça o Governo de bater o pé aos administradores da TAP e não há Lei que impeça que lhes seja apontada a porta da rua.

Não é com gente assim que se salvará a TAP!

Que venha 2021 e nos traga saúde e força.

Nota: Não posso deixar de referir que Miguel Frasquilho declarou que não aceita o aumento. Depois de ser notícia, mas não aceitou.

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Helena Pinto
Helena Pinto, vive na Meia Via, concelho de Torres Novas. Tem 58 anos e é Animadora Social. Foi deputada à Assembleia da República, pelo Bloco de Esquerda de 2005 a 2015. É atualmente Vereadora na Câmara de Torres Novas. Escreve no mediotejo.net às quartas-feiras.

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