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Quinta-feira, Outubro 28, 2021

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Futsal/Ferreira do Zêzere | Miguel Ferreira: “antes de ser exigente com eles sou comigo” (c/vídeo)

No currículo de Miguel Ferreira acumulam-se títulos e taças. No futsal descobriu um jogo mais técnico e mais ético que o futebol de 11 tradicional, não escondendo porém a exigência e a análise minuciosa que coloca ao trabalho em campo. Ao serviço do Sport Clube de Ferreira do Zêzere, este professor de música fala sem medos e com orgulho nas cores que representa. Na sequência de uma derrota no fim de semana que antecedeu esta entrevista, avisou que não haveria treinos, mas um estudo em jeito de debate das fraquezas demonstradas na partida. Assim se constrói o caminho para uma equipa que se quer voltada para a vitória. Na jogo seguinte, o Ferreira do Zêzere foi vencer o Vilaverdense por 8-0.

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B.I.

Nome: Miguel Jorge Martins Alves Ferreira

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Idade: 48

Naturalidade: Coimbra

Carreira de jogador: Associação Académica de Coimbra, Instituto D.João V, Associação Cultural e Recreativa da Igreja Velha, Colégio Dr. Luís Pereira da Costa,  Associação Cultural Desportiva e Recreativa de Várzeas

Conquistas: Campeão Distrital e Taça Distrital da Associação de Futebol de Coimbra (1991/92); subida à segunda divisão nacional e Taça Distrital da Associação de Futebol de Coimbra (1992/93); subida à primeira divisão nacional (1993/94); Taça Distrital da Associação de Futebol de Leiria (1995/96); subida à divisão de honra da Associação de Futebol de Leiria (1997/98); Supertaça Distrital da Associação de Futebol  de Leiria (1996/97); Taça Distrital da Associação de Futebol de Leiria (2012/13)

CV Treinador: (permanecendo como jogador) Colégio Dr. Luís Pereira da Costa, Associação Cultural Desportiva e Recreativa de Várzeas; (só treinador) Grupo Desportivo e Recreativo Bidoeirense, União Desportiva de Leiria, Instituto D.João V, Associação Cultural Recreativa e Desportiva do Louriçal, Associação Cultural e Recreativa da Igreja Velha, Associação Desportiva Recreativa e Cultural Vidigalense, Centro Popular Recreativo Pocariça, Sport Club Ferreira do Zêzere

Conquistas: subida à primeira divisão da Associação de Futebol de Leiria (2005/06), subida à divisão de honra da Associação de Futebol de Leiria (2006/07), subida à terceira divisão nacional e Supertaça Distrital da Associação de Futebol de Leiria (2007/08), Supertaça Distrital da Associação de Futebol de Leiria (2008/09), campeão da Associação de Futebol de Santarém com subida à segunda divisão nacional e Taça Distrital da Associação de Futebol de Santarém (2016/17), Super-Taça distrital da Associação de Futebol de Santarém (2017/18), Taça de Honra da Associação de Futebol de Santarém (2018/19)

Scouting: Sporting Clube de Portugal (desde 2015)

Foto: mediotejo.net

Entrevista

mediotejo.net (MT): Como se interessou por futebol?

Miguel Ferreira (MF): O futebol comecei a jogar na rua com os meus primos, com os vizinhos, lá em Coimbra. Tinha um tio que era da Lousã e eu e mais dois primos começámos a ir jogar para o Lousanense. Estivemos duas época, depois fizemos mais três épocas de séniores, sempre a jogar os três juntos. Foi essa brincadeira.

Depois houve uma altura em que me zanguei com o futebol 11 porque era muita pancada e muito pouco jogo, na altura ainda em campos pelados. Zanguei-me com aquilo e disse que não jogava mais futebol. Tomei essa decisão e passado pouco tempo surgiu a oportunidade de começar a jogar futsal. Fui fazer um treino à Académica, fiquei lá e comecei o meu percurso no futsal.

Porquê o futsal e não outro desporto?

Na altura não era futsal, era futebol de cinco. Foi aquilo em que sempre tive mais jeito. Sou de uma família muito numerosa, somos sete irmãos, e portanto também não havia muito espaço para fazer outras coisas, outras modalidades.

Por vezes considera-se o futsal o primo pobre do futebol 11. Tem essa perspetiva?

Eu não tenho essa perspetiva porque acho que o futsal tem muito pouco a ver com o futebol 11. O futsal tem muito mais a ver com o basquetebol, com o hóquei em patins, até com o andebol do que propriamente com o futebol 11. As modalidades de pavilhão têm características muito próprios

Eu acho que o futebol 11 terá muito a ganhar se prestar um bocadinho mais de atenção ao futsal e a algumas coisas que se fazem no futsal. O futsal é um jogo muito mais táctico, também porque são muito menos jogadores.  «

Zanguei-me com aquilo e disse que não jogava mais futebol. Tomei essa decisão e passado pouco tempo surgiu a oportunidade de começar a jogar futsal

Há menos competição no futsal em relação ao futebol 11?

Não. Acho que há muito competição. Claro que não há o mesmo nível de profissionalismo e de dinheiro envolvido [que no futebol]. Mas acho que neste momento o futsal tem muito mais para crescer. Se formos a olhar para os clubes pequeninos é muito mais fácil e muito mais barato sustentar uma equipa de futsal se quisermos manter uma equipa em atividade do que aquilo que são os custos de uma equipa de futebol 11. O futsal terá sempre muito mais pernas para andar nesse sentido, em termos de desenvolvimento.

O que recorda da sua curta carreira de jogador de futebol 11?

Os golos. Era avançado, muito pequenino, mas marcava golos. Comecei a jogar muito tarde, nos júniores, aos 18 anos, federado, até lá foi sempre futebol de rua. E muita pancada. Batia-se muito, eu não tinha paciência para aquilo. A questão do limite de faltas do futsal podia-se aplicar ao futebol 11.

De todos os clubes por onde passou no futsal, qual o marcou mais?

O clube que mais me marcou mais foi o Colégio Dr. Luís Pereira da Costa, porque fui eu que criei o clube de raiz. Fui tudo naquele clube e durante cinco anos acho que vivemos momentos marcantes. Depois passei uma fase em que me fui desencantando um pouco, porque eu sou muito competitivo.

O Sport Clube Ferreira do Zêzere tem sido uma lufada de ar fresco. Por a terra viver o futsal, por aquilo que os dirigentes do clube querem que o futsal tenha em termos de prestígio. É um projeto que me está a agradar imenso.

Eu acho que o futebol 11 terá muito a ganhar se prestar um bocadinho mais de atenção ao futsal e a algumas coisas que se fazem no futsal

Como se dá essa transição de jogador de futsal para treinador?

Eu estava no Instituto D.João V, estávamos a jogar na primeira divisão, e acabei por sair. O dono do Instituto era o mesmo dono do Colégio [Dr. Luís Pereira da Costa] e era ele que fomentava o futsal. Propus a ideia de começar uma clube ali e assumi com ele ser jogador e treinador. Comecei a treinar muito antes dos 30 e fui durante muitos anos jogador/treinador.

Consegue explicar este gosto pelo futsal?

Não sei. É um jogo táctico e eu adoro táctica. É um jogo em que aquilo que se trabalha vem ao de cima, não há tanta coisa aleatória. Vê-se que há coisas que são fruto do trabalho. A mim dá-me muito mais prazer marcar um golo em que foi uma situação de jogo que nós trabalhámos durante a semana, do que propriamente um jogador que finte os quatro e marque um golo de calcanhar. Isso é uma coisa que é momentânea, que me diz muito pouco.

Disse há pouco que o futsal tem espaço para crescer…

Não é só o futsal, todas as modalidades estão sempre em evolução. Mesmo que a gente ache que há piores jogadores ou treinadores. Às vezes é com os momentos maus que aprendemos mais. O que me fascina no desporto é essa busca, o ir ao encontro de algo que ainda ninguém pensou.

O que é necessário para se ser um bom jogador, um bom atleta?

É necessário ter cabeça. Jogadores com qualidade já me passaram às centenas pelas mãos. Jogadores com muita qualidade, que podiam ser uma coisa de outro mundo. Mas depois é se a cabeça quer ou não quer. Se estamos dispostos a fazer os sacrifícios, se estamos dispostos a deixar só o jogo anárquico para uma coisa organizada.

Outra coisa no futsal é que tem que se gostar de defender e de atacar e muitos jogadores só gostam de atacar, não têm prazer em defender.

É um jogo táctico e eu adoro táctica. É um jogo em que aquilo que se trabalha vem ao de cima, não há tanta coisa aleatória. Vê-se que há coisas que são fruto do trabalho.

Como é que um professor de música se inclina tanto para o desporto?

Se calhar é um pouco ao contrário: como é que alguém que gosta tanto de desporto se meteu na música. Porque sim. (risos) Porque também gostava. Mas o meu o futuro teria sido sempre o desporto, não a música. Nunca poderia entrar no desporto porque não sei nadar e nunca consegui fazer essa parte. A música surgiu como uma oportunidade, entrei no conservatório. Acabei por conhecer lá a minha mulher, fizemos um percurso. Acho que a música é que foi um pouco por acaso, o desporto sempre estive ligado.

Que desafios espera encontrar nesta época?

Nós já temos três jornadas. Temos alguns objetivos para esta época. O primeiro era ganhar a Taça de Honra da Associação de Futebol de Santarém, que era ao único troféu que nos faltava. Conseguimos, ganhámos. Objetivo cumprido. O objetivo desta fase é passarmos à segunda fase de apuramento campeão, ganharmos a nossa série e lutarmos para subir. O objetivo mesmo seria subir de divisão.

Começámos não muito bem o campeonato. Temos uma vitória, um empate e um derrota nesta fase. Não seria de esperar que isso estivesse a acontecer. Por isso hoje, em vez de irmos treinar no campo, vamos ter uma reunião e vamos falar de algumas coisas que acho que são importantes de esclarecer entre todos.

Eu acho que estamos muito a tempo de atingir esse objetivo.

Está é uma equipa de amadores. Como é que se mantém a motivação?

A motivação tem que estar, sejam amadores ou não. Tem que haver sempre a motivação de querer fazer alguma coisa a mais do que já se fez. E essa foi a grande lufada de ar fresco que encontrei quando cheguei aqui há dois anos. Uma equipa com jogadores que na altura praticamente não recebiam nada e vinham para aqui porque queriam.

A verdade é que se juntou aqui a fome com a vontade de comer e foi um ano espetacular.

Achei inadmissível. Ninguém saiu deste pavilhão mais frustrado que eu, pelas horas todas que trabalhei. Sou muito exigente com eles, mas antes de ser com eles sou comigo

Dá-me a sensação de que é uma pessoa bastante exigente. Estou certa?

Sou. Tento ser. Mas tento antes de ser com os outros, ser comigo.

Este último jogo que nós perdemos, eu passei mais de 20 horas a ver vídeos da equipa do [Associação Cultural e Desportiva do] Ladoeiro, a fazer resumos de todos os momentos de jogo da equipa do Ladoeiro. Encontrámos-nos aqui, vimos isso e depois houve coisas que nós tínhamos visto que eles faziam e eles marcaram golos com isso.

Achei inadmissível. Ninguém saiu deste pavilhão mais frustrado que eu, pelas horas todas que trabalhei. Sou muito exigente com eles, mas antes de ser com eles sou comigo. [no jogo seguinte, o Ferreira do Zêzere venceu o Vilaverdense por 8-0]

Que mensagem gostaria de deixar a sócios e adeptos para esta época?

Não desistam de nós, porque nós não vamos desistir e vamos à luta. Eu se tivesse que apostar neste momento apostava que vamos ganhar nesta série.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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