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Futebol/Juniores | “Lagartos” de Sardoal vencem e alimentam sonho

Sardoal, 08 de Abril de 2017, 15 horas

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Campeonato Distrital de Júniores (2ª Divisão) – jogo em atraso da 12ª jornada

G. D. R. “Os Lagartos” 4 – G. D. Forense 0

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Que esta equipa de juniores de “Os Lagartos” de Sardoal é a sensação do Campeonato Distrital da 2ª Divisão, já ninguém tem dúvidas. No Municipal sardoalense já “tombaram” os verdadeiros candidatos ao título (Abrantes e Benfica e Rio Maior vergaram-se à derrota sendo que o Ouriense o melhor que conseguiu foi um empate) e não fora alguns pontos desperdiçados extra-muros (alguns de forma algo “estranha”) e poderíamos estar perante uma surpresa ainda maior. A apenas três jornadas para o final da temporada, “Os Lagartos” estão a três pontos dos lugares de subida de escalão e apenas dependerá de uma vitória em Alpiarça, na próxima jornada para dependerem apenas de si próprios.

Algo impensável (até para os mais optimistas) no início do campeonato. Mas isso são contas para fazer mais tarde. Porém, aconteça o que acontecer, esta está a ser uma época de “ouro” para os “meninos” de Miguel Alves que, jornada após jornada, se depara com grandes dificuldades para construir um “onze” base e de continuidade (neste jogo, a título de exemplo, viu-se “obrigado” a recrutar seis jovens juvenis no seu plantel).

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Contudo, os que têm sido chamados, independentemente da idade e escalão, deixam tudo em campo do primeiro ao derradeiro minuto de cada partida, chegando a ser “cansativo” só de assistir pela forma como estes rapazes se entregam de alma, coração e pulmão jogo após jogo.

No entanto (e isso poderá até ser uma explicação para o facto da equipa não estar ainda melhor posicionada na tabela classificativa) há que melhorar os aspectos do trabalho colectivo, principalmente no último terço do terreno bem como a finalização. O embate deste sábado é um bom exemplo: construir mais de meia centena de ataques perigosos para concretizar “apenas” por quatro vezes é uma percentagem muito curta para quem tanto constrói.

Mas vamos ao jogo, propriamente dito, e onde também a formação do Forense (numa posição modesta em termos classificativos) se apresentou com sete elementos do escalão de juvenis no seu plantel titular.

Nos primeiros 45 minutos de jogo não se registou qualquer tento quer por culpa da já mencionada ineficácia concretizadora como por “culpa” de um protagonista que viria a ser – sem dúvida alguma – uma das figuras do jogo: Galvão, guarda-redes do Forense, defendeu tudo o que havia a defender com intervenções de alta qualidade só ao alcance dos melhores.

Saviola

A história desta contenda (no que ao resultado diz respeito) só se começou a construir a partir do minuto 55 e através de um auto-golo. Mas a jogada que dá origem ao tento inaugural de “Os Lagartos” tem um nome: Saviola. O número 10 dos locais, qual maestro de uma orquestra bem afinada ou um dos mais distintos magos de classe reconhecida, tira o seu “coelho da cartola” através de uma fantástica jogada toda ela produzida pelo seu flanco direito deixando para trás, um a um, todos os adversários que se lhe cruzavam no caminho e, como tanto gosta de fazer, em última instância junto à linha final, cruza para a área onde o defesa Rúben (em situação de pressão) coloca a bola dentro da sua própria baliza.

O primeiro golo | Foto Maria João Newton

Estava (finalmente) aberta a fechadura do “cofre-forte” de Galvão que não merecia este infeliz  “pecado” do seu colega de equipa. Mas “Os Lagartos” estavam a fazer pela vida e há muito que já mereciam estar em vantagem no jogo.

Aberta que estava a porta da baliza contrária, era fundamental ir à busca do segundo para poderem respirar com mais tranquilidade e tal não demorou a acontecer.

Dois minutos após o golo inaugural, André, de bem longe da baliza contrária desfere um potente remate com a bola a cumprimentar de forma estrondosa a trave da baliza Forense. Era o prenúncio do que iria acontecer um minuto depois e com os mesmos “actores” na cena principal.

Saviola (outra vez ele) arranca nova jogada tirada quase a papel químico da já descrita e, novamente junto à linha de fundo a cruzar para a área apanhando o pequeno André (em estatura) solto ao segundo poste onde só teve que encostar e fazer o segundo da partida. Grande culpa colectiva da defesa forense que parece ter ficado hipnotizada com mais uma obra de arte do endiabrado Saviola, esquecendo-se das marcações individuais, o que lhes acabou por ser fatal.

O segundo golo | Foto: Maria João Newton

Os ataques sardoalenses sucediam-se a um ritmo alucinante e esperava-se uma goleada mas, um atrás do outro, os lances de perigo iam-se perdendo com um toque de bola a mais ou mais um drible desnecessário para desespero de Miguel Alves que, mesmo assim, nunca deixou de incentivar os seus pupilos, aproveitando também para refrescar o seu conjunto, fazendo entrar os seus dois únicos suplentes.

Perto da meia hora de jogo da segunda parte, eis que surge novo “mestre” no palco da bola. Do “meio da rua” Góis vê linha aberta e remata a contar sem qualquer hipótese (desta vez) para Galvão que apenas se limitou a ver o esférico entrar sem formular qualquer tipo de reação. Estava feito o terceiro dos jovens lagartos e o golo mais bonito da tarde.

O terceiro golo

Bonito de ver foi o que se seguiu: com o vencedor mais que encontrado (se é que alguma vez isso tivesse estado em dúvida) à passagem do minuto 77, o técnico da equipa do Forense decide trocar de guarda-redes não tendo o momento sido indiferente para os espectadores presentes no Municipal de Sardoal que, com uma enorme ovação, mostraram a sua satisfação quanto à bela exibição do jovem de Foros de Salvaterra, principalmente na primeira parte onde deixou as suas redes invioláveis. Fairplay a marcar o momento simbólico da sua substituição.

A caminho do terminus da partida, ainda houve tempo para Góis bisar na partida ao minuto 79, selando o marcador em quatro a zero a favor dos locais que, bastante perdulários, fizeram o mais importante que era garantir a vitória neste que era um encontro em atraso relativo à 12ª jornada.

O quarto golo

Até ao final, a formação de “Os Lagartos” limitou-se a gerir o resultado e o cansaço acumulado numa tarde de bastante calor e com muitos mais golos por marcar.

O Forense poucas vezes incomodou Alexandre Jorge, excepção feita a um lance ainda no decorrer da primeira metade da partida onde um choque violento com um adversário chegou ainda para assustar mas que não passou de um lance normal que acontece muitas vezes entre avançado e guarda-redes.

Vencedor (mais que) justo, de resultado escasso numa partida onde quase não seu pela presença da equipa de arbitragem (talvez tivesse sido algo desnecessária – não pela falta cometida, mas pelo tempo de jogo decorrido – a mostragem do segundo cartão amarelo ao capitão da equipa do Forense, Rafael, quando 15 segundos depois deram por terminada a partida).

Foto: Maria João Newton

Ficha do jogo

Parque Desportivo Municipal de Sardoal

Árbitro: Tiago Martinho

Árbitros Assistentes: João Faria e Diogo Martins

G. D. R. “Os Lagartos”
Alexandre Jorge, Dani, Góis, Bruno Pereira, João Paulino, Diogo Baptista (Tiago Águas), David Louro, João Pires, André (Diogo Ventura), Tiago Gaspar (cap.) e Saviola
Suplentes: Diogo Ventura e Tiago Águas
Treinador: Miguel Alves

G. D. Forense
Galvão (Mário), Rato, Bernardo, Marcelo, Rafael (cap.), Guilherme, Rúben, Vasco, Miguel, Paulino e Johnny (Costa)
Suplentes: Mário e Costa
Treinador: Rogério Caneira

Disciplina:
Cartões Amarelos:
G. D. R. “Os Lagartos”: Bruno Pereira (19′),
C. D. Forense: Marcelo (16’) e Rafael (32 e 89’)

Cartões Vermelhos:
C. D. Forense: Rafael (89’ por acumulação)

Marcadores:
G. D. R. “Os Lagartos”: Rúben (55′ ag), André (58’) e Góis (73’ e 79’)

Texto: José Belém

Fotos: José Belém e Maria João Newton

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José Belém
A grande “culpada” é uma velhinha máquina de escrever Royal esquecida lá por casa e que me “infectou” para uma vida que se revelou mais tarde não fazer sentido sem o jornalismo. O primeiro boletim da paróquia e o primeiro jornal da pequena aldeia onde frequentava a escola (tinha apenas 7 anos de idade) entranharam-me a alma (e o sangue) deste “vício” de escrever e comunicar. Seguiram-se os pequenos jornais de turma, os das escolas, os painéis informativos colocados nas paredes dos átrios e o dos escuteiros... e nunca mais o “vício” sarou. Ao longo da vida, foram vários e diversificados os ofícios exercidos profissionalmente, mas o “mar dos desejos” desaguava sempre numa folha de papel ou (mais tarde) num portátil de computador (e sempre com a máquina fotográfica como companhia). Já mais "a sério” e desde jornais regionais, rádios locais, periódicos nacionais e televisão (TVI), já são mais de 45 anos de um percurso “académico” de alguém que pouco se importa de não possuir um “canudo”.

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