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Futebol | Vitória de Sernache venceu Sertanense em derbi do concelho da Sertã

GRUPO DESPORTIVO VITÓRIA DE SERNACHE 2 – SERTANENSE FUTEBOL CLUBE 1
Campeonato de Portugal – Série E – 10ª jornada (em atraso)
Estádio Municipal Nuno Álvares Pereira, em Cernache do Bonjardim
06-01-2021

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Só o entusiasmo dum derbi concelhio conseguiria derreter o gelo que se acumulou durante a noite nas serranias beirãs do concelho da Sertã. Com as equipas separadas por três pontos, apesar do Sertanense ter menos um jogo disputado, o favoritismo não era claro.

Derbi do concelho da Sertã jogou-se no Municipal Nuno Álvares Pereira em Cernache do Bonjardim.

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O histórico dos confrontos entre ambos os conjuntos dizia que em 18 vezes que se haviam encontrado em jogos oficiais o Sertanense vencera nove e o Sernache por sete vezes cantara vitória, para além de dois empates entre as duas equipas.

Também aqui o equilíbrio reina mas o que conta realmente é o momento e o que se passa nos 90 minutos.

Equipas entraram no jogo separadas por três pontos.

Entrou muito bem a equipa do Sertanense, a pressionar alto desde o apito inicial, a querer resolver cedo a contenda a seu favor. Aos três minutos Iago rematou forte contra um defensor e ganhou o primeiro canto do jogo.

Pouco depois, aos 6 minutos, Cyrille, muito veloz, arrancou pela ala direita e rematou na passada. A bola passou perto do poste e embateu nas malhas laterais. Sinal de perigo para a equipa de Ricardo Nascimento.

Aos doze minutos, num lance mais vigoroso, Rudy acabou por deixar rasgada a camisola de Cyrille que passou a ostentar o número 80, de Ybouka.

Cyrille foi um jogador em foco.

Logo no minuto seguinte, sempre com a equipa de Natan balanceada no ataque, viu-se Cyrille encetar um verdadeiro “raid”, driblando quem lhe saiu ao caminho. Só não enganou o guarda redes tunisino da equipa da casa, Ayoub, que se arrojou aos pés do extremo e defendeu de forma vistosa, arriscando a penalidade.

O jogador do Burquina Faso voltaria a tentar, desta vez da meia distância, para defesa fácil de Ayoub. À passagem do quarto de hora um livre para o Vitória marcou o ponto de viragem no jogo. A bola colocada na área foi cabeceada por Balla Sangaré. A defesa visitante resolveu mas o aviso estava dado.

Ayoub arriscou e ganhou sobre Cyrille.

Com o Sernache a equilibrar a balança, o Sertanense teve uma boa ação atacante quando o cronómetro assinalava o 18º minuto. O maliano Doukouré correu toda a ala esquerda e cruzou com boa conta para o segundo poste onde Miguel Pinéu, integrado no ataque, chegou um tudo nada atrasado, perdendo-se o esférico para lá da linha de fundo.

Em jeito de resposta os donos da casa desenvolveram uma rápida transição muito bem organizada. Foi interrompida porque o árbitro Paulo Ferras descortinou uma falta atacante.

Voltaram a tentar, em jogada idêntica, mas o costamarfinense Balla Sangaré falhou o último passe.

Partida muito disputada, nem sempre com as melhores decisões a serem tomadas.

Natan Costa tinha motivos para estar preocupado. O seu Sertanense não só não conseguira marcar no seu melhor período como começava a ser empurrado para perto da baliza de Leo Turossi.

Aos 24 minutos um livre, favorável ao Sernache, descaído pelo lado direito do seu ataque, batido por Vareiro encontrou a cabeça de Luiz Grando. A bola passou muito perto da baliza de Turossi.

Foi necessário esperar pelos 29 minutos para ver o Sertanense chegar com perigo à baliza da equipa da casa. Um cruzamento para o centro da área que Ayoub não conseguiu agarrar levou perigo à sua baliza. O guarda redes queixou-se de ser tocado em falta mas o árbitro mandou prosseguir.

Ayoub não agarrou e o perigo rondou a sua baliza.

Aos 34 minutos, um canto favorável ao Sertanense viu o guarda redes Ayoub defender a soco lançando o contra ataque. Quando o lateral esquerdo Vareiro se aprontava para rematar, Miguel Pinéu, num gesto técnico perfeito, cortou para lá da linha de fundo.

Na cobrança do canto, ao primeiro poste, Hugo Meira ainda tocou na bola que foi cair no sítio onde estava o internacional angolano Rudy que só teve de empurrar para a baliza apesar de ter dois adversários por perto.

Com grande eficácia, o Vitória de Sernache passava para a frente do marcador na primeira oportunidade de golo de que dispôs.

Internacional angolano Rudy (ao centro) abriu a contagem.

Era agora aos visitantes que competia inverter a tendência do marcador. O capitão Bruno Torres tentou dar o exemplo ensaiando a meia distância, logo após o golo. O forte remate, desferido à entrada da área, não encontrou a baliza à guarda de Ayoub.

Respondeu o nigeriano Abduljabar Sani, do Sernache, com um remate de muito longe. Ganhou um canto. As equipas começavam a acusar a necessidade do descanso. Começou a faltar discernimento e os lances iam-se perdendo por falta de critério e decisões erradas.
Foi com alívio que se chegou o intervalo…

Descanso foi bom para ambas as equipas.

Após a retemperadora pausa, o Sertanense regressou com César Rafael no lugar de Victor Hugo que pareceu em dificuldades físicas no final do primeiro tempo.

Com a equipa liderada por Natan Costa obrigada a “correr atrás do prejuízo”, o Sernache entrou à espreita duma oportunidade para ampliar a vantagem no “placard”.

Logo aos 47 minutos Balla Sangaré “arrancou” um perigoso cruzamento do lado esquerdo do ataque da casa. O guarda redes Leo Turossi resolveu e lançou o contra golpe. Miguel Pinéu rematou fraco para defesa fácil de Ayoub.

Muitas iniciativas atacantes dos visitantes partiram de Miguel Pinéu.

Aos 52 minutos Ricardo Sousa quis experimentar a sua meia distância colocando à prova Turossi que agarrou sem dificuldade.

No minuto seguinte a resposta veio do Sertanense através duma tentativa de remate de Miguel Pinéu que, prensado num defensor, acabou por fazer a bola sair dando origem a um canto.

Luiz Grando, capitão do Vitória, subiu ao meio campo dos visitantes, cruzando para a área onde a defensiva afastou para surgir Eduardo Souza a rematar para defesa de Turossi. O cronómetro assinalava os 57 minutos.

Muita luta a meio campo.

Já com uma hora de jogo um livre favorável ao Sertanense elevou os batimentos cardíacos do banco do Vitória. Uma bola, aparentemente fácil, levou Ayoub a uma abordagem facilitista e ia correndo mal. A bola acabou por sair pela linha de fundo gerando um canto. Um susto…

Aos 63 minutos um remate acrobático de Bruno Torres encontrou um defesa na viagem e deu origem a novo canto. Aos 65 minutos um lance aparentemente inofensivo causou mossa…

Uma reposição lateral, executada por Luís Martins, permitiu a Bruno Eduardo, rodeado de adversários, cabecear para a baliza, fora do alcance de Ayoub, empatando a partida.

Bruno Eduardo empatou a partida em lance pouco visto.

Com muito tempo para jogar e o marcador a assinalar um empate que não fazia ninguém feliz, as equipas voltaram a proceder a ajustes estratégicos com a vitória como objetivo.

Depois de alguns minutos de lutas ombro a ombro no meio campo, começaram as ameaças a ambas as balizas. Aos 74 minutos, Buby Katty, que acabara de entrar no jogo a substituir o esgotado Cyrille, rematou contra a defensiva da casa com a bola a rasar o segundo poste, ganhando um canto.

Após o golo do empate equipas procederam a reajustes.

No minuto seguinte o Sertanense ensaiou uma excelente jogada de entendimento com Miguel Pinéu a rematar para fora. Entretanto Pinéu, tocado num ombro, teve de ser assistido fora das quatro linha deixando o Sertanense momentaneamente reduzido a dez unidades no rectangulo de jogo.

Aproveitaram os vitorianos para, numa boa jogada de entendimento, chegarem com perigo à área de Turossi e com um cruzamento largo servir Jair Silva na direita. Com uma simulação tirou o defesa do caminho, puxou para o pé esquerdo e ensaiou um colocado remate que bateu o guarda redes do Sertanense pela segunda vez.

Maior eficácia deu vitória ao Sernache.

Com o Vitória de Sernache de novo na frente o futebol pareceu ter terminado assistindo-se à expulsão, por acumulação de amarelos, de Ibraima e também do presidente do Sertanense, Paulo Farinha.

Com o árbitro Paulo Ferras a conceder quatro minutos de compensação o marcador não se alterou ficando os três pontos em casa. Resultado aceitável com vitória da equipa que mais procurou a sorte num jogo intenso, nem sempre bem jogado. Arbitragem sem influência no resultado.

Equipa de arbitragem sem influência no resultado.

Ficha do Jogo:

GRUPO DESPORTIVO VITÓRIA DE SERNACHE:

Ayoub, Vareiro, Davi Maciel, Ibraima, Luiz Grando, Ricardo Sousa, Rudy, Eduardo Souza, Adbuljabar Sani, Jair Silva e Balla Sangaré (Bruno Falcão).
Suplentes não utilizados: Daniel Caetano. Gustavo Gandra, Diogo Petiz, João Luz, Hugo Abreu e Luccas Marques.
Treinador: Ricardo Nascimento.

Grupo Desportivo Vitória de Sernache.

SERTANENSE FUTEBOL CLUBE:

Leandro Turossi, MiguelPinéu, Luís Martins, Hugo Meira, Sunday (Kevin Ibouka), Victor Hugo (César Rafael), Bruno Torres (Jorge Teixeira), Doukouré, Iago, Cyrille (Buby Katty) e Bruno Eduardo.
Suplentes não utilizados: Pedro Farinha, Alex Lopes e Matheus Barbosa.
Treinador: Natan Costa.

Sertanense Futebol Clube.

GOLOS: Rudy e Jair Silva (Sernache) e Bruno Eduardo (Sertanense).

EQUIPA DE ARBITRAGEM:
Paulo Ferras, José Mira e Bruno Vieira (AF Leiria).

Equipa de Arbitragem: Paulo Ferras, José Mira e Bruno Vieira com os capitães.

DISCIPLINA:
Cartão amarelo: Ibraima, Luiz Grando, Eduardo Souza e Jair Silva (Sernache); Sunday e Bruno Torres (Sertanense).
Cartão vermelho por acumulação: Ibraima (Sernache).

No final fomos ouvir os técnicos de ambas as equipas:

Ricardo Nascimento, treinador do Sernache.

 

Natan Costa-Treinador do Sertanense.

*Com David Belém Pereira (multimédia).

 

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Jorge Santiago
Nasceu a 30 de Janeiro de 1961 em Lisboa e cresceu no Alentejo, em Santiago do Cacém. Dali partiu em 1980 para ingressar no Exército e no Curso de Enfermagem. Foi colocado em Santa Margarida e por aqui fez carreira acabando por fixar-se no Tramagal em 2000. A sua primeira ligação à Vila "metalúrgica" surge em 1988 como Enfermeiro do TSU. Munido da sua primeira câmera digital, em 2009 e com a passagem à situação de reserva, começou a registar a fauna do Vale do Tejo, a natureza e o património edificado da região, as ruas, as pessoas... Com colaborações regulares em jornais da região e nacionais este autodidata acaba por conseguir o reconhecimento público, materializado em alguns prémios. Foi galardoado na 8ª Gala de Cultura e Desporto de Tramagal na categoria de Artes Plásticas (Fotografia) em 2013.

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