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Domingo, Outubro 24, 2021

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Futebol/UD Atalaiense | João Paulo, um treinador “ambicioso que não gosta de se acomodar” (C/VIDEO)

Na antecâmara do campeonato distrital da segunda divisão do distrital de Santarém, João Paulo Dias, treinador da União Desportiva Atalaiense (UDA), conta-nos um pouco do seu percurso enquanto jogador e treinador, para além de nos revelar o que pensa sobre o campeonato em que a sua equipa está inserida. Natural de Moçambique, é no Atalaiense que, até hoje, fez todo o seu percurso como treinador. De realçar que o primeiro jogo do campeonato da UDA será no dia 7 de outubro frente à Ortiga, mas o seu primeiro jogo oficial é no dia 30 de setembro, para a Taça do Ribatejo, perante os seus adeptos, frente ao Caxarias. 

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B.I

Nome: João Paulo Pinto Dias

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Data de Nascimento: 09/09/1972

Naturalidade: Moçambique

Percurso enquanto jogador: Figueiró-dos-vinhos; União Tomar; Ferroviários; Sertanense; Torres Novas e Sernache.

Conquistas: Campeão Distrital juvenis e juniores – União Tomar

Percurso enquanto treinador: 3 anos nos iniciados da União Desportiva Atalaiense e 2 anos nos seniores da U.D Atalaiense.

João Paulo Dias, treinador do Atalaiense. Foto: mediotejo.net

Entrevista:

mediotejo.net: Quando é que descobriu a sua paixão pelo futebol?

João Paulo: Desde que comecei a dar uns toques na bola, por incentivo de alguns colegas e porque acho que já tinha algum jeito na altura. Comecei com 8/9 anos, havia o futebol federado para essas idades, não com as condições que existem actualmente, mas a partir daí comecei a gostar do “bichinho” do futebol, começando como jogador e agora como treinador.

Quais as razões para querer seguir uma carreira de técnico?

Foi no seguimento de acompanhar o meu filho, que na altura jogava aqui na Atalaia, inicialmente nos infantis e depois nos iniciados e, por convite do actual presidente do clube, peguei nessa equipa de iniciados e fui acompanhando os miúdos. O ano passado surgiu o convite para treinar os seniores e é para continuar mais este ano.

São muitas as diferenças entre ser treinador e jogador?

Muitas mesmo. Nós quando somos jogadores, por norma criticamos as opções do treinador, porque não entendemos determinadas decisões. Como treinador, temos de ter em consideração o grupo, muitas das vezes eu tenho consciência que as decisões não são as mais correctas para um determinado jogador, tento explicar e falar com a pessoa para não ficar melindrada, mas é muito mais difícil ser treinador, não tenho dúvidas disso.

O que mudou em si desde que começou a ser treinador?

Comecei a olhar para os jogadores de outra forma, tento não fazer aos jogadores aquilo que eu não gostava que me fizessem enquanto jogador. Tento que se crie um bom ambiente, porque haver um bom ambiente no balneário é meio caminho andado para haver sucesso na equipa. Se a equipa não for unida, se não houver união com o treinador, com o pensamento do que é transmitido e se não puxarmos todos para o mesmo lado, os resultados dificilmente aparecem.

Como foi o seu percurso de treinador até hoje?

Na altura em que comecei com os iniciados, cheguei a falar com o presidente e pensei em desistir numa determinada fase, porque não tínhamos miúdos suficientes para fazer uma equipa. Depois conseguimos montar uma equipa competitiva, que chegou a passar a uma segunda fase, neste caso numa segunda divisão. Mas, mais do que isso, acho que quem trabalha com camadas jovens, claro que nós gostamos de ganhar, mas eu sinto muito gosto quando passo pela rua e os mais novos me conhecem, porque eu tentei dar condições para que eles no futuro sejam bons homens. Eu digo que num universo de 100, 2 ou 3 poderão ser jogadores de futebol, o resto vão ser boas pessoas, bons chefes de família e são esses valores que se tentam transmitir desde o início.

 

Quais são as suas referências tanto a nível nacional como internacional?

Tenho uma grande admiração pelo Guardiola, pela forma como trabalha as suas equipas e como jogam. Para mim o futebol é tão simples, não é aquele jogador que finta 2 ou 3 e que faz grandes demonstrações. Sempre gostei de um jogador que jogue simples, porque aquele passe a 2/3 metros parece tão fácil, mas se nós falhamos esse passe é o suficiente para isolar um adversário, para falhar um golo, para isolar um colega. Para mim, o básico é jogar fácil.

Que mensagem procura transmitir aos jogadores para os manter sempre motivados?

Ainda agora iniciamos a época e um dos discursos que tenho no balneário é que, eu antes de ser treinador sou amigo deles, sei que não é fácil para um jogador que trabalha das 05h da noite até às 16h da tarde, casos que temos no nosso plantel. Claro que esse tipo de jogador tem de vir com motivação para treinar porque, se vier cansado da parte física, se não trabalhar bem a parte psicológica, chega aqui e não rende aquilo que pode render. Eu sou do tempo em que se faziam pre-épocas em que numa semana inteira não se via a bola, era muita parte física, muita bancada, muitas barreiras, mas nós trabalhamos muito com bola porque hoje em dia, quem é técnico sabe que a bola para o jogador é fundamental e o jogo em si. Tento transmitir vontade, que os jogadores venham com vontade de treinar porque, se isso acontecer, é meio caminho andado para as coisas correrem bem no futuro.

João Paulo, treinador da União Desportiva Atalaiense.

Visto que é futebol amador, são muitas as dificuldades que uma equipa tem para reunir todo o plantel durante a semana?

Sim, sem dúvida, essa é a parte mais difícil a este nível. É tentar conciliar a vontade para vir treinar com o número de jogadores, porque chega a acontecer programar um tipo de treino e depois chegamos ao balneário e as coisas não acontecem. Temos de “inventar”, porque nós, por vezes, aquilo que apreendemos num curso de treinadores, chegamos à parte prática e é difícil desenvolver essa área. Temos de motivar aqueles que vêm, caso contrário chegamos a uma determinada altura e não temos jogadores, o que é complicado.

Quais são os objectivos da União Desportiva Atalaiense para esta época?

Eu vejo o nosso balneário nos dias de hoje e perdemos cerca de 80 a 90% da equipa supostamente titular do ano passado. Não é fácil o meu papel neste momento, temos uma equipa totalmente remodelada, sendo natural que estes primeiros resultados não correspondam àquilo que eu gostava que acontecesse, mas com o tempo vamos formar uma equipa forte e competitiva. Como sou ambicioso e não gosto de me acomodar, vai ser passar à fase seguinte, nos três primeiros lugares. Temos de trabalhar para isso, vai ser muito difícil, provavelmente uma fase inicial muito complicada, mas não podemos deitar a toalha ao chão.

Que mensagem é que gostaria de deixar aos adeptos?

Quem está na União Desportiva Atalaiense sabe que não somos muito acompanhados pelos adeptos da Atalaia, gostava muito mais de ver aqui os adeptos a apoiar. Vejo mais isso nas camadas jovens, o que é natural, porque os pais acompanham mais os filhos. Como é óbvio, gostava que o clube tivesse outra evolução nessa área, mas temos de ser nós a puxar por eles e vamos fazer por isso.

Qual é o seu lema de vida?

O meu lema de vida é simples, é ser feliz e fazer por ser feliz. A felicidade não existe, existem momentos felizes e vamos tentar aproveitar ao máximo esses momentos.

Estudante na Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, no curso de
Comunicação Social, na vertente de jornalismo. O gosto pelo desporto, mais precisamente pelo desporto rei, está comigo desde muito cedo. Atleta federado desde os oito anos, a minha ambição é tornar-me profissional na área do jornalismo desportivo.

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