Apoie o jornalismo que fazemos,
junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Terça-feira, Outubro 19, 2021

Apoie o jornalismo que fazemos, junte-se à nossa Comunidade de Leitores

- Publicidade -

Futebol | Treinador Mário Nelson ilibado das acusações que originaram suspensão de um ano (Entrevista)

O ex-treinador de futebol do Ouriense Mário Nelson foi ilibado das acusações que levaram à sua suspensão por um ano pelo Conselho de Disciplina da Associação de Futebol (AF) de Santarém, anunciou o Conselho de Justiça daquela Associação.

- Publicidade -

Em comunicado, o Conselho de Justiça da AF Santarém dá como “julgado procedente o recurso, absolvendo o arguido da acusação e das penas aplicadas pelo Conselho de Disciplina”, no início de 2018. O técnico foi castigado depois de ter sido acusado de agressão a um futebolista do Mação, num incidente que teria ocorrido em outubro de 2017, em jogo a contar para a Taça do Ribatejo.

Mário Nelson, de 39 anos, atual treinador do União de Almeirim, congratulou-se com a decisão do Conselho de Disciplina que anula a deliberação tomada na sequência de um “processo de averiguações convertido em processo disciplinar”, que culminou com a decisão de punir o treinador na pena de um ano de suspensão, na multa de 150 euros e nas custas do processo.

- Publicidade -

Mário Nelson foi ilibado de todas as acusações num processo em que apresentou recurso e ganhou. Foto: facebook/Mário Nelson

“Embora tarde, foi feita justiça e reposta a verdade dos factos”, disse hoje o técnico ao mediotejo.net, tendo lembrado “os danos morais causados” e a “impossibilidade de desenvolver a atividade durante todo este tempo”.

Mário Nelson, que no domingo tem jogo da primeira jornada do campeonato da 1.ª divisão distrital de Santarém e já vai poder orientar a equipa do Almeirim a partir do banco, disse ainda que o processo “já faz parte do passado” e que “muita gente deve um pedido de desculpas”, não esquecendo de salientar os problemas pessoais, profissionais e familiares.

Mário Nelson orienta este ano o União de Almeirim, clube que vai disputar o campeonato distrital da 1ª divisão. Foto: facebook/Mário Nelson

mediotejo.net – Que comentário lhe merece esta decisão do recurso apresentado e que o iliba do processo disciplinar que lhe foi instaurado?

Mário Nelson – O único comentário que esta decisão me merece é que, embora tarde, foi feita justiça e reposta a verdade dos factos. De resto, mais nada tenho a dizer pois já faz parte do passado!

O ‘castigo’ de um ano de suspensão começou a contar a 18 de janeiro de 2018. Até quando durou e que repercussões e prejuízos teve na sua vida desportiva e familiar?

O acordão recebido pelo meu advogado está datado de 14-08-2018…. sobre as repercussões que teve na minha vida desportiva foram muitas, pois fui vítima de condenação publica, muito foi escrito, muito foi falado, sem sequer eu ser ouvido. Tudo isto afastou de mim alguns projetos interessantes que estavam em vista e poderiam significar alguma ascendência para a minha carreira que, não sendo o mais importante, fui bastante prejudicado… a parte familiar foi a que mais mexeu comigo. A minha família exposta a uma situação destas, a minha familia abordada em todo o lado das mais diversas maneiras…tudo isto foi duro. Senti me um criminoso. O que me doeu mais foi que quem fez isto esqueceu-se que eu também tenho família e filhos, que também tenho outra atividade profissional. A imagem do meu filho a chorar ao chegar a casa porque os colegas e as pessoas o abordavam a falar desta situação, a chorar a ler noticias nos mais diversos orgãos de comunicação social em que me enxovalhavam e em que o único objetivo era atingir-me foi a que mais me marcou…

O ser ilibado nesta decisão de recurso satisfaz as suas pretensões de reposição da verdade? Pondera agir criminalmente contra alguma entidade ou alguém para ser ressarcido dos danos causados?

Bem, ser resposta a verdade, como é lógico, deixa-me satisfeito. Não vou esconder que o dia em que recebi o acordão foi um dia feliz, nem sequer pensei na mágoa, na injustiça de que fui alvo, da maldade de quem fez isto. Pensei apenas na alegria que estava a dar a todos os que estiveram sempre do meu lado e quando o mais fácil era deixar-me. Ficaram ali para me dar todo o apoio. Mas pensei muito na minha família e que por eles, pelos danos morais, fisicos e psicológicos criados a todos nós… tudo isto teria de terminar…. mas depois de duas reuniões com o meu advogado, o qual me alertou para alguns factos, farei aquilo que ele entender como sendo o melhor para mim e para a minha dignidade. Mas o mais importante aqui, e como referi anteriormente, não é ser ressarcido financeiramente. O mais importante é que as pessoas percebam que os danos morais causados a mim e a impossibilidade de desenvolver a minha atividade durante todo este tempo me causou problemas, tanto financeiros como desportivos. Mas não é por mim que devo fazer algo, é pela minha família. Acima de tudo pelo meu filho, aquela imagem, e escrevo-o em lágrimas, de ele a chorar por tudo o que ouvia, de jogadores meus, membros da minha equipa técnica a confortá-lo sempre que ia ver jogos meus e ouvia tudo o que era dito. Via-me encostado ao muro e no final de cada jogo dizia-me, triste: “pai, tu não estás feliz”. E eu respondia-lhe:  “o pai vai deixar isto”, e ele abraçava-me a chorar e dizia-me “não faças isso pai, isto é o teu sonho”. Não vou esquecer isto, não há dinheiro que pague. São valores e princípios muito mais importantes que isso… acho que devo aguardar que as pessoas envolvidas façam aquilo que a sua consciência mandar, não sou de rancores, não sou vingativo, não quero o mal de ninguém, mas há muita gente que me deve um pedido de desculpas. Vamos ver se têm a humildade e elevação de o fazer. É o mínimo, vamos aguardar…

Mário Nelson comandou a sua equipa a partir da bancada durante o período em que esteve castigado. Foto: DR

Foi com alegria que recebeu a notícia da absolvição das acusações? A quem dedica este momento e que reflexão lhe merece todo este episódio?

Sinceramente foi um misto de emoções: alegria, serenidade, tranquilidade e, como referi antes, só me vinha a cabeça a minha família e aqueles que estiveram sempre a meu lado. Corri para os braços do Duarte, saltei para cima da cama dele e acordei-o mas, acima de tudo, foi um momento em que mais uma vez percebi que há uma grande diferença entre amizade e velocidade, em que percebi mais uma vez quem está sempre lá: a família e os poucos verdadeiros amigos!

Acho que este momento não tem que ter grande dedicatória, acima de tudo é um momento de reconhecer gratidão. A palavra obrigado é o que mais sinto neste momento. Sou grato a muita gente. À minha esposa por tudo: pela grande mãe, pela grande mulher, pela grande companheira, mas também por todos os ensinamentos que me têm feito crescer como homem. está sempre do meu lado. A toda a minha família por acreditarem em mim, à minha equipa técnica na altura, o eterno Rui de Sá, eu sei o que ele sofreu e nunca me abandonou, mais que um adjunto um amigo e um irmão, o Nuno Gomes, o Marco Bucete, Cláudio Mateus, Jeremy Pereira, ao meu advogado…obrigado por ficarem do meu lado até ao fim. Ao Clube Atlético Ouriense e à sua direção porque quando o mais fácil era despedirem-me estiveram ali e ainda me deram mais carinho. Sei que foi por vontade minha mas nunca me vou esquecer que independentemente deste episódio vocês queriam a minha continuidade. Estarei eternamente grato…aos jogadores que estavam comigo e continuaram a lutar e aqueles que aceitaram trabalhar comigo depois de tudo isto…obrigado! Por fim, ao senhor André Mesquita, pelo interesse demonstrado e numa operação rápida sabendo da minha situação pela oportunidade de treinar um dos maiores clubes deste distrito, o União de Almeirim, por acreditar em nós e pela forma como fomos recebidos no clube…. neste período refleti muito, cresci muito e hoje sou possivelmente melhor e mais treinador. Percebi que sigo atrás de um sonho e que esse desejo e esse sonho ser do domínio público, que os jogadores e os clubes por onde passo gostarem do nosso trabalho, que apresentar resultados, potenciar determinados jogadores e criar hábitos que muitos não conseguem incomoda muita gente. Todos os treinadores que chegaram aos clubes depois da nossa passagem beneficiam muito do que deixamos, o não vender a minha alma ao diabo não é bem aceite. O colocarem perguntas aos jogadores como “quem é o teu treinador de referência?” e os jogadores colocarem o meu nome…este tipo de frontalidade e assumir essa personalidade traz problemas, mata muita gente, mas eu não peço nada a ninguém, é fruto do nosso trabalho diário, da nossa dedicação e profissionalismo. Podemos ser amadores, mas do portão para dentro somos muito profissionais, acima de tudo percebi que tenho de mudar, afastar de mim definitivamente tudo o que me faz mal, focar-me apenas no trabalho, na minha ambição, no caminho que quero seguir. Mais contenção em alguns momentos, viver menos o jogo e o treino, adaptar-me a uma realidade e aceitar as diferentes formas de pensar. Só assim posso crescer… algo que me fez também pensar foi que estando eu castigado porque havia tanto interesse de alguns clubes em contratar-me. Sim, porque eram quatro e apenas um clube do CP [Campeonato de Portugal] esbarrou na situação do castigo, este interesse era fruto do nosso trabalho, então tenho que definitivamente focar-me no que é importante e deixar o que é acessório para não correr o risco de colocar em causa tudo o que de bom fazemos com o objetivo claro de um dia poder ser profissional de futebol, e isto é o que vou fazer…. obrigado a todos!

Aproveito para desejar a todos os agentes desportivos uma grande época, acima de tudo sem lesões e com muita saúde, e que todos consigam atingir os seus objetivos… não quero deixar fugir a oportunidade para felicitar a AD Mação pela conquista da supertaça!

 

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

- Publicidade -
- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Faça o seu comentário, por favor!
O seu nome