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Futebol | Sertanense ganha derbi com Sernache em jogo que pode valer manutenção

SERTANENSE FUTEBOL CLUBE 3 – GRUPO DESPORTIVO VITÓRIA DE SERNACHE 1
Campeonato de Portugal – Série E – 21ª jornada
Campo de Jogos Dr. Marques dos Santos na Sertã
03-04-2021

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O relvado do Campo Dr. Marques dos Santos, na Sertã, preparou-se para mais um derbi concelhio, contra os vizinhos de Cernache do Bonjardim, num jogo que, se não fosse o momento que se atravessa, iria de certeza ter uma enorme moldura humana com muitos adeptos de ambos os emblemas.

Campo de Jogos Dr. Marques dos Santos, na Sertã. Foto: mediotejo.net

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Sem público mas com enorme expectativa, o derbi desta época entre Sertanense e Vitória de Sernache, a faltarem duas jornadas e com as equipas “coladas” logo acima da “linha de água”, tinha um acréscimo motivacional: poder ser determinante na decisão de quem fica no Campeonato de Portugal.

O Vitória de Sernache tinha mais um ponto mas o Sertanense, a jogar no seu terreno, quereria inverter as coisas a seu favor. Os ouvidos, esses, estavam na Carapinheira onde o outro interessado recebia o Oleiros, em jogo que acabaria por vencer, num resultado que viria a atirar as decisões da manutenção para a última jornada. Mas já lá vamos…

Equipas focadas no jogo mas com os ouvidos na Carapinheira.

A equipa de Natan Costa não podia de modo algum imaginar um início de jogo de sonho como este. Na bola de saída, o capitão Miguel Pinéu foi solicitado na direita, combinou com Iago e cruzou para o centro da área apanhando a defensiva forasteira de surpresa.

Não foram lestos a afastar e Muacir aproveitou para alvejar a baliza de Framelin com êxito.
Um dos golos mais rápidos do Campeonato, aos 25 segundos, colocou o Sertanense a vencer, ampliando as dificuldades da equipa de Ricardo Nascimento.

Muacir celebra aquele que terá sido um dos golos mais rápidos do Campeonato.

E não ficaria por aí…
No segundo minuto de jogo Miguel Pinéu foi até à linha de fundo, com Luís Grando na proteção. Quando o jogador do Sertanense cruzou, o central dos visitantes excedeu a capacidade muscular e tendinosa, ficando agarrado, muito queixoso, à zona da virilha.

Acabou por ter de sair do terreno de jogo, sendo rendido por Ibraima com apenas seis minutos de jogo. Mais um revés para o conjunto de Cernache, no arranque da partida.

Mau dia para Luiz Grando. lesionado muito cedo no jogo.

Pouco depois da entrada de Ibraima, Muacir voltou a rematar forte, desta feita, contra a muralha defensiva do Vitória de Sernache.

No minuto seguinte, na conversão dum livre favorável à equipa da casa, Muacir chegou um pouco tarde mas o lance estava inviabilizado pelo apito de Pedro Ferreira.

Com o Vitória de Sernache a tentar encontrar soluções para contrariar a boa entrada dos sertaginenses, só para lá do quarto de hora se abeirou da baliza de Leo Turossi. Uma boa jogada de envolvimento terminou com Ricardo Sousa a rematar forte contra um defensor, ganhando o primeiro canto para as cores visitantes.

Boa reação dos visitantes ao golo madrugador.

Com o jogo já equilibrado, Leo começou a ter mais trabalho. Aos 19 minutos foi obrigado a socar uma bola carregada de “veneno”, na sequência dum livre. Na segunda vaga agarrou com segurança nas alturas.

O jogo passou a desenrolar-se mais sobre o meio campo, com as equipas encaixadas, poupando os guarda redes.

Aos 28 minutos Balla Sangaré usou a sua melhor arma, a velocidade, para encarar Leo Turossi. O guarda redes chegou primeiro e o choque foi inevitável, felizmente, sem consequências físicas.

Boas investidas do Sernache iam mantendo o respeito.

Aos 32 minutos um livre no meio campo defensivo da equipa da Sertã permitiu o lançamento longo para Pinéu, junto à lateral direita no enfiamento da linha de grande área. O capitão sertaginense, de cabeça, serviu Buby Katty que embalou na área e rematou para o segundo golo da sua equipa.

Aumentavam as preocupações de Ricardo Nascimento e respirava-se de alívio nas hostes da equipa da Sertã com o avolumar da vantagem no marcador.

Mas o pesadelo em que o jogo se transformou para o Vitória de Sernache não ficou por aí…
Na reposição, um roubo de bola de Doukouré levou o Sertanense para uma jogada de insistência que terminou com uma cabeçada vitoriosa de Iago. Em dois minutos a equipa da casa ampliava para três golo sem resposta.

Depois de Muacir (à esq.) foi a vez de Iago e Buby Katty (à dta. marcarem para o Sertanense.

Apesar do resultado negativo a equipa de Cernache do Bonjardim nunca baixou os braços…
Aos 38 minutos um cruzamento largo obrigou Pinéu, de cabeça, a ceder canto. Na cobrança do canto Diogo Petiz obrigou Leo Turossi a defesa atenta.

O mesmo não sucedeu dois minutos depois. O guarda redes não agarrou uma bola, aparentemente fácil, e quando Balla Sangaré se esgueirava Leo Turossi agarrou-o pela camisola.

O árbitro da partida não vacilou, assinalou a grande penalidade e exibiu o cartão vermelho a Turossi, entendendo que não demonstrou intenção de jogar o esférico.

Já com Lucas Bento na baliza Sani marcou de grande penalidade.

Já com Lucas Bento na baliza, Buby Katty foi o sacrificado para a entrada do guarda redes, Sani encarregou-se da marcação da grande penalidade.

Da linha dos onze metros não tremeu, atirou para o lado direito de Lucas que ainda adivinhou o lado, mas insuficiente para travar o remate vitorioso. Já perto do intervalo, aos 43 minutos, o Vitória de Sernache reduzia a diferença no marcador e, com superioridade numérica e com tanto tempo para jogar, renovou a esperança num resultado positivo.

O resultado ao intervalo era aceitável, talvez por números excessivos. Grande expectativa para a etapa complementar.

Enorme expectativa para o segundo tempo.

A equipa de Natan Costa, amputada duma unidade, deu primazia à defesa sem descurar a hipótese de lançar um contra golpe sempre que a ocasião se propiciou.

A equipa do Vitória de Sernache sabia que anular dois golos era tarefa difícil mas não impossível e apelou à capacidade dos seus atacantes.

A verdade é que o Sertanense esteve sempre muito bem a defender, com o jovem, de apenas 18 anos, Lucas Bento, a dizer presente na baliza, sempre que solicitado.

Vitória de Sernache perdeu na Sertã e está numa situação difícil para tentar assegurar a manutenção.

Aos 50 minutos teve a primeira intervenção de muito mérito ao afastar a punhos um perigoso cruzamento do Vitória. No pontapé de ressaca Samuel rematou sobre o travessão.

Cinco minutos passados em perfeito equilíbrio e o Sertanense a beneficiar dum pontapé livre sem consequências para a baliza de Ohoulo Framelin.

Na resposta, um cruzamento milimétrico para o primeiro poste obrigou a um corte arriscado de Hugo Meira para canto. Após a cobrança do livre do quarto de circulo Gustavo Gandra, entrado minutos antes, atirou por cima.

Sernache tentou de todas as maneiras e bolas paradas não foram exceção.

Em cima da hora de jogo, Jair ganhou novo pontapé de canto. Eduardo Souza disparou um potente remate para uma enorme defesa de Lucas Bento. Souza ainda beneficiou da segunda bola mas atirou por cima.

O Sertanense respondeu de imediato com Pinéu a cruzar para Muacir em boa posição. O esférico não encontrou a baliza de Framelin.

Seguiu-se um longo período de pouco futebol, com as equipas acomodadas, sem um vislumbre de qualquer tipo de “magia”. Agradecia a equipa da casa que ia “levando a água ao seu moinho” sem grande desgaste.

Momentos houve que se jogou muito sobre o meio campo, sem criar perigo.

Só aos 77 minutos um remate cruzado de Diogo Petiz levou muito perigo à baliza do Sertanense. Percorreu toda a área sem ser intercetada e acabou por sair rente ao segundo poste. Não passou dum calafrio…

A resposta da equipa da casa demorou sete longos minutos e de bola parada. Um livre, batido de muito longe, permitiu o remate de João Silva. A bola passou longe do alvo.

No minuto seguinte, o 85º, reclamou-se falta na área dos sertaginenses. Nem os protestos foram muito expressivos nem o árbitro pareceu ter qualquer dúvida. Assinalou pontapé de canto. Na cobrança Balla Sangaré não atinou com a baliza de Lucas e o esférico perdeu-se pela linha de fundo.

Apesar do empenho de ambas as equipas o nulo no segundo tempo prevaleceu.

Com o jogo a caminhar para o final sem se vislumbrar capacidade ofensiva do Vitória de Sernache para inverter a situação, ainda houve tempo para ver Balla Sangaré a cabecear para nova defesa de elevado grau de dificuldade de Lucas Bento.

Em cima do tempo regulamentar, um contra ataque da equipa da casa foi travado pelo guarda redes camaronês do Sernache, Ohoulo Framelin.

Após o auxiliar erguer a placa com a indicação de que se iriam jogar mais quatro minutos a título de compensação, no último desses minutos a equipa de Ricardo Nascimento ainda colocou à prova o guarda redes Lucas Bento mas este amarrou a bola com segurança.

Lucas Bento, muito novo, deu confiança a uma defesa eficaz.

Pouco depois o juiz de Braga apitou para o fim das “hostilidades”. Bom derbi concelhio na Sertã com um começo feliz para a equipa da casa a vencer desde os primeiros segundos, a fazer pela vida e a chegar, com alguma surpresa, aos três a zero.

A reação dos visitantes valeu uma grande penalidade que permitiu reduzir. A jogar contra dez todo o segundo tempo, o conjunto que viajou de Cernache do Bonjardim não teve arte nem engenho para inverter o resultado pelo que a vitória assenta que nem uma luva à equipa do Sertanense Futebol Clube.

A equipa de arbitragem teve alguns equívocos, pareceu exagerar na expulsão mas a lei permite-lhe ajuizar da intenção de “jogar a bola”, pelo que terá de se aceitar. Sem interferência no resultado. Louve-se o fair play de todos os intervenientes no jogo.
Assim vale a pena…

Arbitragem sem problemas em jogo onde imperou o fair play. O futebol agradece…

O derbi acabou por não ser decisivo, porquanto o Carapinheirense venceu, chegou as 22 pontos, e trocou de posição com o Vitória de Sernache que, com 21 pontos, está agora abaixo da “linha de água”.

O Sertanense soma 23 pontos, ainda não está “safo”, e pelo menos terá de empatar em Condeixa para se colocar matematicamente a salvo da descida aos distritais.

O Sernache terá de vencer em casa o despromovido Mortágua e esperar por boas notícias de Alcains, onde se desloca a equipa do Carapinheirense. Antevê-se fim de semana diabólico para as equipas que acompanhamos habitualmente. Contaremos como vai ser…

Duas boas equipas a lutarem pela manutenção na última jornada.

Ficha do jogo:

SERTANENSE FUTEBOL CLUBE:
Leo Turossi, Miguel Pinéu, Kevin Ibouka, Hugo Meira, Sunday, Vitor Pisco (Landry), Doukouré, Iago (Matheus), Muacir (Bruno Eduardo), João Silva e Buby Katty (Lucas Bento).
Suplentes não utilizados: Tiago Santos, Bruno Torres e Cyrille.
Treinador: Natan Costa.

Sertanense Futebol Clube.

GRUPO DESPORTIVO VITÓRIA DE SERNACHE:
Ohoulo Framelin, Diogo Petiz, Luiz Grando (Ibraíma), Davi Maciel, Anderson Pereira, Ricardo Sousa, Eduardo Souza, , Sani, Samuel (Gustavo Gandra), Jair e Balla Sangaré.
Suplentes não utilizados: André Lima, Ricardo Antunes, Rudy e Ayomide Akiode.
Treinador: Ricardo Nascimento.

Grupo Desportivo Vitória de Sernache.

GOLOS:
Muacir, Buby Katty e Iago (Sertanense); Sani [g.p.] (Sernache).

EQUIPA DE ARBITRAGEM:
Pedro Ferreira, Nuno Freitas e José Pereira (AF Braga).

Equipa de Arbitragem: Pedro Ferreira, Nuno Freitas e José Pereira com os capitães.

DISCIPLINA:
Cartão amarelo: Lucas Bento e Natan (Sertanense, Anderson Pereira e Ibraima (Sernache)
Cartão vermelho: Leo Turossi (Sertanense).

No final, como habitualmente, fomos escutar os treinadores de ambas as equipas:

NATAN COSTA (Sertanense)

Natan Costa-Treinador do Sertanense. Foto: Arquivo mediotejo.net

 

RICARDO NASCIMENTO (Sernache)

Ricardo Nascimento, treinador do Sernache.Arquivo mediotejo.net.

*Com David Belém Pereira (multimédia).

 

Nasceu a 30 de Janeiro de 1961 em Lisboa e cresceu no Alentejo, em Santiago do Cacém. Dali partiu em 1980 para ingressar no Exército e no Curso de Enfermagem. Foi colocado em Santa Margarida e por aqui fez carreira acabando por fixar-se no Tramagal em 2000. A sua primeira ligação à Vila "metalúrgica" surge em 1988 como Enfermeiro do TSU. Munido da sua primeira câmera digital, em 2009 e com a passagem à situação de reserva, começou a registar a fauna do Vale do Tejo, a natureza e o património edificado da região, as ruas, as pessoas... Com colaborações regulares em jornais da região e nacionais este autodidata acaba por conseguir o reconhecimento público, materializado em alguns prémios. Foi galardoado na 8ª Gala de Cultura e Desporto de Tramagal na categoria de Artes Plásticas (Fotografia) em 2013.

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