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Sábado, Maio 8, 2021

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Futebol | Sernache de raça vence Mortágua e assegura manutenção no CP na última jornada

GRUPO DESPORTIVO VITÓRIA DE SERNACHE 2 – MORTÁGUA FUTEBOL CLUBE 0
Campeonato de Portugal – Série E – 22ª jornada
Estádio Municipal Nuno Álvares Pereira em Cernache do Bonjardim
10-04-2021

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Até ao lavar dos cestos é vindima…
Nunca um adágio popular encaixou tão bem num campeonato como este ano na série E do Campeonato de Portugal onde três equipas lutaram pela manutenção até esta última jornada da fase regular, duas delas do concelho da Sertã. Em Cernache do Bonjardim, a equipa da casa partia para este jogo abaixo da linha de água, numa jornada tão molhada quanto abençoada para as equipas da região do Médio Tejo.

Estádio Nuno Álvares Pereira recebeu partida decisiva.

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Com o líder Leiria sólido na posição cimeira e as equipas que disputarão o acesso à recém-criada III Liga apuradas, era no fundo da tabela que residiam as dúvidas maiores. Com o GRAP eliminado por desistência, Alcains e Mortágua tinham a descida como destino. Para uma vaga nos distritais candidatavam-se assim o Carapinheirense e as duas equipas do concelho da Sertã: o Sertanense e o Vitória de Sernache.

Equipa de Ricardo Nascimento obrigada a ganhar.

O Sernache, das três equipas era a que tinha menos pontos, recebeu um já despromovido Mortágua que queria disputar o jogo, pugnando pela verdade desportiva. A equipa da casa, a quem só a vitória interessava para assegurar a manutenção, “jogava” em três estádios, esperando um “alinhamento planetário favorável”.

A equipa de Ricardo Nascimento, que foi vítima da covid-19 desde o dia 07 de janeiro, teve muitas dificuldades para recuperar dos efeitos da pandemia, apesar do valor apresentado. Num campeonato abaixo das suas pretensões lutava agora pela manutenção…

Sernache lutava por um lugar no Campeonato de Portugal.

Com um céu ameaçador, a prometer “desfazer-se” em água a qualquer instante e o ribombar da trovoada como pano de fundo, o jogo no Estádio Nuno Álvares Pereira começou em bom ritmo com a equipa da casa a querer marcar cedo, com os ouvidos em Condeixa e Alcains.

Bom trabalho da estação de televisão “Canal 11” que ao emitir os três jogos em simultâneo permitiu aferir em tempo real a classificação provisória e final. O Mortágua, sem nada a perder, ia jogando de forma desinibida, não se escusando de atacar.

Foi num contra ataque que a equipa da casa criou o primeiro momento de apuro para a baliza de Luís Pedro. Corria o sexto minuto.

Equipa da casa entrou muito forte.

Jair foi servido na ala esquerda, fez uma diagonal interior, enquadrando-se com a baliza, e rematou, obrigando o guarda redes visitante a ceder canto. Na sequência da marcação, o esférico terá embatido na mão dum defensor. Pediu-se grande penalidade mas o árbitro de Leiria, Paulo Ferrás, assinalou novo canto.

Balla Sangaré rematou para enorme defesa de Luís Pedro, aumentando o número de cantos consecutivos. No último da sequência, Jair encheu o pé mas a bola ganhou altura e perdeu-se para lá da linha de fundo.

Sequência de cantos sufocou os visitantes.

O Vitória estava por cima e um cruzamento da direita de Vareiro, aos oito minutos, foi direitinho para a cabeça de Anderson Pereira que atirou por cima.

Aos 12 minutos Balla Sangaré ainda introduziu a bola na baliza do Mortágua mas o lance estava inviabilizado por posição irregular de Sani.

Após o arranque avassalador da equipa da casa ,entrou-se num período de alguma acalmia com o esférico a viajar longe das balizas e com os guarda redes a serem meros espectadores.

Quando o jogo serenou jogou-se mais a meio campo.

Apenas aos 24 minutos o Mortágua incomodou o guarda redes camaronês do Sernache.
Na sequência dum canto, a defensiva afastou para a zona de tiro. Um segundo remate embateu na cortina defensiva e quase traía Ohoulo Framelin que defendeu com categoria.

Os visitantes estavam atrevidos e pouco depois um forte remate de longe obrigou Ohoulo à cedência de novo canto. Na cobrança, Anderson Pereira, com uma abordagem temerária, por pouco não marcava na própria baliza, cedendo novo canto.

Quando chamado à liça Ohoulo Framelin esteve em bom plano.

No lance seguinte Vareiro, muito interventivo na sua ala, rematou forte para uma excelente defesa de Luís Pedro. Voltava o Vitória a mandar no jogo e a colecionar oportunidades.

Aos 28 minutos Vareiro cruzou para assistir Jair que cabeceou para defesa do guarda redes visitante. Pouco depois da meia hora de jogo Balla Sangaré, em velocidade, isolou-se mas não conseguiu levar a melhor sobre o guarda redes contrário.

Aos 34 minutos Framelin respondeu com os punho a um canto batido tenso para a sua zona de ação. Paulo Ferras viu alguma irregularidade e anulou o lance por falta atacante.

Oportunidades repartidas.

Já em tempo de descontos Jair foi solicitado na velocidade mas o guarda redes Luís Pedro mediu bem as distâncias e chegou primeiro. Pouco depois o juíz leiriense Paulo Ferrás deu por terminada uma primeira parte emotiva quando a chuva já caia num verdadeiro dilúvio.

O nulo aceitava-se apesar do domínio e desperdício da equipa da casa. Boas novas chegavam de Alcains onde um autogolo do Carapinheirense dava ânimo aos púpilos de Ricardo Nascimento. Em Condeixa também se registava um nulo.

Nulo ao intervalo e o céu a “desabar” encharcando o relvado.

No recomeço, com o excelente relvado a tentar absorver os milhares de litros de água que insistiam em cair, cedo se percebeu que o bom futebol tinha os dias contados. O esférico ora prendia nas zonas mais encharcadas ora ganhava velocidade desmesurada noutras zonas. Só com muita entrega se iria conseguir “entregar a carta a Garcia”. E os intervenientes não se pouparam…

Jogadores não se pouparam.

No reatamento Eduardo Souza, à entrada da área, quis testar a atenção do guarda redes visitante e rematou forte para mais uma boa intervenção de Luís Pedro.

No minuto seguinte foi impotente para travar Bala Sangaré que passou pelo capitão João David e pelo guarda redes em velocidade, abrindo a contagem e colocando no jogo uma nota de justiça. O Vitória de Sernache abria o marcador e o caminho para a manutenção.

Balla Sangaré marcou dando início à festa.

No recomeço Vareiro voltou a ensaiar o remate colocado, da meia distância, para boa defesa. Com muita água no relvado a progressão era difícil e as perdas de bolas constantes. Lutava-se mais do que se jogava.

A equipa da casa estava dividida entre o ampliar o marcador com um golo tranquilizador ou guardar a preciosa vantagem. Até porque a equipa do distrito de Viseu tornava-se ameaçadora por períodos.

Aos 56 minutos, na cobrança dum livre descaído para o lado esquerdo, batido por Cláudio Bandeira, não passou longe do segundo poste, nas costas de Framelin.

Mortágua nunca deixou de procurar o golo.

O Sernache sempre que conquistava a posse do esférico procurava as alas para daí cruzar para as referências atacantes. Foi o que fez Jair, no minuto 58, a servir Sangaré que chegou atrasado.

Entretanto os nervos iam tomando conta de toda a gente e à hora de jogo o árbitro teve de admoestar o presidente do clube de Cernache do Bonjardim, António Joaquim.

O Mortágua sempre que subia no terreno de jogo fazia-o de forma perigosa e aos 64 minutos o remate de Henrique Leça embateu na defensiva e quase traia o guarda redes Ohoulo Framelin. Do canto nada resultou.

Cautelas defensivas do Sernache.

O Mortágua, sentindo a ansiedade da equipa da casa, ia-se apoderando do jogo e criando ocasiões para empatar. Aos 66 minutos, na cobrança dum livre, Cláudio Bandeira rematou forte para defesa apertada de Framelin.

Estava na hora do guarda redes brilhar, assegurando a inviolabilidade das suas redes. Aos 70 minutos, em novo livre para os visitantes, Gabriel Fraga cabeceou diretamente para fora. O juíz, num dos poucos erros na partida, mandou bater pontapé da marca de canto!

Sernache buscou a tranquilidade, defendendo bem.

O tempo ia passando sem grandes motivos de apontamento, num resultado que servia os donos da casa. Aos 73 minutos um livre batido da lado esquerdo por Jair deu a possibilidade de Anderson Pereira brilhar.

Um toque de calcanhar acrescentou nota artística ao lance mas a defesa resolveu enviando para canto. O canto, batido para fora da área, permitiu a Balla Sangaré marcar numa segunda vaga. O lance, no entanto, foi anulado por fora de jogo.

Balla Sangaré voltou a marcar mas não contou.

Com as equipas a “queimarem os últimos cartuchos” e já com a cedência de três minutos pelo árbitro a título de compensação, Ricardo Nascimento lançou Samuel no jogo, aos 91 minutos.

Com menos de um minuto em campo, Samuel foi solicitado por Sangaré e o camaronês empurrou para o fundo das redes, selando uma justa vitória que valeu a manutenção e um explosão enorme de alegria nas hostes do Vitória de Sernache.

O golo de Samuel selou a permanência e provocou uma explosão de alegria em Cernache do Bonjardim. Foto: mediotejo.net

Jogo emotivo que nunca poderia ser bem jogado devido às condições do tempo e ao estado emocional dos intervenientes. Ainda assim valeu pela entrega e brio. Apesar da chuva intensa o relvado manteve-se íntegro e permitiu jogar. Boa arbitragem.

Com a conjugação de resultados a “fava” calhou à equipa de Montemor-o-Novo, o Carapinheirense, que desceu aos distritais de Coimbra. As equipas do concelho da Sertã militarão na próxima época no Campeonato de Portugal.

Ficha do jogo:

GRUPO DESPORTIVO VTÓRIA DE SERNACHE:
Ohoulo Framelin, Vareiro, Diogo Petiz, Davi, Anderson Pereira, Ricardo Sousa, Rudy, Eduardo Souza (Gustavo Gandra), Sani (Samuel), Jair Silva e Balla Sangaré.
Suplentes não utilizados: André Lima, Luiz Grando, Akiode e Ibraima.
Treinador: Ricardo Nascimento.

Grupo Desportivo Vitória de Sernache.

MORTÁGUA FUTEBOL CLUBE:
Luís Pedro, Cláudio Bandeira, João David, Miguel Rodrigues,João Rodrigues (Tiago Nunes), Henrique Leça, Stefan Almeida (Rodolfo), Tiago Gomes (Jony Borges), Simão Pipo (Paulo Tavares), Rafinha (Tagui) e Gabriel Fraga.
Suplentes não utilizados: Baía e Duda.
Treinador: Rui Gomes.

Mortágua Futebol Clube.

GOLOS:
Balla Sangaré e Samuel (Sernache).

EQUIPA DE ARBITRAGEM:
Paulo Ferras, José Mira e Bruno Vieira (AF Leiria).

Equipa de arbitragem: Paulo Ferras, José Mira e Bruno Vieira com os capitães.

No final fomos escutar ambos os técnicos:
RICARDO NASCIMENTO (Sernache)

Ricardo Nascimento, treinador do Sernache.Arquivo mediotejo.net.

RUI GOMES (Mortágua)

Rui Gomes, treinador do Mortágua.

Quisemos falar com o Presidente do Vitória de Sernache, António Joaquim, que, emocionado, nos deixou em direto o seu testemunho sobre esta época:

*Com David Belém Pereira (multimédia).

Nasceu a 30 de Janeiro de 1961 em Lisboa e cresceu no Alentejo, em Santiago do Cacém. Dali partiu em 1980 para ingressar no Exército e no Curso de Enfermagem. Foi colocado em Santa Margarida e por aqui fez carreira acabando por fixar-se no Tramagal em 2000. A sua primeira ligação à Vila "metalúrgica" surge em 1988 como Enfermeiro do TSU. Munido da sua primeira câmera digital, em 2009 e com a passagem à situação de reserva, começou a registar a fauna do Vale do Tejo, a natureza e o património edificado da região, as ruas, as pessoas... Com colaborações regulares em jornais da região e nacionais este autodidata acaba por conseguir o reconhecimento público, materializado em alguns prémios. Foi galardoado na 8ª Gala de Cultura e Desporto de Tramagal na categoria de Artes Plásticas (Fotografia) em 2013.

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