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Segunda-feira, Outubro 18, 2021

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Futebol/Riachense | Pedro Negrete, a paixão pelo futebol “não se explica, sente-se” (c/vídeo)

No início da época na 2ª divisão distrital e poucos dias depois da inauguração do novo relvado sintético do campo de futebol de Riachos, Torres Novas, o mediotejo.net foi falar com Pedro Negrete, a iniciar a sua primeira época como treinador da equipa sénior do Clube Atlético Riachense, equipa que integrou como jogador. Entrevistado sem rodeios e sem meias palavras,  a poucas horas de defrontar o TSU para a 1ª jornada do campeonato da 2ª divisão distrital, descreve-nos um futebol de amor à camisola e a ambição declarada de subir de divisão.

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B.I.

Nome: Pedro Negrete

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Idade: 40

Naturalidade: Fátima

Carreira futebolística: Clube Amador de Desportos do Entroncamento, Grupo Desportivo dos Ferroviários do Entroncamento, Clube Atlético Riachense, União Atlético Povoense, Clube Atlético Riachense.

Conquistas: duas Taças do Ribatejo, campeonato distrital (1ª divisão).

CV Treinador: adjunto no Grupo Desportivo da Casa do Povo de Pego, Clube Amador de Desportos do Entroncamento (juvenis e júniores), Clube Atlético Riachense.

Pedro Negrete inicia a sua primeira época no Atlético Riachense Foto: mediotejo.net

ENTREVISTA

mediotejo.net (MT): Como nasceu o interesse pelo futebol?

Pedro Negrete (PN): (risos) Isto começa tudo desde muito pequenino. Os presentes eram só bolas. A gente queria era bola. Bola, bola, bola, jogar à bola na rua. Começou muito novinho. A minha experiência como jogador, em campo mesmo a sério, foi aos 7/8 anos, no Clube Amador de Desportos do Entroncamento (CADE). Na altura fazia-se os torneios do mini CADE e fui aí que tudo começou. Fui recrutado para depois iniciar o escalão infantil, porque na altura ainda não havia nada destas coisas dos sintéticos e escalões de formação, íamos logo para os infantis. E fiz a minha primeira experiência assim.

Como se dá a sua entrada na formação de futebol? Foi por algum amigo?

Foi por gente conhecida. Ao jogar na rua com os colegas decidiram fazer uma equipa para jogar nesse torneio do mini CADE. Não só eu como outros colegas foram recrutados.

O que recorda mais deste seu percurso como jogador?

Fiz a minha formação toda no CADE até aos juvenis. Na altura já tínhamos muitas equipas que lutavam por ser campeão distrital e nós éramos sempre uma delas. Fomos sempre uma equipa muito competitiva. Depois vem o Ferroviário, os júniores e primeira época de sénior.

A nível de trabalho de campo penso que se está a trabalhar melhor. Vejo pela minha experiência, pelos meus colegas, penso que já se faz um trabalho, dentro do amador, muito profissional

Como se explica essa paixão por futebol?

Não se explica, sente-se. Isto é uma coisa que já nasce connosco. Na família também tenho alguns familiares ligados ao futebol e se calhar vem daí. O meu pai, por exemplo, não liga nada ao futebol, gosta de ver na televisão. Mas o meu tio, irmão dele, é um apaixonado por futebol. Com 60 anos ainda joga nos veteranos e é sempre o primeiro a chegar e o último a abandonar. Acho que é daí, o bichinho que nasce connosco. Depois também o jeito. As coisas foram acontecendo naturalmente.

Das equipas por onde passou, qual foi a que mais o marcou?

O CADE, sem dúvida, é o meu clube de coração, o meu clube de formação. Depois, como sénior, o Atlético Riachense.

Como se dá esta transição para treinador?

Chegou uma certa altura da minha carreira que eu comecei a questionar muitas situações que via no treino, nos jogos. O treinador na altura até me desafiou a tentar preparar um treino. O bichinho do treinador começou aí. Eu questionava muita coisa e queria corrigir muita coisa. Mesmo dentro do campo tentava corrigir os meus colegas. Comecei a pensar que tinha que largar isto e ir para o banco e tentar fazer aquilo que na altura já estava a mexer comigo. Desde os meus 25/26 anos que comecei a pensar nisso.

Qual a grande diferença entre ser jogador e treinador?

É a responsabilidade. A responsabilidade de um treinador, principalmente num escalão sénior, é totalmente diferente. Não tem nada a ver. O jogador limita-se a fazer o que o treinador pede e lá dentro a sua arte. No caso do treinador não. Há todo um trabalho antes e depois do treino. Vive-se o jogo de outra maneira.

O que é necessário para ser um bom jogador de futebol?

O talento em primeiro lugar. Depois o querer, a vontade, trabalhar. Isto é um desporto coletivo, também é importante saber-se integrar. Para ser um bom jogador de futebol hoje começa nos pés e depois é ir até à cabeça. Sem cabeça também não se vai a lado nenhum.

Eu questionava muita coisa e queria corrigir muita coisa. Mesmo dentro do campo tentava corrigir os meus colegas. Comecei a pensar que tinha que largar isto e ir para o banco e tentar fazer aquilo que na altura já estava a mexer comigo

Como é que se consegue manter a motivação a este nível, que é mais amador e não uma profissão a tempo inteiro, onde as pessoas jogam sobretudo por amor à camisola?

É isso que acabou de dizer. É o gosto, o amor à camisola, a competição, o fazer aquilo que se gosta. É assim que se vai mantendo. Neste clube não se paga nada aos jogadores. Tentamos dar um petisco à sexta-feira, o almoço ao domingo. Mas isto não é um salário, é mais uma motivação para eles. São eles próprios que se têm que motivar. Porque querem, porque gostam. Isto agora é bom porque está calor, mas daqui a algum tempo começa a chuva, o frio, vai ser mais complicado. A motivação somos nós que a criamos. 

 Que vantagens este novo relvado sintético traz para o Atlético Riachense?

A vantagem que traz é principalmente na formação. Quando era jogador sempre fui apologista do relvado natural. Bem tratado, não há melhor. Mas para a formação e para os tempos que se vivem hoje todos os clubes precisam de um relvado sintético. O Riachos não é exceção. A formação está a aparecer e isto é bom para o clube, para os adeptos, para os pais que moram aqui perto e tinham que levar os filhos para outras terras aqui próximas. O sintético hoje é importantíssimo em que escalão for, em que clube for. Isto é uma obra que o presidente trabalhou para ela e ainda bem que surgiu.

Quais as expectativas neste início de época?

Já foi assumido publicamente que o Riachos vai tentar subir. Vamos trabalhar para subir de divisão. Na minha opinião somos os candidatos a ganhar os três pontos em todos os jogos. É a nossa ambição, trabalhar para isso.

Quais as equipas que pensa que o vão desafiar mais nesta época?

Por muita surpresa que possa haver no futebol, e há sempre as equipas mais candidatas e menos candidatas, esta semana fomos ao Sardoal com uma equipa em que pensei que íamos ter um jogo tranquilo e acabámos a ganhar por 3-2. Hoje em dia já não se trabalha mal no futebol, mesmo no nível amador. Toda a gente quer ser profissional. Toda a gente quer trabalhar bem. O Sardoal tem as suas limitações, mas tem um treinador muito inteligente, que tentou jogar com a táctica, com as armas que ele tinha. O que quero dizer com isto é que podemos ganhar em qualquer campo e perder em qualquer campo. Nós e qualquer equipa. Temos que ser sérios e trabalhar. Somos todos candidatos. Não acredito que haja um treinador que diga aos seus jogadores “vamos lá para dentro para perder…”.

A equipa está preparada?

A equipa está preparadíssima.

São eles próprios que se têm que motivar. Porque querem, porque gostam. Isto agora é bom porque está calor, mas daqui a algum tempo começa a chuva, o frio, vai ser mais complicado. A motivação somos nós que a criamos

Como vê atualmente o futebol amador?

Penso que cada vez mais os treinadores estão mais especializados. Hoje há mais informação, toda a gente já tem novos métodos de trabalho. A nível de trabalho de campo penso que se está a trabalhar melhor. Vejo pela minha experiência, pelos meus colegas, penso que já se faz um trabalho, dentro do amador, muito profissional.

E o futuro é por aí?

O futuro é por aí, sem dúvida alguma.

Que mensagem gostaria deixar aos sócios e adeptos do Riachense?

Os sócios e adeptos são fantásticos. Já fui jogador aqui, sempre fui bem tratado. Sou sempre bem tratado nesta vila. Peço que apoiem esta equipa, não só os séniores como os outros escalões. Que ajudem, que venham aos jogos – que eu sei que vão estar presentes – mas que venham para puxar pela equipa e não apenas criticar. Esta é uma equipa jovem, que se está a formar ainda, é provável que haja dias que possa correr menos bem.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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