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Terça-feira, Dezembro 7, 2021
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Futebol | Paulo Costa, treinador do Riachense, do “antigo bairro Camões” para anos a fio de muitas conquistas.

Paulo Costa, 49 anos, delegado de informação médica, é actualmente o treinador do Clube Atlético Riachense. Começou a jogar futebol no Grupo Desportivo Ferroviários, do Entroncamento. Após ter feito ali toda a formação, saiu ao seu 4º ano de sénior para representar nove clubes em todo o distrito. Começou a treinar com 34 anos os juniores da Chamusca, no segundo ano começou a treinar seniores, também na Chamusca.

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Desde esse ano até aos dias de hoje não mais parou de treinar, tendo já passado por vários clubes do distrito. Em entrevista ao mediotejo.net, Paulo Costa recorda alguns dos marcos que considera como os seus pontos altos nesta já longa carreira no futebol, ao passo que faz também uma análise ao estado atual do futebol no distrito, estabelecendo comparações com o futebol praticado antigamente.

Ambiciona este ano ascender à 1ª divisão distrital com a equipa do Riachense. O clube ocupa, à data, a 5ª posição, à partida para a 4ª jornada, tendo somado até aqui 3 pontos. Sobem os 4 primeiros classificados, se não descer mais nenhuma equipa do nacional, para além do Mação, que tem já confirmado o regresso aos distritais.

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Paulo Costa, treinador do Riachense.

B.I 

Nome: Paulo Jorge Freire Rodrigues da Costa

Idade: 49 anos

Naturalidade: Joanesburgo, África do Sul

Entrevista:

mediotejo.net: Quando é que descobriu a sua paixão pelo futebol? Ainda se lembra dos primeiros pontapés que deu na bola?

Paulo Costa: Desde cedo, as histórias fizeram-se passo a passo no futebol e tive imensas, imensas peripécias no balneário com os jogadores, alguns que tinham estado inclusivamente na primeira liga, joguei praticamente 24, 25 anos seguidos, sem parar, por isso as peripécias foram muitas. Os primeiros passos no futebol ainda foram no antigo bairro Camões, no Entroncamento, num campo pelado, onde as memórias que me recordo é que de facto a paixão pelo futebol era completamente diferente nessa altura, as pessoas iam muito mais aos jogos.

Recordo-me dos jogos de juniores entre Ferroviários do Entroncamento e o CADE que enchiam por completo o municipal do Entroncamento, havia filas de carro desde o campo do bairro Camões até ao Largo do Santo António e ainda são uns 4 quilómetros, numa reta cheia de carros, não havia estacionamento para assistir a um jogo entre juniores e o mesmo se passava nos seniores. Hoje não, as pessoas estão mais afastadas do futebol, muitas situações existem para que assim seja, mas é uma coisas que me recordo de antigamente. 

Quais as razões para querer seguir uma carreira de treinador?

Eu próprio nunca pensei ser treinador, preparei-me para isso ainda no penúltimo ano enquanto jogador, fiz o curso de 1º nível, depois logo a seguir fiz o curso de 2º nível. Acabei a minha licenciatura em educação física e tenho uma pós graduação em desporto de alto rendimento e, portanto, fui-me preparando ao longo do tempo para ser treinador, quando abandonei, no União da Chamusca, o presidente na altura convidou-me para treinar a equipa de juniores, e, eu sem pensar que podia ser treinador agarrei nessa possibilidade e correu bem. Subimos de divisão, hà 14 anos que o União de Chamusca já não subia em juniores à 1ª divisão distrital, depois a partir dai foram 14, 15 anos seguidos como treinador e penso que sempre com alguns pontos positivos por onde passei.

O treinador ambiciona ainda subir À 1ª divisão distrital.

Para além de treinador também preside um clube. Conte mais sobre isso.

Sim, tenho neste momento a presidência do Entroncamento Atlético Clube. Sentia que na terra que me viu crescer para o futebol fazia falta um clube de futebol, e, juntamente com mais uma equipa de trabalho fizemos uma direção para fundar um clube. Esse clube está fundado desde 2018, a perspectiva será entrar em competição no próximo ano.

Neste momento não tenho ainda nada decidido, se irei optar única e exclusivamente pela presidência do clube, se continuarei a treinar, é uma decisão que tenho de tomar no futuro. Agora, nesta altura, estou muito focado em fazer subir o Riachense.

Paulo Costa, treinador CA Riachense (foto: mediotejo.net)

Conta também um dia vir a treinar o clube que preside? 

Não me preocupa ser treinador do clube, o que me preocupa neste momento nesse clube é que surja, tenha bases sólidas, consiga surgir com um projeto sólido, que passo a passo seja possível dar oportunidade às pessoas do Entroncamento de verem futebol lá, aos domingos, e eu contribuir, juntamente com uma equipa de trabalho que tenho para que isso possa acontecer.

Quanto à questão de vir a ser treinador, não ponho de lado essa possibilidade mas não é isso que me faz obcecar. A única coisa que tenho obcecado agora é o Riachense subir de divisão, e o projeto no Entroncamento ter pernas para andar. E, ter possibilidade de, como dirigente, juntamente com uma equipa de trabalho, pôr o futebol presente para que as pessoas do Entroncamento possam de domingo a domingo lá ir. 

Paulo Costa é também presidente do Entroncamento Atlético Clube

Algum momento que o tenha marcado no futebol? Conquistas ou desaires? 

Sim, como jogador custou-me perder aos 18 anos uma Taça do Ribatejo, em Santarém, pelo Grupo Desportivo Ferroviários do Entroncamento. Acabei por subir de divisão 5 vezes como jogador de futebol, o que também é uma marca que deixa sempre alguns aspetos positivos. Mas como treinador indiscutivelmente foi vencer a taça do Ribatejo pelo Amiense, acabou por ser dos pontos mais altos na minha carreira como treinador, juntamente com a manutenção no campeonato nacional de seniores pelo Riachense. Numa altura muito complicada, quando entrei, onde o clube já não estava a acreditar, já ninguém acreditava que isso fosse possível porque a distância eram 23, 24 pontos da manutenção e nós numa recuperação praticamente épica, acabamos por manter o clube no campeonato nacional de seniores. No ano a seguir até inclusivamente fomos à 4ª eliminatória da Taça de Portugal. São 3 pontos importantes esses.

Que mensagem procura transmitir aos seus jogadores para os manter sempre motivados? Mesmo aqueles que não jogam tão regularmente. 

Não é fácil, depende da forma como cada jogador está predisposto a aceitar a mensagem. De qualquer forma, acho que a dedicação e a paixão que cada um tem de pôr no tempo que dispense em prol do clube é fundamental. Se estamos é porque estamos de alma e coração, não estamos obrigados a servir o clube, estamos porque queremos e se queremos temos de mostrar de facto dedicação por quem representamos. Abnegação, organização, espirito coletivo de trabalho isso é muito importante, o jogador comigo que não o mostre não pode fazer parte do meu grupo. 

Recorda os seus tempos de jogador e fala do compromisso dos jogadores.

Existe algum treinador em quem se reveja? 

Sim, muita gente acaba por falar sempre na mesma pessoa, mas eu revejo-me sobretudo pela forma frontal que tem com os jogadores, como o Mourinho. Não tanto na forma como compõe as equipas a jogar futebol, mas sobretudo na parte psicológica e na mensagem que tenta transmitir, no carácter que tem, na forma como passa a mensagem, identifico-me sobretudo com ele. Acho que a parte psicológica é muito importante no desporto e nomeadamente no futebol. Embora haja outros treinadores que goste, nomeadamente o Pep Guardiola, estes são assim duas referências para mim no futebol.

Qual a sua opinião sobre o futebol actual no campeonato distrital do distrito de Santarém?

O futebol decresceu significativamente de qualidade, tem muito menos qualidade hoje do que tinha hà 10, 15 anos atrás. Foi inversamente proporcional à qualidade que as instalações desportivas foram tendo, as instalações desportivas de uma forma geral no distrito melhoraram significativamente, os clubes têm melhores condições, mas hoje pratica-se um futebol pior. Os praticantes podem ter alguma qualidade, mas do ponto de vista do compromisso, já não é o mesmo que existia hà 10, 15 anos atrás. Hoje existem mais apelos à volta daquilo que é o futebol, não existe só o futebol, os jovens hoje também têm carreiras universitárias a seguir e muitos deles aos 18, 19 anos deixam de poder treinar com assiduidade, passa o futebol para segundo plano e o futebol acaba por decrescer de facto na qualidade. Aquilo que assisto é que de facto os jogadores mais velhos, os jogadores com mais experiência, acabam por ser aqueles que ainda têm um compromisso diferente, comparativamente com os jogadores mais jovens. 

O clube tem à data três jogos realizados, contando duas derrotas caseiras e uma vitória fora de portas.

No seguimento da pergunta anterior, como se poderia melhorar a competição?

Não é fácil melhorar a competição sem haver algo que possa motivar os jogadores ao compromisso. Como disse, as instalações desportivas até cresceram significativamente, os clubes debatem-se com uma realidade e com uma dificuldade enorme, que são as pessoas que os possam dirigir. Os jogadores também sentem isso, as condições físicas são boas, mas depois tudo o que gira à volta da estrutura das equipas não, sente-se que a organização não é a ideal, e os jogadores também acabam por se desleixar um pouco mais, desmotivar um bocadinho mais. A parte financeira que existia também há uns anos atrás, e que hoje não existe, era uma forma de também ligar os jogadores ao tal compromisso. Sabemos que os clubes vivem com enormes dificuldades financeiras hoje, e que não é possível viverem acima das suas possibilidades. E os jogadores também quebram um pouco o compromisso, porque financeiramente não retiram grandes dividendos disso. 

Quais são as principais dificuldades que um treinador de uma distrital atravessa?

São dificuldades que são inerentes se calhar, à grande maioria dos treinadores a nível distrital. É a dificuldade em gerir plantéis, onde nem todos podem treinar em simultâneo, os jogadores, muitos deles por motivos profissionais não podem treinar todos os dias. Outros por motivos académicos não podem treinar todos os dias. Os departamentos médicos dos clubes têm graves carências, alguns nem sequer um único massagista têm, no jogo e no treino inclusivamente os jogadores demoram imenso tempo a recuperar de uma lesão quando a têm. Depois como já disse, o acompanhamento do ponto de vista diretivo acaba por ser também sempre complicado, não há pessoas para trabalhar e isso faz muitas vezes com que os plantéis e as estruturas sintam essas dificuldades e não obtenham o sucesso que merecem.

O treinador fala sobre as principais dificuldades de um clube que jogue a nível distrital.

Como se ultrapassam essas dificuldades, para ter a equipa na máxima força para o jogo ao fim-de-semana?

Muitas vezes é com carolice, com a capacidade que o treinador muitas vezes tem em motivar os jogadores, para que eles próprios de uma forma individual possam recuperar de lesões muitas vezes pagando do próprio bolso a alguns médicos, a alguns fisioterapeutas, a consultas para recuperarem. Há casos de jogadores que compram algum material inclusivamente para treinar, para que o treino possa ter alguma qualidade. É a capacidade de motivando os jogadores, para que eles próprios continuem a poder fazer aquilo que gostam, perante as dificuldades que os clubes vão apresentando. 

Quais os objectivos do clube para o que resta da época? 

O objetivo do clube continua a ser subir de divisão, esse é o objetivo principal. Foi a proposta da minha entrada aqui, um primeiro objetivo era entrar na segunda fase para discutir a subida de divisão, entrámos. Agora que aqui chegámos, juntamente com 5 equipas temos que lutar com todas as nossas forças, para que possamos estar no lote de equipas que vai discutir a subida de divisão. Se possível é estarmos até ao ultimo jogo a lutar para subir de divisão e não estarmos afastados dessa possibilidade. O Atlético Riachense é um clube com história, é um dos clubes no distrito de Santarém com mais presenças nos nacionais, tirando o Fátima, provavelmente o Torres Novas, o União de Tomar…o Riachense entra no lote de equipas com mais presenças nos campeonatos nacionais e o lugar do Riachense não é de facto na segunda divisão distrital. Tem de jogar um patamar mais acima, eu assumi isso quando aqui cheguei, que daria o que estivesse ao meu alcance para que pudesse chegar ao final da época e ver este clube subir mais um patamar.

Paulo Costa reitera a ambição de cumprir os objetivos do Atlético Riachense.

Que mensagem gostaria de deixar aos adeptos?

A massa associativa do Riachense tem de acreditar até ao último jogo. Sabem das dificuldades que este plantel atravessou, nomeadamente na primeira fase do campeonato antes de eu chegar, sabem das dificuldades que continua a ter para reunir muitas vezes os jogadores a treinar e, inclusivamente, a jogar. Esta direção tudo fez para recuperar um clube moribundo nos últimos dois, três anos e, acho que a massa associativa tem de se aproximar da equipa, apoiá-la ainda mais, porque a marca do passado do público, aqui no Atlético Riachense, era de um público muito mais caloroso, muito mais próximo da equipa. Se possível nesta segunda fase nós temos de sentir ainda mais o calor dos adeptos, porque é fundamental os jogadores dentro do campo também o sentirem.

O seu lema de vida. Qual é?

O meu lema de vida acaba por ser um lema de viver a vida de uma forma honesta, sermos honestos connosco próprios. Algumas vezes, mesmo que tenhamos que se desagradáveis para alguém, não podemos fugir à nossa própria identidade, à nossa própria honestidade, para não passarmos uma imagem daquilo que não somos. 

Paulo Costa. Foto: mediotejo.net

Nascido em Abrantes, criado em Montalvo, sou finalista em Comunicação Social pela ESTA, descrevo-me como um apaixonado pelo desporto de um modo geral, com uma particular predileção pelo futebol. O mediotejo.net é o meu primeiro desafio enquanto jornalista. Depois disto, a minha ambição passa por me tornar um Cristiano Ronaldo na área do jornalismo desportivo. Este sou eu, um rapaz normal.

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