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Domingo, Agosto 1, 2021

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Futebol | Ouriense vence Fátima e sobe à 1ª divisão no primeiro jogo com público (C/ÁUDIO)

O Clube Atlético Ouriense venceu o Fátima durante a semana por 1-0 e assegurou o 1º lugar na série A da 2ª divisão com a respetiva subida à 1ª divisão da Associação de Futebol de Santarém. Um jogo muito intenso, entre duas equipas vizinhas com grande rivalidade, e que disputavam o 1º lugar da série, com os jogadores a serem incentivados pelos adeptos que, pela primeira vez esta época, puderam assistir ao vivo a um jogo do Ouriense.

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O empate foi desfeito na parte final do desafio, através de uma grande penalidade apontada por Dino, e logo a festa estoirou no Campo da Caridade, comemorando o regresso à divisão principal do futebol distrital.

Depois de uma época em que a direção optou por suspender o futebol senior masculino, o regresso e o título de campeão foi feito à base de uma estratégia assente num misto de juventude e da experiência de alguns jogadores nucleares, a que se juntou Vitor Rodrigues, um treinador que fez de um punhado de homens uma equipa vencedora. Para falar desta época e deste feito, o mediotejo.net entrevistou José Luís Ferreira, presidente do Ouriense.

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José Luís Ferreira, presidente do CA Ouriense. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO: JOSÉ LUÍS FERREIRA, PRESIDENTE DO CA OURIENSE:

Durante a semana, um jogo à noite, com público, com uma vitória perante o rival Fátima… como está a viver esta subida de divisão?

Em termos emotivos, é uma imensa satisfação, como sabem tivemos um interregno de uma época com o futebol sénior. Nessa altura eu disse que quando começássemos iríamos começar com uma aposta na formação do clube, com gente nova, e passado um ano de interregno isso que foi prometido foi alicerçado, trabalhou-se nesse sentido. Foi uma escolha minha, a do treinador, porque já tinha passado aqui como treinador de juniores, conhecia alguns elementos que agora fazem parte da equipa sénior que passaram por ele como juniores, e (a ideia era que) com 3 ou 4 jogadores da casa com bastante experiência, ajudariam este grupo a trabalhar. Isso sem dúvida nenhuma foi o que aconteceu. Um bom cozinhado, em que o treinador teve um excelente mérito, o mérito é dele, de ter trabalhado a equipa em que os jogadores, equipa técnica e direção, fez-se uma excelente equipa.

Foi basicamente um outsider a entrar na segunda divisão a procurar o melhor lugar possível, se subíssemos tanto melhor, se não subíssemos também não havia mal de maior, e foi isso que aconteceu. Jogo após jogo, exibições de encher o olho, sempre bem apoiados por todos os elementos, mesmo os que não tinham sido convocados, todos a trabalhar em prol da motivação do grupo. E foi o que aconteceu, jogo após jogo, excelentes exibições, dava e (e dá) gosto ver esta equipa a jogar, e conseguimos um objetivo que estava mais longínquo mas conseguimos.

E com muito juniores, sete juniores no total. Foi a promessa no interregno. E acaba esta época com vários juniores na equipa principal…

Sim, sim, alguns deles são de primeiro ano. Dois deles, regularmente titulares. Mais alguns juniores, uns de primeiro ano e outros de segundo ano que também entravam, eram opções válidas. E conseguimos fazer um excelente grupo.

Foi um jogo muito intenso com o Fátima, com quem há tradicionalmente há uma grande rivalidade…

Sim, Fátima teve outros níveis que infelizmente acabou com a criação da SAD e todos nós sabemos o percurso negro dessa SAD. O clube reativou novamente o futebol sénior, e acho muito bem, que tem muitos atletas que podem conseguir fazer esse brilharete e com qualidade, e isso foi demonstrado, e pelo campeonato que têm feito também têm demonstrado que têm uma equipa com qualidade. Estas quezílias ou guerrilhas é próprio da rivalidade, desde que as pessoas saibam respeitar, somos conhecidos. Às vezes no calor de um jogo, ou após um jogo, pode-se mandar uma boca que caia menos bem do outro lado mas isso faz parte do futebol. Felizmente no futebol masculino isso pode acontecer, mas chega-se ao bar, bebe-se um copo e as coisas passam, já no caso do futebol feminino, já é um pouco diferente, já não se consegue ter essa abertura por parte das jogadoras quando algo corre menos bem. Mas neste capítulo acho que somos pessoas minimamente civilizadas, os diretores do Fátima deram-nos os parabéns, tudo muito cordial. E ainda para mais sendo o primeiro jogo com público, e o público é o ingrediente fundamental do futebol e de qualquer desporto… há sempre umas bocas, mas tudo correu bem, as pessoas dão-se bem, não vale a pena andar-se em picardias por causa disto.

Quando soou o apito final estalou a festa em Ourém. Foto: Pedro Pereira

E o Fátima ainda tem aspirações a subir…

Sim, julgo que sim, não sei qual vai ser o critério da Associação de Futebol de Santarém para escolher o segundo melhor classificado, diz-se que na zona sul não houve desistências, portanto o segundo classificado terá mais pontos do que o daqui no nosso lado (o Fátima), não sei qual vai ser o critério de avaliação, provavelmente já deve estar definido. Mas o nosso objetivo desde que começou a coisa a correr bem foi sempre jogar para ganhar, nunca pensámos em ser segundos, e dentro desse objetivo conseguimos os nossos resultados jogo a jogo e conseguimos o nosso objetivo, que foi ficar em primeiro, algo que não perspetivamos de início com uma equipa tão jovem.

Qual foi a adesão do publico, toda a envolvência a este jogo e a festa da subida?

Tivemos uma boa anuência, apesar de tentarmos fazer alguma seletividade das pessoas enquanto circulavam no recinto, mas isso é manifestamente impossível, porque temos poucas pessoas a trabalhar na associação e não se consegue chegar a todo o lado. Mas acho que tudo correu bem, nem toda a gente respeita as normas, mas dentro dos possíveis acho que as coisas correram bem. Foi um excelente jogo, duas partes distintas, a primeira parte sobretudo do atlético, tivemos os primeiros 20 minutos muito bons, tivemos uma bola no poste, duas oportunidades que podíamos ter feito golo e não fizemos. Na segunda parte, o Fátima entrou melhor, esteve muitos minutos por cima do jogo. Também foi um domínio um pouco consentido, sabíamos o que estávamos a fazer e a defender, e pronto eles também tiveram as suas oportunidades.

Na questão da arbitragem, dizer que o árbitro que esteve em campo é um excelente árbitro, para mim dos melhores que a Associação de Futebol de Santarém tem, a equipa que o acompanha é que já não é tão dotada, mas para este tipo de jogo com quase a decidir-se quem fica em primeiro e quem fica em segundo (porque se o Fátima nos ganha e nós perdemos depois no Espinheiro, o Fátima ultrapassar-nos-ia, desde que também ganhasse por duas bolas é que ficava em primeiro, só ganhou um zero e mesmo que perdêssemos no Espinheiro ficávamos à frente por causa do goal- average) mas tirando isto, penso que a Associação teve um mau critério na avaliação da equipa de arbitragem para o jogo. Ainda para mais a ser um jogo durante um dia de semana, com tantos árbitros com equipas de arbitragem muito boas, podiam ter feito muito melhor, e mandar uma equipa de arbitragem com outra postura que esta não teve. Não quero dizer que o árbitro principal não estivesse bem. Até esteve. Mas teve um senão. Sendo um árbitro aqui vizinho de Ourém e de Fátima e mais perto de Ourém, que ele é quase vizinho do atlético, pode haver sempre a conexão deste árbitro ao clube. E até analisando o jogo, não foi amigo do clube, nem tinha de o ser ali dentro das quatro linhas, mas se alguma dúvida houvesse isso realmente foi desmentido porque não nos ajudou em nada. Deixou jogar um pouco sem mostrar cartões, o jogo tornou-se um bocado violento. Já a meio da segunda parte, em que o avançado do Fátima já não chegava à bola e foi mesmo à procura de contacto, tive um jogador que levou seis pontos no sobrolho, e o outro também deve ter feito um corte na face, e isto sabemos que é evitável, é o calor da jogada mas o sítio em que foi não justificava isto. E depois houve toda uma má decisão da equipa de arbitragem, em que o jogador do Fátima está a ser assistido dentro de campo, com sangue, e não pode, tem de vir para a parte exterior. Por isso é que digo, se tem sido outra equipa de arbitragem com outra postura, com certeza – não se consegue garantir – mas isto não se teria passado. Acho que foi um lapso grave da Associação, neste caso de quem gere a arbitragem, da comissão de arbitragem não ter nomeado outro tipo de equipa.

E no final, houve festa, festa rija?

Embora não tenha sido possível fazer propriamente festa, mas dentro dos possíveis houve festa, claro.

Dino, número 18, marcou o golo da vitória com um pênalti, mesmo no final do jogo. Foto: Pedro Pereira

A equipa técnica é para manter?

Sim, a equipa técnica já assumiu o compromisso para a próxima época, uma grande parte dos jogadores também, e agora necessitamos ali de 3 ou 4 reforços, para lugares estratégicos, que tenham alguma experiência, pois sabemos que a primeira divisão tem outro andamento. Tivemos aqui um jogo para a Taça, com o Mação, que acabámos por perder por 4-0, mas foi um resultado na minha ótica um bocado pesado demais para o que se passou em campo, porque também demos lugar a uma “segunda fila de jogadores”, porque se temos jogado com a equipa principal, de certeza que não teria sido assim. E isto às vezes tudo pode mudar, tivemos ali duas oportunidades em que tiram a bola em cima da linha de golo, e isto é sempre um se calhar, se a bola entre, fechávamo-nos atrás… e não quer dizer que o Mação não fosse ganhar, mas era capaz de ter de suar muito a camisola. E notamos logo o andamento.

O Atlético Ouriense é para tentar estabilizar na primeira divisão distrital? Quais são os objetivos para a próxima época?

Sim, é estabilizar na primeira divisão, até porque podemos ambicionar mais mas é preciso ter os pés bem assentes na terra e ter noção que ter uma equipa no campeonato nacional de séniores, ou terceira divisão, nós não temos tecido empresarial que nos apoie economicamente para termos uma equipa nesse nível. Porque aí teríamos de recorrer a outro tipo de jogadores, treinar todos os dias da semana, em termos de deslocações e tudo, era uma bola de neve que nunca mais acabava e, como sabe, já temos uma equipa na primeira divisão do campeonato nacional do futebol feminino, que é extremamente dispendiosa. As coisas estão certinhas, direitinhas, não devemos nada a ninguém, temos as contas em dia, orgulhamo-nos disso. Garantidamente somos dos poucos clubes em que ao dia 8, impreterivelmente, toda a gente recebe, ou já recebeu, e isso é muito importante para dar credibilidade, e eu não ia trocar o certo pelo incerto, não o faço na minha vida pessoal e não o iria fazer, ainda para mais numa associação que represento já há alguns anos, e já vou com o Clube Atlético Ouriense há 13 anos, não sendo seguidos, apanhei uma fase menos boa e uma muito má, e financeiramente hoje estamos muito bem, garantidamente no distrito de Santarém somos o campo que tem mais publicidade, publicidade estática, e isso deve-se ao trabalho que tem sido feito em prol desta situação, e só por isso é que conseguimos ter uma equipa na primeira divisão nacional (femininos), com o orçamento que tem, e ter uma equipa de séniores, neste caso a subir a uma primeira divisão (distrital), que tem de ter algum investimento. Não vamos ser hipócritas, como muitos que andam aí no futebol a dizer que não pagam a ninguém, e sabemos que isso é mentira, mas cada um fica com a sua.

Ouriense regressa à 1ª divisão distrital. Foto: Pedro Pereira

E o Atlético, por direito, tradição e história, é na primeira divisão que deve estar?

Sim, é lugar que se enquadra.

Ourém está em festa, assinala 30 anos de elevação a cidade, isto é também um contributo para estas comemorações de Ourém?

Sim, acaba por ser uma coincidência. Não vai haver festas nem nada, pela conjuntura que vivemos.

Uma palavra para os adeptos, que não puderam estar presente ao longo da época, à parte do jogo de consagração, e também para quem apoia financeiramente?

Começo por agradecer aos nossos patrocinadores. Claro que sem a ajuda deles, não se conseguiria fazer este trabalho, porque como se costuma dizer “não se fazem omeletes sem ovos”, e portanto sem dinheiro não conseguimos chegar aos jogadores que queremos chegar e cumprir, o que é bastante importante e que nos dá a credibilidade. Agradecer aos sócios e a esta paciência de um ano, embora tenhamos transmitido os jogos dos séniores no Facebook do clube em direto, sempre com bastante audiência, o que é de louvar. E pedir para continuarem, acreditem em nós, que nós também acreditamos nos adeptos que temos.

Foto: Pedro Pereira

Fotografias: @pedropereirafoto

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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