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Terça-feira, Outubro 26, 2021

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Futebol/Ouriense | Marco Ramos, ser bom jogador é “ser bom homem” (c/vídeo)

Em vésperas do arranque da época 2018/2019 do Campeonato Distrital da 1ª Divisão da Associação de Futebol de Santarém, o mediotejo.net foi conhecer Marco Ramos, treinador do Clube Atlético Ouriense.

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Figura do futebol de Ourém depois de ter arrecadado um conjunto de títulos e uma presença na Liga dos Campeões da Europa com o futebol feminino, Marco Ramos sonha com a profissionalização, mas reconhece as dificuldades que o mundo do futebol apresenta. Uma conversa franca e honesta com uma das promessas da região. 

B.I.

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Nome: Marco Ramos

Idade: 31

Naturalidade: Sambade (Bragança)

Carreira futebolística: Centro Desportivo de Fátima (formação e séniores), Clube Desportivo Vilarense; Futsal: Centro Desportivo de Fátima, Juventude Ouriense, Grupo Desportivo Freixianda, União Desportiva Caranguejeira, Sport Club Ferreira do Zêzere, União Desportiva da Serra

Conquistas (Futsal): campeão com o Sport Club Ferreira do Zêzere, campeão com o Centro Desportivo de Fátima, vencedor da Taça distrital com o Centro Desportivo de Fátima

CV Treinador: Centro Desportivo de Fátima (todos os escalões), Clube Atlético Ouriense (equipas feminina e masculina séniores), selecionador distrital de Leiria

Conquistas: campeão distrital de infantis pelo Centro Desportivo de Fátima, campeão nacional de futebol feminino pelo Clube Atlético Ouriense, Taça de Portugal de futebol feminino pelo Clube Atlético Ouriense, presença na Liga feminina dos Campeões da Europa pelo Clube Atlético Ouriense

Marco Ramos tem feito uma carreira de jogador no futsal, onde se mantém Foto: mediotejo.net

ENTREVISTA

mediotejo.net (MT): Como te interessaste por futebol?

Marco Ramos (MR): Tenho um irmão gémeo e estávamos sempre a jogar. Quando chegávamos a casa metíamos as mochilas para o lado e íamos jogar. Na escola também, com outros colegas. Tivemos sempre esse gosto pelo futebol. E foi através disso.

Como te tornaste jogador de futebol? Por onde começaste?

Foi no Centro Desportivo de Fátima. Na altura estávamos no atletismo, mas não gostávamos muito porque havia muita pressão. Éramos miúdos novos e às vezes aquelas provas eram complicadas, o competir uns com os outros. O futebol era diferente, era uma forma coletiva, não se notava tanto. Fomos experimentar uma vez ou duas ao Fátima, começámos a gostar, o nosso treinador gostou da forma como nós jogávamos e convidou-me. Deixámos o atletismo e ingressámos no futebol.

O que se pretende é que o treinador prepare e planeie o treino ao milímetro, mas muitas vezes estamos condicionados com tanta coisa à volta que o essencial, que é o treino, fica para segundo plano. Acabamos por ser um gestor do treino.

O teu irmão acompanhou-te este tempo todo?

Sim, até aos 18 anos andámos sempre juntos, tudo o que era feito por um era feito pelo outro. Era quase 24 horas juntos. Isso era bom porque quando nós estávamos em baixo um ajudava o outro. Foi muito importante, tanto no futebol como na escola, como em tudo na vida. Andávamos sempre próximos. Sempre que havia um problema a solução era o irmão.

Como se dá a tua entrada como treinador?

Na altura quando jogava tinha sempre interesse em perceber o que se estava a fazer, o que os treinadores faziam, qual era o pensamento deles. Depois íamos para casa, eu e o meu irmão, a discutir sobre isso. O interesse surgiu daí. Na altura no Fátima, quando éramos júniores, houve um convite para treinarmos os miúdos. Começámos a gostar, a achar que era interessante. Eu comecei a tirar formações na área do treino, formei-me na área do Desporto e, dentro do Desporto, no treino. E surgiu um pouco por aí. O interesse cresceu, nunca deixando a parte da prática desportiva.

Até ao momento ainda jogo. Sempre gostei de jogar. Espero continuar a jogar porque dá-me um prazer imenso. Mas ao mesmo tempo tenho a outra área, que é a área do treino, que também tem um interesse espetacular porque trabalhamos com pessoas, trabalhamos com cabeças, e isso é muito bom porque ajuda-nos a crescer, não só no desporto mas também na vida social. E assim conseguimos ter as duas coisas, uma vida dentro do desporto e uma vida que nos vai ajudar perante a sociedade, porque nos trás muitos exemplos bons.

Foi muito importante, tanto no futebol como na escola, como em tudo na vida. Andávamos sempre próximos. Sempre que havia um problema a solução era o irmão.

Qual a grande diferença entre o futebol de campo e o de futsal?

Vejo o futebol e o futsal no sentido de grupo. Não tanto nas características que são diferentes, mas sim no espírito. Acho que o espírito é o mesmo. O espírito competitivo, a forma de lutar pelas coisas, o sacrifício que metemos em campo. Eu tento aproximar esses dois desportos no sentido da interação entre os grupos, a perceção que eles têm na derrota e na vitória. É isso que tento retirar do futebol e do futsal. Porque obviamente o resto das dimensões não se pode comparar, mas nisto pode-se comparar. São pessoas que estamos a trabalhar.

E entre ser jogador e treinador? Alguma preferência?

Há muitas diferenças. O treinador está 24 horas preocupado com questões de planeamento. Neste contexto onde estou inserido,  onde está a maioria das pessoas que são treinadores do futebol distrital, deixamos de ser treinadores para sermos gestores do treino. Temos que nos preocupar com várias situações: desde as bolas, à água, à fisioterapeuta, aos horários, aos que vêm treinar e aos que não podem…

O que se pretende é que o treinador prepare e planeie o treino ao milímetro, mas muitas vezes estamos condicionados com tanta coisa à volta que o essencial, que é o treino, fica para segundo plano. Acabamos por ser um gestor do treino. Uma meia hora antes estamos a receber uma mensagem que não há jogadores, ou cinco minutos ou nem chegamos a receber a mensagem. Isto tudo para um treinador de elite não acontece, ou se acontece não acontece tantas vezes.

És ainda bastante jovem, quais são as tuas ambições?

A minha ambição é sempre ser feliz. Ser feliz passa por treinar. Obviamente se o conseguir num contexto que me permita ser profissional, isso era o ideal e seria mais feliz. Mas sou feliz a treinar no Ourém, no Fátima, na seleção distrital, em qualquer clube. Se conseguir ligar isso a ser profissional, com um ordenado que me permita ter uma vida melhor serei se calhar o homem mais feliz.

O que se passou em 2013 com as meninas do Atlético Ouriense para ganharem tudo o que havia para ganhar?

Foi um ano excecional para mim e para o clube e para as nossas jogadores. Entrámos a meio da época, conseguimos mudar a mentalidade e criar uma mentalidade competitiva nas jogadoras. Naquele ano conseguimos passar essa mensagem, a mensagem conseguiu chegar às jogadores. As jogadores perceberam quais as suas limitações, quais as características de que podíamos tirar mais rendimento e todos focados obviamente fica tudo mais perto de ser alcançado. Acho que essa foi a razão do sucesso: conseguimos passar a mensagem.

Qual o clube que mais te marcou até ao momento?

Todos eles me marcaram, positivamente e negativamente. Não há clubes perfeitos, há momentos perfeitos e menos bons. O Ourém marcou porque permitiu-me chegar a momentos de treinador onde se calhar não esperava chegar. Marcou-me um pouco. O Fátima deu-me asas para poder voar nesta área. Todos os clubes me marcaram, até naqueles que não ganhei nada. O ganhar é importante, mas ganha-se muito mais coisas do que ganhar só ao domingo.

Como está a equipa do Atlético Ouriense neste início de época?

Estamos com algumas baixas normais porque estamos no início da época. Mas estamos a crescer como equipa, que é o mais importante.

Quais as equipas que pensa o irão desafiar mais?

Não estou a pensar muito nisso porque não conheço muito bem as equipas. Este ano, penso eu, todas elas se estão a reforçar muito bem e fora do contexto distrital. Tenho-me focado na equipa, no nosso trabalho, e este momento passa por promover uma mentalidade aos meus jogadores que permita eles estarem fortes domingo após domingo, quando as coisas correrem bem continuarmos fortes, quando não correrem tão bem, mantermo-nos. Ainda não está bem consolidada, estamos a trabalhar nisso.

Gosto de trabalhar com bons homens, porque desses consigo fazer bons jogadores. Só bons jogadores e maus homens, dificilmente depois têm sucesso.

O que é necessário para ser um bom jogador?

Ser um bom homem.

Só?…

Sim, porque quando trabalhamos com bons homens, mais conversa menos conversa – neste nível – quando eles têm vontade de fazer algo, conseguimos fazê-los bons jogadores. Quando eles não querem ouvir, quando eles pensam que são mais que aquilo que são, torna-se mais complicado, criam-nos mais problemas e dificilmente esses jogadores depois ajudam durante época. Porque todas as épocas têm bons e maus momentos e se nós não anteciparmos esses maus momentos, aí é que as equipas depois quebram. Gosto de trabalhar com bons homens, porque desses consigo fazer bons jogadores. Só bons jogadores e maus homens, dificilmente depois têm sucesso.

Que mensagem gostaria de deixar aos sócios e adeptos?

Que acompanhem o Atlético Ouriense, é um clube que precisa de pessoas ao domingo. Os jogadores precisam também desse carinho, porque toda a gente gosta de ser valorizado pelo esforço ao longo da semana. Nós fazemos porque queremos, mas quando chegamos ao domingo e vemos a bancada cheia sentimos que o trabalho que fazemos durante a semana está a ser valorizado.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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