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Quarta-feira, Outubro 20, 2021

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Futebol/Ortiga | José Carlos, do jogador “rebelde” à “humildade” enquanto treinador (c/video)

Em vésperas do início da competição oficial para o clube da Ortiga, o seu treinador, José Carlos, revela-nos um pouco do seu passado como jogador e treinador, para além de nos falar sobre a situação do desporto rei, nos dias de hoje, no distrito de Santarém. É de referir que o primeiro jogo oficial da Ortiga será diante dos seus adeptos para a Taça do Ribatejo, no dia 30, frente à UD Santarém, SAD. O campeonato distrital da segunda divisão terá início no dia 7 de Outubro, dia em que a Ortiga recebe a União Desportiva Atalaiense. 

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José Carlos, treinador da equipa de Ortiga. Foto: mediotejo.net

B.I

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Nome: José Carlos Dias Lourenço

Data de nascimento: 02/11/1968

Naturalidade: Mação.

Percurso enquanto jogador: Mação, Alcaravela e Carvoeiro.

Conquistas: 2 subidas de divisão.

Percurso enquanto treinador: Mação (camadas jovens), Mação (seniores), Pego, Abrantina, Alferrarede e Ortiga.

Conquistas: Taça do Ribatejo (Mação).

Entrevista: 

mediotejo.net: Quando é que descobriu a sua paixão pelo futebol?

José Carlos: Desde pequenino. O meu pai e o meu irmão eram caçadores, mas eu sempre tive uma paixão muito forte pelo futebol e tive de escolher, ou jogava à bola ou começava a ir à caça com eles. Abdiquei da caça, apesar de também gostar, para me dedicar ao futebol. O futebol é a minha grande paixão, excepto a minha família.

Quais as razões para querer seguir uma carreira de treinador?

Foi a grande paixão pelo futebol e o gosto de trabalhar com miúdos, porque eu comecei nas camadas jovens. Sou de uma família humilde e pobre, gostava muito de seguir desporto, como não tive oportunidade de seguir essa área, fiz um esforço muito grande para tirar o curso de treinador e agarrei-me ao futebol.

Quais são as principais diferenças entre ser treinador e jogador?

Ser jogador é só pensar em estar no campo, querer jogar sempre, não pensar em mais nada sem ser jogar futebol. Ser treinador é pensar em muitos pontos, é estar a gerir um grupo de homens em que tens de saber que estão todos a trabalhar para o mesmo, não podes ser injusto com ninguém porque, se trabalham têm de ter a oportunidade, tens de ser muito coerente e justo com eles. É a maior diferença entre ser jogador e treinador porque, como jogador pensas em jogar, fazer o teu trabalho ao domingo e treinar, ser treinador tens de pensar em gerir bem um plantel e trabalhar forte em prol do clube. Não se pode pensar em determinados jogadores porque são mais amigos, tens de pensar no clube, em ganhar sempre porque o clube está acima de tudo. Quando eu jogava também pensava muito no clube, mas pensava mais em querer jogar.

O que mudou em si desde que começou a ser treinador?

Mudei muito. Comecei a pensar mais nas pessoas, porque se trabalham têm de ter as oportunidades. Com o tempo, tornei-me num homem mais humilde porque, quem me conhecia quando era jogador, sabe que eu era muito rebelde. Como treinador entrei com esse ritmo mas depois, ao longo dos anos, entendi que temos de ser mais humildes, perceber as pessoas, os árbitros, o público, os adversários. Falo por mim, não sou o dono da verdade, nem quero ser, mas penso que todos os jovens e treinadores que não pensem assim, não estão no caminho certo.

Que mensagem é que procura transmitir aos jogadores para os manter sempre motivados?

Hoje em dia há jovens complicados. Eu treino uma equipa de juvenis, ando com aqueles miúdos desde os 8 anos, faço um esforço muito grande para treinar duas equipas. Não é fácil. Ao domingo não vou almoçar porque tenho de ficar no caminho, visto que tenho jogo de manhã e de tarde. Eu tenho-lhes fazer ver as coisas, mas os miúdos de hoje em dia são difíceis de entender. Eu tento-lhes dar sempre apoio, aconselhar-lhes qual é o melhor caminho, explicar-lhe que o futebol não é só jogar à bola, há muita coisa por trás da modalidade. Quando um jogador meu joga menos, sou o primeiro a falar com ele, a dar-lhe motivação, a incentivá-lo a trabalhar porque vão todos ter muitas oportunidades, e só assim é que se consegue gerir um plantel com 20 e tal jogadores, porque só vão jogar 11 e mais 3 ou 5, depende. Para manter todos motivados é preciso muito trabalho, muita humildade.

Como treinador, quais são as suas referências a nível nacional e internacional?

Gostei muito do José Mourinho naquela fase em que esteve no Futebol Clube do Porto, agora não tanto, penso que ele mudou muito. Um homem que me marcou muito, também esteve ao serviço do Porto, foi Jesualdo Ferreira. Era um homem com tudo aquilo que eu falei aqui, humilde, gostava de trabalhar, um grande gestor de homens porque via-se que ele tinha sempre o plantel na mão, conseguia falar com eles, conseguia motivá-los. A minha grande referência portuguesa foi Jesualdo Ferreira, no Futebol Clube do Porto. A nível internacional, gostei muito do Zidane, fez um grande trabalho.

José Carlos vê no trabalho e na humildade dois pontos fulcrais para atingir o sucesso desportivo.

Visto que é futebol amador, sabendo que são muitas as dificuldades, como faz para juntar o plantel durante a semana? 

Isso é a grande dor de cabeça dos treinadores nesta divisão e, até mesmo na primeira divisão distrital, porque eu já lá passei alguns anos e tive as mesmas dificuldades. Em primeiro lugar está a vida profissional dos atletas e eles não podem abdicar da vida deles para jogar futebol, mas eu transmito-lhes que têm de fazer um esforço. Há tempo para tudo, para estudar, para trabalhar, para jogar à bola. Um dos meus pontos fortes é que tenho sempre uma palavra forte com eles e penso que consigo motivá-los a vir treinar. A humildade que eu também tenho, porque me fiz muito mais homem no futebol ao longo dos anos, tento passar isso para os meus jogadores. Todos os jogadores que já jogaram comigo não podem dizer o contrário, no balneário sou um jogador como eles, brinco com eles, podem-me tratar por “Zé” que eu não levo a mal. Há sempre muito respeito, somos sempre amigos, se for preciso vou beber um copo com eles, mas depois temos é de saber separar as coisas.

Quais são os objectivos da Ortiga para esta época?

Tenho um plantel bom, que pode lutar ombro-a-ombro com qualquer equipa e, portanto, o nosso objectivo é tentar “morder” os 3/4 primeiros. Se conseguirmos chegar ao 3º lugar era excelente, para ir à fase final, mas não vou estar a dizer que a Ortiga tem de lá estar, porque estaria a dizer uma mentira. Estamos aqui para trabalhar todos os dias e no seguimento desse trabalho esperar que as coisas aconteçam.

O que podem esperar os adeptos da Ortiga para esta época?

O que eu posso prometer a estes adeptos é muito trabalho, muita vontade. De certeza que vamos fazer um pouco melhor, ou bem melhor do que o ano passado. Apesar da época anterior ter sido muito boa, porque no primeiro ano no campeonato distrital nós conseguimos fazer 21 pontos. Foi excelente, fizemos uma segunda volta muito boa. Este ano temos um plantel muito equilibrado, temos bons jogadores, vamos prometer aos adeptos que vamos lutar pela vitória em todos os jogos. Não posso prometer a subida de divisão, porque isso não nos passa pela cabeça.

José Carlos aposta que a Ortiga vai realizar um bom campeonato na 2ª divisão distrital. Foto: mediotejo.net

Qual é o seu lema de vida?

O meu lema de vida é trabalhar muito. Como eu comecei a conversa, eu tenho de trabalhar todos os dias para conseguir alguma coisa, tento sempre ajudar as pessoas que precisam, tanto no futebol como na vida para além do desporto. Sou amigo de todas as pessoas, elas sabem que eu estou sempre disposto a ajudar e, quando sou eu a precisar, também sou o primeiro a chegar ao pé dessa pessoa e pedir ajuda.

Estudante na Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, no curso de
Comunicação Social, na vertente de jornalismo. O gosto pelo desporto, mais precisamente pelo desporto rei, está comigo desde muito cedo. Atleta federado desde os oito anos, a minha ambição é tornar-me profissional na área do jornalismo desportivo.

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