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Sexta-feira, Outubro 22, 2021

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Futebol | Nuno Kata, treinador do Fátima: “a mínima conquista dá muito trabalho” (c/vídeo)

Em período de preparação para o arranque da época do Campeonato de Portugal, o mediotejo.net foi conhecer Nuno “Kata”, a iniciar a sua segunda época como treinador da equipa sénior do Centro Desportivo (CD) de Fátima. Algarvio de nascimento mas leiriense de coração, o técnico não esconde o meio pobre de onde partiu e os valores que lhe transmitiram na infância, assim como o orgulho do seu percurso profissional e a humildade, a par da ambição, necessária para alcançar o topo. Depois de anos mais sofridos, Kata quer continuar a elevar o nome do CD Fátima e a mostrar a qualidade e o potencial dos jogadores em que aposta. 

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B.I.

Nome: Nuno Cunha (Kata)

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Idade: 40

Naturalidade: Lagos

Carreira futebolística: Sport Clube Leiria e Marrazes (formação e um ano como sénior), Grupo Desportivo e Recreativo Bidoeirense, Clube Desportivo de Torres Novas, Sporting Clube de Braga, Clube Desportivo Feirense, Sport Clube Beira-Mar, Servette FC (Suiça), Stade Brestois (Brest – França), União Desportiva de Leiria, Futebol Clube de Vizela, Centro Desportivo de Fátima

Conquistas: fez carreira internacional e na 1ª divisão de futebol nacional

CV Treinador: União Desportiva de Leiria, Centro Desportivo de Fátima

Nuno Kata passou pela primeira divisão e jogou na Suiça e em França Foto: mediotejo.net

ENTREVISTA

mediotejo.net (MT): Como é que nasceu o seu interesse pelo futebol?

Nuno Kata (NK): Ter nascido num bairro é do melhor para se poder gostar de jogar futebol. Era uma criança de bairro e por qualquer coisa jogávamos à bola. Acho que é o normal de quem vive num bairro social. Éramos muitos, fazíamos equipas. O bichinho começou a crescer, depois via o futebol na televisão… Aquelas coisas de criança, sonhar ser jogador de futebol. Depois comecei a ir para as escolinhas dos Marrazes com os meus colegas, os treinadores começaram a dizer que tínhamos jeito…

O gosto pelo futebol penso que nasce mesmo com a pessoa. É um bichinho quase impossível de contrariar. Comecei a ir para a formação dos Marrazes, comecei a jogar. Quando tinha a idade de júnior já era chamado aos séniores. Comecei a fazer alguns jogos, as pessoas mais velhas diziam que eu podia fazer daquilo carreira, para não me distrair. Preocuparam-se sempre com a minha vida pessoal e social, porque era miúdo de bairro, com medo que eu me perdesse. Eu ia ouvindo as pessoas e achava que realmente podia ir atrás daquilo que eu mais sonhava, que era ser jogador. Comecei a dedicar-me à causa e felizmente as coisas correram bem e continuo ligado ao futebol e a fazer aquilo que mais gosto.

MT: Como se deu a sua entrada no futebol profissional?

NK: Eu jogava na terceira divisão na Bidoeira. Tive um colega, o Michelle, que pegou em mim e em mais dois colegas meus e levou-nos a Torres Novas, que na altura estava na segunda divisão, fazer uns treinos. Cheguei lá, fizemos uma semana de trabalhos, aí ao terceiro treino já me estavam a chamar a perguntar se eu queria assinar. E assim foi, consegui ficar. Infelizmente os meus colegas não conseguiram, fui o único a ser escolhido.

Depois dessa época, joguei na segunda divisão. É um bom palco, os campeonatos profissionais estão atentos a essas equipas. Tive observadores do Braga a verem alguns jogos do Torres Novas e foi assim. Quando recebi o contacto do Braga não acreditei, pensei que era mentira, que estavam a brincar. Quando finalmente entrei no Estádio e as pessoas vieram à porta acolher-me para eu ir falar com os diretores e assinar um contrato profissional, eu nem estava a acreditar ainda. Só quando assinei acreditei que não estava a viver um sonho.

MT: Foi uma mudança muito drástica? Um miúdo de bairro que está no futebol amador e de repente encontra-se entre profissionais…

NK: Sim é. Mas depois é um processo em que vais acreditando, porque se tu trabalhas e os teus colegas vêem que tu trabalhas, és humilde, tens qualidade e te dedicas, os próprios treinadores vêem que tu queres aquele objetivo. Isso naturalmente é transportado para o jogo. Foi assim que eu levei a minha carreira.

Preocuparam-se sempre com a minha vida pessoal e social, porque era miúdo de bairro, com medo que eu me perdesse. Eu ia ouvindo as pessoas e achava que realmente eu podia ir atrás daquilo que mais sonhava, que era ser jogador.

MT: Falou que como era um miúdo de bairro havia o medo que se perdesse. Isso é mesmo verdade ou apenas um mito? As crianças não têm essa capacidade de superar expetativas?

NK: Isto depende do meio em que estás inserido e em que cresces. Vivendo num bairro uns seguem um caminho e outros seguem outro, mas viver num bairro enriquece-nos muito, porque vivemos com muitas pessoas, com vários tipos de mentalidade. Vês vários exemplos: os que queres seguir e os que não queres seguir e podes escolher. Nos bairros há sempre bons e maus exemplos. Eu queria ser dos bons e segui o lado dos bons. É um bocado perigoso, mas é rico viver-se num bairro, com muita gente, e eu orgulho-me de ter vivido, com os meus amigos que ainda hoje são meus amigos. Não trocava a minha infância por mais nenhuma. Tive uma infância muito rica.

MT: Que valores essa infância lhe trouxe, nomeadamente para o futebol?

NK: Ser humilde. Que a mínima conquista dá muito trabalho. Depois esse pouquinho que vais conquistando, quando dás por ela já conquistaste muito. Mas foi sempre aos poucos. Isso oferece-te uma visão das coisas em que tens que valorizar o mínimo. Porque se valorizares o mínimo vais conseguir ter o máximo daquilo que ambicionas. Viver num bairro deu-me isso. Deu-me o saber ir procurar as coisas, porque nunca tive nada.

Posso dizer que passei fome, mas até minimiza a fome que passei sabendo a realidade de outros países pobres. Até tenho vergonha de dizer que passei fome, apesar de ter passado. Os nossos pais não nos podiam dar mais que educação e minimizar alguns estragos de alimentação e de outras coisas mais. De resto sempre procurei conquistar aquilo que tenho hoje e respeito muita gente que conheço e amigos que tenho porque sempre fui educado e nunca faltei ao respeito a ninguém. Tenho muitas amizades no futebol devido, felizmente, à pessoa que sou e agradeço às pessoas que fui encontrando no meu caminho ao longo dos anos.

MT: Como começa a sua carreira internacional, como chega à Suiça?

NK: Eu jogava no Beira-mar e na altura fomos jogar ao Alverca, que estava também na ª divisão. O Beira-mar tinha dois jogadores emprestados pelo Benfica e o treinador do Servette veio observar um deles, o Tony. Eu estava a jogar e eles gostaram de me ver. Contactaram o meu empresário e fizeram-me o convite para ir para a Suiça.

Nos bairros há sempre bons e maus exemplos. Eu queria ser dos bons e segui o lado dos bons. É um bocado perigoso, mas é rico viver-se num bairro, com muita gente, e eu orgulho-me de ter vivido, com os meus amigos que ainda hoje são meus amigos. não trocava a minha infância por mais nenhuma. Tive uma infância muito rica.

MT: Como foi a experiência? Completamente diferente?

NK: Sim, é um campeonato diferente, país diferente, tudo diferente. Era a primeira vez que tinha saído do país para ir jogar. A adaptação não foi muito fácil, mas adaptei-me. Pena que o clube entrou em falência, daí depois a minha ida para França. Era um clube grande, com condições fantásticas, com academia, com um estádio brilhante.

MT: Como regressa a Portugal?

NK: Tive dois convites, um da Académica e outro do União de Leiria. E não poderia dizer que não outra vez ao presidente do União de Leiria porque já tinha recusado um convite.

Depois de alguns anos mais turbulentos, o CD Fátima têm-se tornado a afirmar nos campeonatos nacionais. Foto: mediotejo.net

MT: E como se dá este caminho para treinador?

NK: A minha carreira acaba no CD Fátima com 35 anos. Ia jogar mais uma época, mas o Nuno (Domingos) passou a treinador e perguntou-me se queria ser adjunto dele e terminar a carreira. Como o Nuno é uma pessoa muito competente e percebe muito de futebol, aceitei o convite.

Depois o CD Fátima teve aquela falência, que ninguém estava à espera. Vieram uns investidores que afinal não eram, aquelas confusões que são do conhecimento público. O Nuno sai e eu saio também. Passado uma semana o União de Leiria convida-me para jogar. (risos) E eu disse: “posso ajudar, mas não tenho capacidades se calhar para poder jogar”. Afinal, depois de estar seis meses parado, ainda consegui encontrar alguma forma física para poder voltar a jogar. Penso que ajudei, dentro das minhas possibilidades.

Aos 37 anos disse que não ia jogar mais. Houve o convite para ser diretor desportivo e eu aceitei, com todo o gosto. Quando assumo o cargo as coisas estavam a correr maravilhosamente bem, fizemos um campeonato fantástica. Depois deu-se a fase final, que correu mal, em que a direção decidiu despedir o treinador e pediu-me para o substituir. Vou para o primeiro jogo, as coisas correm bem. O presidente pediu-me para continuar nas funções, porque estava a gostar da forma como os jogadores estavam a reagir. Os resultados foram aparecendo. Eu estava a gostar da minha função de diretor desportivo, preferia na altura que não tivesse acontecido, era sinal que as coisas estavam a tomar o rumo certo. Mas aconteceu.

Eu já tinha o bichinho de estar no campo, já o tinha experimentado como adjunto do Nuno “Frutas”. Eu sinto-me bem no contacto com os jogadores, na relva. Senti que havia alguma competência da minha parte. Lá está, é este bichinho, esta paixão por gostar de futebol. Só quem sente percebe o que estou a dizer.

MT: Consegue explicar-me qual a diferente entre estar em campo como jogador e como treinador?

NK: São situações diferentes. Como jogador divertes-te mais. O gozo como treinador é diferente. É um gozo de poderes transmitir ideias, aquilo que aprendeste, por poderes passar aos jogadores a ideia de jogo, aquilo que fazemos no treino transportar para o jogo. Depois quando tens o resultado ao domingo daquilo que fizeste, que eles conseguiram produzir o que foi trabalho durante a semana, isso dá-te um prazer enorme.

Como jogador divertes-te mais, porque jogas, estás em contacto com a bola. Eu sou um treinador que entro no jogo, estou sempre em contacto com os meus jogadores, gosto de lhes dar feedback, de estar no jogo. É um desgaste diferente, mais mental. É uma droga que a gente gosta.

Eu já tinha o bichinho de estar no campo, já o tinha experimentado como adjunto do Nuno “Frutas”. Eu sinto-me bem no contacto com os jogadores, na relva. Senti que havia alguma competência da minha parte. Lá está, é este bichinho, esta paixão por gostar de futebol. Só quem sente percebe o que estou a dizer.

MT: De todos os clubes por onde passou, e foram vários, qual foi o que mais o marcou?

NK: Quase todos me marcaram. O Fátima foi um clube que eu adorei estar, porque, não sei se é da terra ser santa ou não, consegue ter sempre balneários muito ricos. As pessoas que o Fátima costuma ter são famílias, jogadores que se sentem bem uns com os outros, toda a gente é tratada do mesmo modo, é igual, ninguém é mais que ninguém. O balneário é sempre muito divertido, muito rico. O treino pode ser o mais chato do mundo, mas o jogador até vem com alguma vontade porque sai divertido do balneário. Senti muito isso. O Vizela também adorei, porque apanhei uma relação como a do Fátima, foi um balneário fantástico.

Nos outros clubes já era muito profissionalizado. Tu treinas e tens a tua vida. Eu sou teu colega dentro do campo, a partir daí no balneário não há uma relação de brincadeira, mas de respeito. Não se tornou tão divertido. Eu felizmente fiz sempre amigos, mas o Fátima e o Vizela foram os balneários que mais me marcaram.

MT: Os treinos começaram dia 5 de julho. Como está o clube neste momento?

NK: Neste momento o CD Fátima está um clube estável. As pessoas que entraram no clube depois deste bater no fundo, porque bateu, conseguiram reerguê-lo. O Fátima neste campeonato é muito respeitado, é um dos emblemas com mais peso. Nós temos em conta isso e sabemos essa responsabilidade.

Este ano estamos em construção, estamos a fazer uma equipa em que tenhamos um futebol atrativo. Queremos fazer uma equipa vencedora, obviamente, mas sabemos os adversários que há neste campeonato. Não metemos a fasquia em que vamos lutar para subir de divisão, porque não é esse o objetivo. O objetivo é em todos os jogos conseguirmos bater-nos com o nosso adversário e disputarmos os três pontos.

MT: Conheci um treinador de formação que me dizia que se sentia muitas vezes o pai dos miúdos. Sente-se um pouco nessa posição, mesmo que a este nível?

NK: Não. Somos uma equipa muito jovem, isso somos. Temos aqui alguma experiência, três ou quatro jogadores com muita experiência desta divisão. Mas temos muitos jogadores novos e sem conhecimento do campeonato. Alguns até vêm do estrangeiro. Rapidamente temos que os introduzir.

Sabemos que é uma equipa muito jovem, com naturalidade muitos deles, não tenho dúvidas disso, vão ser mais valias para os clubes profissionais que nos vão observar. Não tenho dúvidas que vamos ter aqui muitos jogadores a serem observados, na base do que já aconteceu o ano passado.

As pessoas que o Fátima costuma ter são famílias, jogadores que se sentem bem uns com os outros, toda a gente é tratada do mesmo modo, é igual, ninguém é mais que ninguém. O balneário é sempre muito divertido, muito rico.

MT: Há uma crítica nessa linha, de que o CD Fátima acaba por ter muitos jogadores internacionais e poucos locais. Sente isso também?

NK: Se for ver o passado do clube, o CD Fátima é um clube que projeta muita gente. Passaram por aqui jogadores que neste momento são internacionais, um deles joga no Barcelona, o William de Carvalho, o Pedro Santos, que jogou no Sporting também, o David Simão que está no Boavista, o João Vilela, que fez formação no Benfica. Passaram por aqui muitos jogadores que conseguiram outros patamares.

Fátima é um clube que procura formar jogadores e homens, forma bons jogadores. Os jogadores sentem isso e não têm problemas em vir jogar para o Fátima, que lhes dá condições para eles poderem crescer. Obviamente que gostaríamos de ter mais gente da terra e da formação principalmente, sendo da terra ou não.

Para o ano temos uma equipa de júniores muito mais competitiva. Só tendo uma equipa de júniores no nacional é que a equipa sénior pode ir buscar a qualidade que é exigida. Se o Fátima andar sempre com jogadores em divisões muito abaixo, os bons jogadores não vão querer vir para o Fátima, vão querer ir para o União de Leiria, para as equipas que estão no nacional. Porque querem competir e no regional não se compete, não são competitivos. Estamos a trabalhar nesse sentido. O Fátima tem condições para ter uns júniores no nacional e assim cativar os bons jogadores locais que estão noutros clubes.

MT: O que é necessário para ser um bom jogador?

NK: Primeiro ter qualidade (risos), isso é ponto assente. Não há varinhas mágicas nem comprimidos para dar qualidade aos jogadores. Primeiro ter qualidade para chegar à bola. Depois o empenho, o interesse, a paixão, sobretudo pelo treino. Se tiveres paixão pelo treino, as coisas saem-te naturalmente. Acho que isso são os aspetos mais fundamentais para ter sucesso. Depois é também um pouco a sorte, de encontrares as pessoas que te consigam guiar e ir ao encontro da tua qualidade, para poderem potenciar aquilo que tu tens e poderes ficar melhor. Tudo é importante.

Só tendo uma equipa de júniores no nacional é que a equipa sénior pode ir buscar a qualidade que é exigida. Se o Fátima andar sempre com jogadores em divisões muito abaixo, os bons jogadores não vão querer vir para o Fátima, vão querer ir para o União de Leiria, para as equipas que estão no nacional.

MT: Que ambições ainda tem? Neste momento está numa carreira como treinador, quem gostaria de treinar?

NK: Não tenho o objetivo de treinar clubes nacionais, Sporting, Benfica ou Porto. Eu quero treinar um clube que me dê as condições para poder treinar jogadores de grande qualidade, de enormíssima qualidade, porque isso é o prazer de qualquer treinador.

MT: Neste início de época que mensagem gostaria de deixar aos sócios e aos adeptos?

NK: Eu gostava que os sócios viessem mais ao estádio do Fátima, em maior número que o que têm vindo, mas tenho consciência que para isso acontecer é preciso que nós tenhamos um futebol positivo e atrativo e, claro, com vitórias.

Que venham apoiar, este ano vamos ter uma equipa muito jovem. Que tenham um pouco de paciência com os jovens, são miúdos que estão a iniciar as carreiras deles. Vão cometer alguns erros, é normal, eu estou cá para os corrigir. Mas venham ver que vale a pena, temos aqui muita qualidade este ano.

MT: Quais as equipas este ano que vos vão desafiar mais?

NK: Vai ser um campeonato muito competitivo e muito difícil. Temos a União de Leiria, a principal candidata, depois temos o Vilafranquense, o Torreense, o Loures, Castelo Branco, Sertã tem sempre equipas muito interessantes, Águeda, Anadia… Há muitas equipas que este ano vão tornar este campeonato muito competitivo.

Qualidade, paixão pelo treino e alguma sorte são os ingredientes necessários a um bom jogador, defende Foto: mediotejo.net

MT: A equipa está preparada?

NK: Temos que estar. Sabemos do poderio das outras equipas, que são boas equipas, com bons treinadores, têm qualidade. Mas estamos cá e para crescermos temos que jogar contra os melhores. Eu quero jogar contra os melhores para também crescer como treinador e ver a minha equipa crescer.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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