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Segunda-feira, Outubro 18, 2021

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Futebol | Nando Costa, o treinador ferroviário do Desportivo de Torres Novas (c/vídeo)

Em período de preparação para o arranque da época 2018/2019 do Campeonato Distrital da Associação de Futebol de Santarém, o mediotejo.net foi conhecer Fernando (Nando) Costa, treinador do Clube Desportivo de Torres Novas. Com uma longa carreira no futebol amador da região, que encerrou aos 36 anos devido a lesões, Nando Costa não esconde as dificuldades e os desafios que representa estar do outro lado da quatro linhas. A equipa ainda se está a organizar para a época que se inicia, mas mantém a ambição de dar aos torrejanos espetáculos de bom futebol. 

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B.I.

Nome: Fernando (Nando) Costa

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Idade: 49

Naturalidade: Meia Via (Torres Novas)

Carreira futebolística: Clube Desportivo Operário Meiaviense (escola), Clube Desportivo de Torres Novas (iniciados), Grupo Desportivos dos Ferroviários do Entroncamento, Clube Desportivo e Recreativo de Alferrarede, Clube Atlético Riachense e União Desportiva de Chamusca

Conquistas:  campeão distrital da 2ª divisão, campeão distrital da 1ª divisão, uma Taça do Ribatejo e uma Supertaça

CV Treinador: (adjunto) Clube Atlético Riachense e Clube Desportivo de Torres Novas; (principal) Clube Operário Meiaviense, Clube Atlético Riachense, União Desportiva de Chamusca, Grupo Desportivo da Casa do Povo de Pego e Clube Desportivo de Torres Novas

Conquistas: (treinador adjunto) campeão distrital da 1ª divisão duas vezes, duas Taças do Ribatejo e uma Supertaça; (treinador principal) Supertaça, subida à primeira divisão com o Grupo Desportivo da Casa do Povo de Pego

Trabalho e empenho são o lema de Nando Costa Foto: mediotejo.net

Entrevista:

mediotejo.net (MT): Como nasceu o seu interesse pelo futebol?

Nando Costa (NC): Como todas as crianças, quando somos pequenos. Não havia as novas tecnologias, basicamente era só o futebol, não havia brinquedos. Comecei a jogar na rua como todos na minha altura, a malta já perto dos 50. Foi por aí…

Como se dá o seu percurso no futebol mais profissional?

Comecei na escolinhas na Meia Via e depois foi um crescendo. Vim para Torres Novas para os iniciados e depois entrei no Centro de Formação da CP. Mudei-me para o Entroncamento e fui para os juvenis do Ferroviário, fiz lá o resto das camadas jovens. Cheguei a sénior, fiz dois anos na Meia Via e depois fui para os séniores do Ferroviários. Começou assim.

Jogou sempre a nível a amador?

Sim. Trabalhei sempre, mas levei o futebol muito a sério. Mais a sério ainda foi no Riachos, na terceira divisão. Mas joguei sempre futebol a sério, apesar de trabalhar. Foi sempre um gosto de criança, tive sempre uma grande entrega.

Consegue-me explicar essa paixão?

Como lhe disse foi uma paixão que tive desde miúdo. Comecei-me a interessar, comecei a gostar e foi até hoje. Como costumo dizer o único brinquedo que tínhamos era uma bola.

joguei sempre futebol a sério, apesar de trabalhar. Foi sempre um gosto de criança, tive sempre uma grande entrega

Como se dá a sua transição para treinador?

Acabei na primeira distrital na Meia Via e foi quando tive a terceira lesão grave, outra operação aos ligamentos no joelho. Acabou aí, vi que tinha chegado ao fim. No início da outra época o diretor, por intermédio da escola no Operário Meiaviense, convidou-me devido à minha experiência, ao muito tempo que eu estava ligado ao futebol, se eu queria pegar na equipa no ano seguinte. Descemos para a segunda distrital e começou aí. Tirei o curso nesse ano, 2006/07, e nunca mais parei.

Já mencionou várias vezes o quanto as lesões marcaram a sua carreira. É uma frustração muito grande para um jogador?

Sim, se não tivesse tido lesões tinha jogado mais tempo. Desfrutamos mesmo do futebol é jogando. Quando passamos para treinadores a responsabilidade é muito grande. Muitas noites sem dormir, muitas desilusões, muitos dias maus. É muito complicado. Onde desfrutamos do futebol é mesmo jogando, é quando somos jogadores.

Qual a grande diferença entre ser e jogador e ser treinador?

É muito grande. O jogador faz a sua vida normal, chega aqui, faz o seu trabalho. É isso que eu peço, quero empenho. E depois o treinador é que decide quem joga ou não. Depois o jogador vai para casa, às vezes se perde também leva alguma frustração. Mas o treinador é todos os dias em casa a pensar sempre nisso. Ou é na preparação dos treinos ou nos jogos. Quando se perde não se dorme, se tem uma boa vitória a adrenalina dificulta adormecer. É muito complicado.

De todos os clubes por onde passou, qual o marcou mais?

O clube onde estive mais tempo, como jogador e treinador, foi o Riachos. Pode passar por aí, foi onde tive as maiores conquistas como jogador e como treinador. Apesar de ter gostado de estar em todo o lado onde passei, fui sempre bem tratado.

Nando Costa terminou a carreira de jogador de futebol aos 36 anos devido a lesões Foto: mediotejo.net

Como se tornou ferroviário?

Fui para o Centro de Formação da CP quando era miúdo, fiz lá a formação durante três anos e depois fui para as oficinas de Santa Apolónia, arranjar os comboios. E estou lá até hoje. É preciso algum empenho, tenho que me levantar muito cedo, é desgastante, é cansativo, mas por isso é que para andar aqui tem que se gostar. O cansaço por vezes é muito, mas tem que se superar isso.

Destaca-se de alguma maneira entre os seus colegas por ser treinador, pedem-lhe conselhos?

Brincam comigo, se perco, se ganho. Aquelas brincadeiras normais dos colegas. Como sou treinador de futebol eles brincam, até mesmo a falar dos treinadores do Benfica e do Sporting, o que eles deviam fazer. Eu digo que eles é que trabalham com os jogadores, eles é que sabem. Nós somos meros espetadores, não sabemos o que se passa lá durante a semana.

Qual o ponto de situação do Clube Desportivo de Torres Novas neste início de época?

Há alguma indefinição devido aos afazeres dos jogadores e as suas férias. É complicado, isto é futebol amador. Agora temos aí uma prova complicada para a Taça de Portugal, dia 9. Começamos a trabalhar dia 8, gostava de ter logo o plantel definido nessa altura para começarmos a trabalhar de início todos juntos. Mas é complicado, temos que conviver com isso.

Vamos ver, estamos a tentar fazer o melhor, tirar o melhor rendimento dos jogadores. Vamos ver se as coisas nos correm bem, para ver se damos uma alegria aqui às pessoas de Torres Novas, também merecem. À pouco referi-me aos Riachos, mas também fui muito bem tratado, muito acarinhado aqui em Torres Novas.

se não tivesse tido lesões tinha jogado mais tempo. Desfrutamos mesmo do futebol é jogando. Quando passamos para treinadores a responsabilidade é muito grande. Muitas noites sem dormir, muitas desilusões, muitos dias maus.

Quais a equipas que pensa lhe irão trazer mais desafios?

As equipas que estão a apostar para subir. As que se reforçaram muito bem e quase todas se reforçaram. Vai ser um campeonato muito complicado, cada jogo vai ser muito disputado, vai ser uma guerra até ao fim. Há muitas equipas que querem lutar para subir. Cada jogo vai ser uma final. Vamos tentar chegar a uma zona de conforto o mais rapidamente possível para ver se não temos tristezas.

As equipas que tem mais possibilidades de ficar em primeiro são as que desceram de divisão, Coruche e Alcanena, e as que estão a apostar forte, Almeirim, Cartaxo e Santarém.

Qual a ambição do Torres Novas? Subir?…

Não, subir não passa pela cabeça. Era tentar fazer o melhor possível. Não temos estrutura para investir para subir. Queríamos tentar fazer melhor que o ano passado, ficar em segundo era bom. Mas sabemos que vai ser muito difícil. Vamos tentar fazer o melhor possível e encontrar uma zona de conforto, para não termos dissabores. Fazer um campeonato tranquilo para não jogarmos sobre pressão. Era isso que eu queria.

Vai ser um campeonato muito complicado, cada jogo vai ser muito disputado, vai ser uma guerra até ao fim

O que é para si necessário para ser um jogador e futebol?

É preciso acima de tudo querer, querer ser um bom jogador de futebol. É preciso trabalhar muito, é preciso ter muito empenho, é preciso ter qualidade. Não é qualquer jogador que por trabalhar muito e se empenhar muito vai ser um bom jogador de futebol. Mas depois também é o profissionalismo: o descanso, preparar bem o jogo. É a conjugação desses factores. Evoluir treino a treino, preparar bem o jogo, descansar, ter a qualidade que é preciso e o querer. Vir para aqui treinar e crescer dia a dia.

Como se mantém a motivação dia a dia no futebol amador com todas os outras preocupações, casa, emprego?

A motivação temos nós que arranjar. Eles também têm os seus problemas como toda a gente e nós temos que tentar falar com eles, temos que os motivar, dar o rebuçado à sexta-feira, fazer uma brincadeira, um convívio, um petisco, um jantar sem excessos. Tentar arranjar formas de treino para se motivarem, para estarem alegres. Arranjar maneira de eles ao treinarem sentirem-se bem, que estão ao pé de amigos. Sentirem-se bem na pele uns dos outros.

Tentar ter um balneário forte e unido e amigo. Isso é o mais importante, ter um grupo que toda a gente puxe para o mesmo lado.

Que mensagem gostaria de deixar aos sócios e adeptos?

Que nos apoiassem. A única fórmula do sucesso é o trabalho. Da minha parte vou fazer de tudo para os motivar, vou trabalhar, vou fazer com que a equipa também trabalhe para alcançar as vitórias. Venham-nos apoiar, porque não vai ser por falta de trabalho e empenho que não vamos tentar ganhar todos os jogos.

” Venham-nos apoiar, porque não vai ser por falta de trabalho e empenho que não vamos tentar ganhar todos os jogos.” Foto: mediotejo.net

 

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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