Futebol | Mozer deixa Fátima SAD ainda antes do início da época

A equipa do Fátima SAD não pode utilizar o Estádio Municipal Papa Francisco, em Fátima, porque a SAD deve ao município de Ourém 46 mil euros. Foto: DR

O internacional brasileiro José Carlos Mozer, contratado em julho para liderar o novo projeto “Fátima 20.30” do Centro Desportivo de Fátima SAD, anunciou na sua conta de facebook que abandonou o projeto ainda antes de começar a época. Segundo o técnico, a realidade que encontrou foi bem diferente da esperada, uma vez que a equipa nem um estádio tem atualmente para treinar.

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O ex-jogador do Benfica e da seleção brasileira estava previsto como o treinador principal de um novo projeto da SAD, que pretendia tornar-se uma promotora de novos talentos no futebol. “Estava pronto a regressar a Portugal, e mais concretamente a Fátima como ainda alguns dias atrás referi na entrevista a RTP, pois não há outro lugar tão especial para regressar como a Portugal”, refere o atleta numa publicação de 10 de setembro.

“A historia é simples de contar. Recentemente, em Maio surgiu a oportunidade de participar num projecto do qual me orgulho e não me arrependo de o ter feito. O projecto que nasceu denominado de Fátima 20.30, foi como dizem por aí em Portugal “amor a primeira vista”, e aproveito este momento para demonstrar a minha gratidão para duas pessoas, que para além de serem profissionais de excelência, são das duas melhores pessoas que conheci, e quem considero família. Estes dois irmãos como carinhosamente os trato, nunca desistiram de mim, e tudo fizeram para que pudesse regressar a Portugal e ao Futebol Português. Eles foram determinantes para confiar e encantar-me pelo projecto, que acima de tudo nasceu com a missão de apoiar o desenvolvimento do jovem jogador Português e do futebol amador, e no sentido de valorizar com a minha experiência em todo o excelente trabalho que tem vindo a ser realizado em Portugal no que respeita à formação e ao futebol não profissional. Os títulos e os talentos que os clubes Portugueses e as seleções tem vindo acumular, falam por si, o Futebol Português tem que se sentir orgulhoso pelo que tem vindo a fazer, seria uma honra para mim voltar neste momento, e estava pronto e determinado a voltar, diria que tenho as malas feitas desde de Maio. O Campeonato Nacional organizado pela Federação Portuguesa seria a minha próxima casa, uma competição que foi recentemente foi alvo de reestruturação com a missão de valorizar ainda mais a competição e o Futebol não profissional”, começa por salientar.

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Porém, continua, “infelizmente como alguns projectos, que no papel e nas intenções são uma coisa, e depois nem sempre são executados como foram idealizados. O que ocorreu foi precisamente esse o motivo que levou-me adiar, o regresso a Portugal e com muito custo a não levar para a frente o projecto no Fátima. Foi uma decisão ponderada, e que é tomada em respeito essencialmente ao jogadores e a dignidade que é necessário defender no Futebol Português. Confesso, depois de tantos anos no Futebol, já não estava a espera ainda de ser surpreendido e, infelizmente fui. E pela negativa”.

“Do encantamento inicial, sobra apenas um pesadelo, tanto para mim, como a restante equipa técnica. Sem saber o que informar os jogadores, continuávamos até o início desta semana, a aguardar pelas condições mínimas para trabalhar, tais como campo treino, ferramentas e equipamento, bem como, também não estava assegurado o Estádio onde estava previsto decorrer os nosso jogos ao domingo. A menos de mês do primeiro jogo nem os equipamento de jogo existem, o pesadelo tornou maior ainda para mim, quando tenho a minha família em suspense para mudar para Portugal, semana após semana, as promessas não passavam de promessas, fossem do Presidente ou Vice-Presidente. Na última vez que conversei com o Presidente, prometeu-me que iria tratar pessoalmente da minha viagem e da minha estadia, para estar tranquilo que ele estaria a tratar de tudo, e que poderia estar assegurado que nada me iria faltar em Portugal, no entanto, até ontem nem viagem, nem casa”, enumera.

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“É assim a história de um projecto que nasceu com tudo para dar certo no meu regresso a Portugal, ao Futebol, as gentes da Associação de Santarém (curiosamente a minha mulher antes de vir para o Brasil vivia em Santarém), fica assim adiado o meu regresso, num projecto que para mim nunca chegou a iniciar-se, e que nasceu com boa fé e muita vontade da minha parte, mas terminou numa enorme desilusão”, admite.

Carlos Mozer deixa CD Fátima SAD ainda antes do início da época. Foto: DR

Mozer termina a apelar aos jogadores para que “possam com o meu ato e decisão conseguir ter atenção e o respeito da administração da SAD para vos garantir o mínimo de condições para poderem trabalhar durante a semana e jogarem ao domingo, foi por vocês e pelo respeito ao Miguel, ao Pedro e restante equipa técnica que esperei até ontem para tomar a minha decisão, despeço-me com o desejo que vos deixem e permitam trabalhar para serem felizes”.

A SAD do CD Fátima encontra-se em processo de insolvência, situação que já era pública quando foi anunciada a contratação de José Carlos Mozer. O mediotejo.net contactou o administrador de insolvência do clube, que referiu não prestar declarações sobre o processo.

A equipa não pode utilizar o Estádio Municipal Papa Francisco, em Fátima, porque a SAD deve ao município de Ourém 46 mil euros.

 

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