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Segunda-feira, Outubro 18, 2021

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Futebol | Lino Freitas, o homem que está há nove épocas ao comando do União de Tomar (c/vídeo)

Em período de preparação para o arranque da época do Campeonato Distrital da 1ª Divisão da AF Santarém, o mediotejo.net foi conhecer Lino Freitas, o treinador que está a iniciar a sua nona época consecutiva a orientar o União de Tomar, histórico clube que conta com 104 anos de existência. Natural de Cerejeira, freguesia de Asseiceira, Lino Freitas é comerciante de profissão. Considera que o seu maior desafio passa por “conseguir manter uma equipa competitiva mesmo com as saídas e entradas constantes” dos jogadores. Nas duas últimas temporadas, o técnico da formação da cidade nabantina alcançou um segundo e um terceiro lugar no campeonato da 1ª divisão da Associação de Futebol de Santarém e, a 13 de maio último, conquistou a Taça do Ribatejo ao vencer o Mação, um troféu há muito ambicionado pelo emblema unionista.

B.I.

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Nome: Lino do Rosário Confraria de Freitas

Idade: 58 anos

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Naturalidade:  Cerejeira, Asseiceira (Tomar)

Carreira futebolística: Enquanto atleta jogou futebol 11 e vestiu a camisola do União de Tomar, Matrena, Asseiceira, Linhaceira e em futebol de salão jogou no Sporting de Tomar e Linhaceira. Enquanto jogador protagonizou a subida de divisão por duas vezes.

CV do Treinador: A.C.R.Linhaceira 1995/1996 1ª época Formação; 1996/1997 Treinador/Jogador, com subida de divisão; 1997/1998 – 1ª divisão distrital conseguindo manutenção. 1997/1998 e 1998/1999 Parceiros de São João com uma subida de divisão, seguindo depois duas épocas no Parceiros de São João; 1998/1999 na 1ª divisão distrital 10º lugar no Tramagal Sport União; 1999/2000 subida de divisão 2001/2002 (saída em janeiro). 5º lugar Escola Futebol Tomar; 2003/2004 e 2004/2005, coordenador durante 2 épocas, tendo acompanhado a equipa de iniciados numa fase em que o treinador principal saiu acabando por ganhar o campeonato distrital e assegurar a subida aos nacionais; U.Tomar – 2005/2006 2006/2007 – Coordenador futebol Juvenil e Juniores; 2007/2008 – vice campeão distrital; 2008/2009 campeão distrital; 2009/2010 campeonato Nacional 2ª divisão séniores; 2012/2013 oitavo classificado; 2013/2014 sexto classificado; 2014/2015 vice campeões distritais. Apurados Taça Portugal; 2015/2016 terceiros classificados; 2016/2017 terceiros classificados; 2017/2018 vice campeões distritais e Vencedores Taça Ribatejo, tendo apurado o União de Tomar para a Taça de Portugal e Supertaça.

Lino Freitas antes de iniciar mais um treino no Estádio Municipal Foto: mediotejo.net

ENTREVISTA

Falou-se na sua saída do clube, anunciada com lágrimas por parte do presidente do União de Tomar, Abel Bento… o que o levou a reconsiderar e a ficar?
Aconteceu quando mesmo eu pensava que já não ia acontecer. Mas houve pressões exteriores que me levaram a dar um passo atrás. Foi uma decisão tomada com base nisso.

Como surgiu a oportunidade de se tornar treinador do U. Tomar?
Cheguei ao clube como coordenador de formação, depois fui treinador de juniores, onde estive duas épocas e, a certo momento, como já pertencia aos quadros do clube –  e talvez pelas dificuldades financeiras do clube –  entrei numa época em que o Tomar se estava a reestruturar porque penso que a aposta foi na prata da casa. Esta é a nona época consecutiva. Penso que nunca ninguém esteve tanto tempo à frente de um clube amador.

Como tem sido essa experiência até agora?
A experiência tem sido bastante positiva. O maior desafio é, ano após ano, conseguir manter uma equipa competitiva mesmo com as saídas e entradas constantes. Este é um clube com história, com pergaminhos dados e continuo com prazer, sabendo que ano após ano, vão aparecendo dificuldades. Este ano está a ser complicado formar uma equipa competitiva, que habituou os sócios e os simpatizantes do clube a lugares cimeiros. Mas eu costumo dizer que se fosse fácil não era para mim, era para outros. Vamos conseguir os nossos objetivos e o futuro dirá se tudo correrá como nos preparamos.

Que balanço faz de todos estes anos a treinar o clube?
O balanço é muito positivo. No entanto, a 1ª época foi muito complicada tendo conseguido a manutenção já depois do campeonato ter terminado. A partir daí –  depois de conhecer melhor a realidade do clube e do campeonato –  as coisas têm vindo gradualmente a melhorar tendo essa melhoria sido premiada com vitória da Taça [do Ribatejo].

“O maior desafio é, ano após ano, conseguir manter uma equipa competitiva mesmo com as saídas e entradas constantes. Este é um clube com história, com pergaminhos dados e continuo com prazer, sabendo que ano após ano, vão aparecendo dificuldades. Este ano está a ser complicado formar uma equipa competitiva, que habituou os sócios e os simpatizantes do clube a lugares cimeiros. Mas eu costumo dizer que se fosse fácil não era para mim, era para outros”

Quais foram as suas principais conquistas?
As principais terá sido o título Campeões Distritais de Juniores e o título de 2.ª Divisão (ainda como treinador da equipa de júniores) sendo que depois fui convidado a assumir a equipa sénior – numa altura em que o clube estava a estruturar a sua parte económica – e onde encontrei jogadores que tinha conhecia durante a formação. A partir daí, temos sofrido todos os anos grandes transformações em termos do plantel e que culminou, na época passada, com o 2.º lugar e com a vitória da Taça do Ribatejo, um marco importante não só para mim como para todo o clube e para a cidade, e que permitiu reviver momentos de glória que no passado o clube teve.

Quais os maiores desafios que um clube como o União de Tomar enfrenta? Já estudou a estratégia para a temporada que se avizinha e definiu objetivos, tendo em conta o seu plantel?
Na minha opinião o clube deveria tentar chegar aos Nacionais, pela grandeza do clube, por tudo o que já foi no panorama Nacional, pela cidade, e pela região. O momento certo para apostar numa subida era na época passada. Como isso não aconteceu vai ser difícil ter uma oportunidade igual. Em relação ao que aí vem penso ser uma época muito complicada depois de uma época excelente.

Lino Freitas considera-se um treinador descontraído e amigo dos jogadores Foto: mediotejo.net

O futebol pode assumir um papel importante nestes concelhos do Interior do país, mais desertificados e envelhecidos, e por vezes até esquecidos…?
Claramente, penso que o desporto –  e mais propriamente o futebol –  podem trazer mais gente e com isso ajudar a dinamizar e aumentar a economia local. O desporto vive-se tão ou mais intensamente nos pequenos clubes como nos grandes. Penso que cada um à sua maneira, mas sim.

Como é que se caracteriza enquanto treinador?
É difícil fazer essa auto-análise. Às vezes posso ser um pouco bom demais. A minha parte humana também é transportada para dentro do campo, ignorando aquilo que sei que são desculpas. acabo por ser aqui dentro o que sou lá fora. Tenho-me dado bem com a minha maneira de ser porque os jogadores têm-me respeitado. Antes de ser treinador sou um amigo deles e tento transmitir essa mensagem. Este não é um patamar profissional, é amador. São jogadores que têm o seu trabalho e que têm que ser acompanhados. Não é a impor a disciplina que se consegue essa disciplina. Ela tem que ser conquistada com outros processos.

Enquanto treinador, o que é que não perdoa aos seus jogadores?
Não sou de não perdoar. Até hoje não tive nenhum caso a referir, apenas coisas normais.

No Estádio Municipal de Tomar, a iniciar mais um treino Foto: mediotejo.net

Que traços de perfil se exige a um bom futebolista?
Ter o dom, o talento natural e depois ter humildade, trabalhar, e querer aprender sempre mais. Além disso, considero que é preciso também ter alguma sorte e sofrer poucas lesões. O talento é importante mas a dedicação tem que ser grande para conseguirem evoluir. Por vezes perdem-se jogadores de valor pelo caminho porque a vida também não lhes permite.

Qual o treinador que mais o marcou e porquê?
José Mourinho, numa fase inicial da sua carreira. Porque trabalhar com equipas numa fase inicial, sem o poderio das equipas que treina agora, dá para perceber o seu potencial como treinador. Aí é que se consegue ver o valor do treinador, uma vez que conseguiu um grande nível com as equipas mais fracas.

Qual a sua maior ambição enquanto treinador?
Quero continuar a fazer amigos, ajudar os clubes e atletas que se cruzarem no meu caminho. No patamar onde trabalhamos, mais na base da amizade, o trabalho é mais fácil. O sucesso dos outros é o meu sucesso. Os bons resultados dos jogadores também me valorizam enquanto treinador. Nesta fase, todos os dias treinamos durante uma hora e meia.

 “A minha parte humana também é transportada para dentro do campo, ignorando aquilo que sei que são desculpas. acabo por ser aqui dentro o que sou lá fora. Tenho-me dado bem com a minha maneira de ser porque os jogadores têm-me respeitado. Antes de ser treinador sou um amigo deles e tento transmitir essa mensagem”

O que podem os adeptos do União de Tomar esperar de si e da sua equipa no próximo Campeonato?
De mim, aquilo que sempre fiz: servir o clube da melhor maneira. Até ao dia em que sentir que estou a ser útil em relação à equipa para este campeonato. Vamos ver. Sabemos que vai ser uma tarefa difícil porque temos uma equipa toda ela praticamente nova. Saíram muitos jogadores. Aliás, neste momento ainda não sabemos com que jogadores podemos contar pois isto é a nível amador. Temos que nos sujeitar aos jogadores que aparecem e aos que conseguimos que continuem motivados. Em todos os treinos temos que ver quem é que aparece ou não. O nosso objetivo é sempre fazer melhor, claro.

Jogou futebol mais de 30 anos. É mais fácil ser jogador ou treinador?
O bichinho de jogador fica sempre, por isso também jogo nos veteranos. São coisas diferentes. A responsabilidade aumenta a partir do momento em que somos treinadores. Temos que passar a mensagem. Como jogadores damos o nosso melhor e divertimos-nos e como treinador temos que nos pôr no lugar deles até porque já lá estivemos.

“A minha parte humana também é transportada para dentro do campo”, refere Lino Freitas Foto: mediotejo.net

Tem alguma superstição?
Não. Tanto jogo ao dia 13 como ao dia 14 (risos). Tenho é a minha fé. Fui a Fátima depois de conquistar a Taça do Ribatejo porque ganhámos uma prova que nunca tínhamos ganho e foi no dia 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima.

O que é que diz aos jogadores antes destes entrarem em campo?
Não tenho uma mensagem sempre igual. Depende do jogo, do meu estado de espírito, de muitos fatores. O que sinto no momento é o que lhes digo a eles. Sai por instinto. Nunca preparo um discurso especial. Tento passar-lhes o conhecimento que tenho das equipas adversárias e o que sinto no momento.

Qual é a sua filosofia de vida?
Viver um dia de cada vez. Não vale a pena fazer grandes planos. Viver e trabalhar sempre com prazer. Ser amigo do amigo, ajudar ou tentar ajudar quem precisa.

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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