Futebol (Juniores): CADE empata e deixa fugir título distrital (com áudio)

23 de abril de 2016, 16 horas, Rio Maior

Campeonato Distrital de Juniores da 1ª Divisão da Associação de Futebol de Santarém

Núcleo Sportinguista de Rio Maior 1 – Clube Amador de Desportos do Entroncamento 1

À partida para esta que era a última jornada do campeonato, três eram os clubes em condições de ser poderem sagrar campeões. CADE, Académica de Santarém e Benavente. No entanto, eram os rapazes do Entroncamento que tinham a decisão nos pés, pois os dois pontos de avanço que tinham sobre os outros contendores, faziam-nos depender apenas do que fizessem nestes derradeiros 90 minutos para conquistar o título.

Era esperada uma entrada forte do CADE, a mostrar querer resolver a partida de forma rápida, para depois controlar até aos festejos finais. Puro engano. De duas uma. Ou a ansiedade se apoderou de tal forma dos jovens “ferroviários” que os bloqueou, ou por defrontarem o 8º classificado que estava a 25 pontos de distância e que só apresentava 12 jogadores, os fez entrar na toada do “mais tarde ou mais cedo, isto resolve-se”. Em nossa opinião, e atendendo ao que vimos da equipa azul e branca nesta época, foram as duas mas pela ordem inversa que as colocámos.

A primeira parte quase não teve oportunidades de golo, tendo sido disputada a um ritmo baixo, excetuando quando a bola chegava a Luís Fernandes, tal como aconteceu logo ao sétimo minuto, em que este fura pela direita e na área, acossado por um adversário, remata às malhas laterais.

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Luís Fernandes quis mostrar qual o caminho para a baliza e para o título, mas não foi acompanhado.

Os riomaiorenses apresentavam uma equipa muito compacta, blocos baixos e juntos, bem colocada táticamente, para o que eram as suas intenções. Não perder. Do outro lado estava uma equipa com alguma lentidão de processos e que não era capaz de procurar e conquistar os espaços que o adversário lhe ia tirando.

Da primeira parte, para além do lance já focado, apenas mais dois. Aos 15 minutos, José Pratas corresponde bem a um cruzamento de Luís Fernandes e à meia volta atira ao lado, e aos 19, o mesmo José Pratas, no coração da área cabeceou ao lado.

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José Pratas cabeceia ao lado da baliza de Emanuel

Foram estas a oportunidades mais flagrantes em todos os primeiros 45 minutos, onde o Núcleo respondeu sempre que conseguiu em contra-ataque, mas quando chegava às imediações da área contrária faltava-lhe unidades, perdendo-se o perigo.

Para a etapa complementar e os últimos 45 minutos da época, era expectável ver o CADE adotar uma atitude diferente, mais pressionante, acutilante e asfixiante. Em certa medida, pressionante foi. Jogou mais tempo no meio campo do adversário, teve mais posse de bola, rematou mais vezes (nem sempre bem) à baliza. Faltou-lhe foi o resto. E quando aos 47 minutos, numa saída a um cruzamento, o calmo e seguro Filipe Oliveira tropeça em si mesmo, criando um lance de aflição para a sua defesa (Francisco Martins ficou tão surpreendido com a oferta que nem acreditou), pairou no ar a sensação de que as coisas podiam correr mal.

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Filipe Oliveira tropeça e fica fora da jogada. Francisco Martins não esperando tal oferta, não consegue rematar com êxito

Continuou o CADE à procura de criar situações de golo, principalmente por Luís Fernandes na ala e por David Nunes no meio, mas as coisas não iam fluindo como era desejo de Vitor Serra. Para tentar mudar algo, o treinador do CADE ia trocando alas de lado e fez entrar José Oliveira, retirando Telmo Carreira. Em nossa opinião só por uma questão de condição física (jogou com uma coxa elástica) é que se justifica saída de Telmo, pois José Pratas ia dando mostras que a tarde não era para si. Mais tarde, ainda retirou um defesa, fazendo entrar um homem mais ofensivo.

O tempo ia passando e as ocasiões de verdadeiro golo não iam aparecendo, até as que eram construídas acabavam nas mãos de Emanuel, que desde cedo mostrou dar confiança aos seus colegas.

Até que ao minuto 67 acontece o “golpe de teatro”. A defensiva de Rio Maior coloca uma bola no circulo central em Arnaldo, que de primeira e com muita categoria, desmarca Francisco Martins. O número 11 “leonino”, pela esquerda e em velocidade entra na área azul e branca, e com um adversário sobre si remata para o fundo das redes. Era a festa nas hostes da casa e o gelo nas de Entroncamento.

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Golo do NSRM apontado por Francisco Martins. Aqui o remate do número 11 de Rio Maior.
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Momento em que a bola passa por Filipe Oliveira, gelando a equipa azul e branca

Com 23 minutos para jogar, e pelo que se tinha visto até então, parecia improvável que este jogo terminasse em alegria para os pretendentes ao título. E foi assim. Tentaram tudo. Bola curta, bola longa, variações de flanco, mais gente no meio, mais gente à frente, mas nada…

Os últimos 15 minutos (10 regulamentares e 5 adicionais) foram de completo desespero. Bola para cima da área à espera que um golpe de génio conseguisse dar golo. Ao minuto 80, David Nunes cabeceou para golo, mas Emanuel com defesa vistosa evitou o empate. Na sequência do canto foi José Oliveira que ficou na cara do guardião da casa, mas não acreditou que podia ser feliz e deixou a bola seguir para as mãos do guarda-redes.

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Emanuel com excelente intervenção nega o golo a David Nunes
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José Oliveira não acreditou que podia fazer golo e demorou a reagir

Ao minuto 90+4 surge então o empate. José Oliveira tanto porfiou que alcançou. Cruzamento para área, confusão instalada e do meio da mesma, o esférico sobra para o número 18 azul que atira a contar.

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José Oliveira fez o golo que não chegou para dar o título ao CADE

Pouco depois surge o apito final. Naquilo que deviam ser os cumprimentos entre intervenientes, gera-se a confusão, de onde saiu um vermelho para Telmo Carreira por ter atirado ostensivamente uma bola contra a cara de um adversário. Quando os ânimos serenaram veio o suspense. Bancada e relvado a aguardar informações dos outros jogos, até que surge a notícia que nos outros campos os desfechos ditavam que o título ia para Santarém. O que tudo indicava poder ser uma jornada de glória – e tinha tudo para o ser – acabou em lágrimas.

Este empata acaba por aceitar-se, sendo um pesado castigo para os jovens de Entroncamento, que têm capacidade (já mostraram) para fazer muito melhor que o que mostraram esta tarde e um prémio para a entrega que os jovens de Rio Maior tiveram na partida.

Destaque na equipa de Rio Maior para Emanuel, Francisco Sampaio e Arnaldo, enquanto que no CADE temos que destacar Ricardo Sousa, Luís Fernandes e David Nunes.

Quanto ao trabalho do trio de arbitragem, temos que dizer que esteve à altura do jogo. Por muito que nestas alturas os adeptos queiram encontrar no árbitro a justificação para o insucesso, em nosso entender, não foi por Hugo Silva, Gonçalo Antunes e Rui Cabeleira que o jogo terminou empatado. Disciplinarmente aguentaram até ao limite a amostragem do amarelo e técnicamente não deram azo a que se pudessem ter grandes reparos.

Ficha do jogo

Complexo Desportivo de Rio Maior – Campo de apoio (relva sintética)

Árbitros: Hugo Silva, Gonçalo Antunes e Rui Cabeleira

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Rui Cabeleira, Hugo Silva e Gonçalo Antunes

NS Rio Maior

Emanuel, Tiago, Afonso Duarte, André Dias, Francisco Martins, Fábio Sampaio, Arnaldo, Iuri, Diogo Osório, Duarte Ferreira e Vitor Dias (Diogo Pereira)

Suplentes: Diogo Pereira

Treinador: Fábio Costa

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Núcleo Sportinguista de Rio Maior

CADE

Filipe Oliveira, Ruben (Luís Pereira), Ricardo Sousa, Ricardo Silva, Riscas, Luís Farias (Luís Badalo), Luís Fernandes, David Nunes, Telmo Carreira (José Oliveira), José Pratas e Gonçalo Mendes

Suplentes: Pedro Martins, Diogo Alfaro, Luís Badalo, João Bernardo, Tété, José Oliveira e Luís Pereira

Treinador: Vitor Serra

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CADE

Marcadores: Francisco Martins (67′) ; José Oliveira (90’+4)

Cartão amarelo: Tiago (90’+4) ; Gonçalo Mendes (90’+4)

Cartão vermelho: Tiago Carreira (após o fim do jogo)

A opinião do treinador:

Vitor Serra (CADE)

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